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Falta criatividade

Acabei passando por cima dessa matéria. Minha ideia nesse blog não é fazer uma clipagem, mas coincidentemente, dia 10 de junho, alguns dias depois do IBERCOM, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria com a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel. Ela foi a primeira  brasileira a ser convidada a falar no TED Global, famoso evento anual de conferências de curta duração que reúne convidados de várias áreas do conhecimento.

Suzana fala que a academia brasileira não incentiva a curiosidade e, principalmente, a diversidade de pensamento. A neurocientista fala da cultura de nos especializarmos em somente um assunto. Recorro ao Edgar Morin, quando ele diz que o pensamento é complexo e que não podemos pensar a educação sem pensarmos na transdisciplinaridade. Um dos maiores teóricos do nosso tempo está sendo esquecido.

Novamente: o professor Miguel Vicente fez a pergunta de “um milhão de dólares”, no IBERCOM: “Nós estamos em condições de importar e exportar conhecimento?”. Antes da academia falar em preconceito acadêmico, vamos olhar para o nosso umbigo.  De verdade: está na hora da academia ENTENDER o que Morin diz. A educação tradicional, de acordo com o francês, adotou um único modelo de realidade que é postulado nos livros didáticos que são perpetuados geração a geração. Os professores são formados a partir de uma simplificação de mundo onde eles acreditam que é possível simplificar a realidade para ser melhor apreendida ou transmitida a seus alunos. Não é possível ignorarmos um mundo de 140 caracteres. Como não é possível mais, em 2013, uma educação simplificadora e dogmática que  atrofia a aptidão de contextualizar os conhecimentos. Valoriza muito mais a separação que a associação de ideias num todo significativo.Excelente matéria da Folha.

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O idioma no IBERCOM 2013

IBERCOM 2013

No seminário de abertura do IBERCOM, “A definición dunha axenda Iberoamericana-científica e política de cooperación”, o tema discutido foi a predominância do idioma inglês na academia. A professora Aimeé Vega Montiel, vice presidente da IAMCR defendeu o idioma espanhol como dominante. Afirmou que os iberoamericanos deveriam trabalhar para o fortalecimento da língua no meio acadêmico.

O professor Francisco Sierra, vice presidente do CONFIBERCOM chegou a falar em racismo e preconceito com quem fala o espanhol e português na academia de língua inglesa. Sierra afirmou que quando espanhois e portugueses enviam seus trabalhos para congressos e revistas americanas, os revisores e organizadores bloqueiam os latinos assim que percebem a procedência do trabalho, sem ao menos lê-lo.

O professor Miguel Vicente fez a grande pergunta: “estamos em condições de importar talentos?”  Somos capazes de atrair investigadores? E, questionou se queremos mesmo estabelecer diálogo com a língua inglesa. Para o professor, é necessário que se fortaleça o inglês para competir.

A professora Maria Immacolatta, da USP, concordou com Miguel Vicente e afirmou que temos que entrar à força na academia americana e que isso certamente não ocorrerá com congressos em que os alunos expõem os seus trabalhos somente por dez minutos.

Eu não concordo em tratar a academia como se fosse um partido político. Acredito que exista um certo preconceito com os latinos ou com qualquer outro que não seja americano. Mas será que não é pela qualidade acadêmica??? Pensar a academia hoje sem ler Manuel Castells é impossível. Pensar a transdisciplinaridade que tanto defendemos sem Edgar Morin é inexistente. E, nenhum deles é americano. Nem vou falar em Maffesoli ou Lipovetsky.

Penso que, muito mais que um problema de idioma, é um problema de produção acadêmica. Concordo com a professora Immacolatta quando ela diz que não será expondo nossos trabalhos com pouco tempo que teremos respeito lá fora. Primeiro precisamos rever nosso método de estudo, deixar de tratar o meio acadêmico com metas numéricas (o aluno precisa de um número “x” de congressos para defender a tese) e olhar mais para a qualidade do que está sendo produzido, do que está sendo fomentado em Congressos  do que precisamente para o idioma. O idioma é secundário. Precisamos garantir produção com qualidade. Não com números.

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