Arquivos da Tag: Roland Barthes

Por quê?

Queria escrever aqui com mais calma, mas essa semana está impossível. Tenho que terminar alguns livros, dentre eles, Estética da Fotografia- perda e permanência, de François Soulages. Vou transcrever apenas um trecho da página 26, que desconstroi uma das afirmações mais clássicas de Barthes:

A doutrina do ‘isto existiu’ de Barthes  parece mitológica. Talvez fosse necessário substituí-la por um ‘isto foi encenado’ que nos permitisse esclarecer melhor a natureza da fotografia. Diante de uma foto, só podemos dizer: ‘ isto foi encenado’, afirmando, dessa maneira, que a cena foi encenada e representada diante da máquina e do fotógrafo; que não é o reflexo nem a prova do real; o sito se deixou enganar: nós fomos enganados. Ao termos uma necessidade tão grande de acreditar, caímos na ilusão: a ilusão de que havia uma prova graças à fotografia…

A minha pergunta é: Por que eu tive que ler Le chaimbre claire se todo o mundo resolveu agora desconstruir Barthes na fotografia??? Gah!

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Susie Linfield contra Roland Barthes e Susan Sontag

Eu sempre gostei de Roland Barthes e de como ele abordava a fotografia. Sempre achei aquele sentimentalismo com o punctum, a “ferida” na fotografia algo que me encantavam. A forma como a Susan Sontag também tratava esse chamativo nas imagens fotográficas me prendia. Mas, pelo pouquíssimo que li da Susie Linfield em The Cruel Radiance ( O Brilho Cruel), eu começo a entender a indignação dela com esses dois autores que eu sempre adorei.

Susan Sontag

Linfield critica essa postura do Barthes e da Sontag em ver a imagem fotográfica apenas com o sentimento e não com o intelecto. Como se a imagem fosse um ópio que não deixasse pensar no que há por trás dela. Barthes fala um pouco do “Isso foi”, mas a conversa pára por aí. E, Linfield fornece um exemplo que faz a gente pensar: por quê eu tenho que ficar transtornada com o menino-soldado de nove anos com uma arma na mão?? Esse mesmo menino também é um soldado, que mata, que é transgressor e violento. Mas mais do que isso: a fotografia está aí para nos tornar pró-ativos em vez de nos lamentarmos sobre o que a fotografia não pode fazer. E, isso, Barthes e Sontag esquecem. And, here we go, Susie!!!

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Então…

De toda a bibliografia desse primeiro semestre, a única que eu não conhecia era Terry Eagleton. Até que a professora Simonetta Persichetti indicou o primeiro capítulo de Depois da Teoria como leitura. PIREI!!! Não resisti e comprei o livro. Ainda não terminei, masvou dar meus pitacos. O grande questionando de Eagleton é a mudança na teoria cultural. Estudar marxismo, pós-estruturalismo ou “formas de combate à fome” parece ultrapassado tendo em vista a profusão cultural de hoje. De acordo com o teórico tornou-se muito mais interessante estudar a cultura por trás de Friends do que “como metade da população mundial sobrevive com dois dólares por dia?”. A idade de ouro da teoria cultural já era. Não devemos encontrar hoje em dia estudiosos pioneiros como Roland Barthes (adoro),  Michel Foucault ou Lacan. A geração de hoje aparentemente não tem ideias próprias comparáveis. O corpo não é mais aquele atormentado ela fome, mas é o corpo dos desfiles de moda, de Paris ou de um São Paulo Fashion Week. Vampirismo e cultura punk dão lugar ao estruturalismo de Horkheimer.

Se, antes, o rock era uma distração dos estudos, hoje ele pode ser estudado com base filosófica. Por um lado, Eagleton admite que os centros acadêmicos ignoraram a vida cotidiana, por outro indaga esse interesse massivo em estudar o banal. E, emenda que ao resgatar estudos que até então eram marginalizados, dá-se voz aos mesmos. A vida social tornou-se passiva de estudos. As diferenças não têm mais fronteiras o que ratifica a noção de pós-modernismo: “não acredita nos indivíduos, não acredita no pluralismo, mas também não coloca muita fé nos trabalhadores” (p. 34). E, finaliza o primeiro capítulo adiantando que é necessário descobrir uma nova forma de pertencimento. Para o autor, o mundo caminha para uma direção em que os ricos possuem cada vez mais mobilidade enquanto os pobres mantém a localidade. No futuro, não será difícil um grupo sob a proteção de armas e vigilância, e o outro “catando” comida. Enquanto isso, os estudos acadêmicos analisam “Friends” ou “Two and a Half Men”.

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