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Vaga para Obama das redes sociais no Brasil

Habermas é polêmico. Ponto. Mas eu vou falar (d)nele. Inspirado no conceito de publicidade kantiano, Habermas tem como ideia de esfera pública a comunicação que se constitui num espaço da vida social humana permitindo a formação de uma opinião pública de interesse. Portanto, a esfera pública é uma dimensão que prevê uma racionalização da discussão.  Vale lembrar que muitos críticos refizeram o conceito habermasiano e até ele mesmo se refez.

Anyway: com o advento da internet, que Habermas não escute, a esfera pública tomou uma outra proporção. Alguns, esquecem que existe uma divisão entre esfera pública e privada, mas esse não é o caso (dá uma vontade de falar nisso). Vale lembrar que os meios de comunicação tradicionais não disponibilizam o espaço de debate defendido pelo autor, pois a maioria deles trabalha sob a lógica do agenda setting, ou seja, a lógica do que vai ser noticiado.A internet, sim, propicia o debate. Barack Obama foi o grande homem das mídias sociais e fez uma revolução no potencial midiático das redes. Como Gomes bem observa,  a campanha de Obama foi um exemplo de “modus operandi de campanha cooperativo, ao par com o espírito da internet 2.0 no quase refere a convocar e pressupor a participação dos internautas na produção dos conteúdos e nos procedimentos de difusão viral de informações e de mobilização”.

O conceito de “internet 2.0”, ou “web 2.0” significa, justamente, a internet não apenas como um sistema de publicações e banco de dados on-line, mas como um suporte para a estruturação das redes de mídia social. Michele  Obama seduziu os internautas em seu discurso terça-feira e ela foi o tema de 28 mil tuítes por minuto, segundo o Twitter. Isso representa o dobro da repercussão do discurso de Mitt Romney na convenção republicana. Ann Romney foi citada em pouco mais de 6.000 tuítes por minuto.

A minha grande pergunta é: e, no Brasil? Quem tem esse poder mobilizador? Não se pode negar que José Serra foi um pioneiro no uso do Twitter, mas não é um “Barack Obama” das redes sociais. Esse é um espaço vago na nossa política. E, até agora, parece que ninguém vai preenchê-lo.

GOMES, W. (et alii): Politics 2.0”A Campanha On-line de Barack Obama em 2008, In. Revista Sociologia Política, Vol. 17, n.34, pp. 29-43, Curitiba, Outubro 2009.
HABERMAS, Jurgen: Mudança Estrutural da Esfera Pública, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2003.

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Quem influencia, pelo twitter, na política no Brasil

Levantamento da consultoria internacional de relações-públicas Burson-Marsteller divulgou nesta segunda-feira as pessoas mais influentes na política brasileira, via twitter. A surpresa da pesquisa é que os mais influentes não são os políticos, mas jornalistas e colunistas. Ricardo Noblat, Miriam Leitão, Luis Nassif e Lauro Jardim estão na lista. Entre os políticos, Dilmabr aparece. O governador de SP, Geraldo Alckmin e Jose Serra, o eterno candidato e um dos precursores políticos do twitter no país, curiosamente, são os mais influentes e mais antigos na rede social.  A pergunta de um milhão de dólares: “onde estão os 513 deputados?”. A pergunta de 500 mil: “e os nossos senadores?”. Com mandato legislativo, somente o senador do PDT Cristovam Buarque foi citado. Recursos, todos eles têm. Assessoria de Imprensa, todos eles têm. Que interatividade os nossos parlamentares estão estabelecendo com os eleitores? Nossos políticos ainda têm muito a aprender com a internet.

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