Arquivos da Tag: Oscar Pistorius

Oscar Pistorius demonstrates walking without his prosthetic legs in court – video

O The Guardian  publicou hoje um vídeo ainda do julgamento do Pistorius em que o advogado de defesa afirma que é de extrema necessidade demonstrar como o ex-atleta caminha sem as próteses.

 

 

Eu realmente tenho um fascínio pela história dele e do Lance Armstrong. Sigo acompanhando tudo. Publiquei um artigo chamado “A construção e desconstrução da identidade através imagem fotográfica” nesses dois casos. No artigo eu concluo que a imagem de Pistorius foi arranhada pela mídia de modo irreversível e que o mesmo não teria acontecido com Lance Armstrong. Acompanhando os acontecimentos hoje, três anos depois das duas derrocadas, percebo que minhas análises estavam certas. Não há volta para Pistorius. O mesmo não podemos dizer de Armstrong, que aos poucos tem se reinserido do esporte (não no ciclismo).

Se as coisas continuarem nesse caminho, minha próxima análise será da Maria Sharapova.

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Fotografias

Quando eu entrei para a faculdade de jornalismo eu queria ser correspondente internacional. Lendo o The Guardian hoje entendo que isso era um sonho perfeitamente justificável. O jornalismo deles dá um banho no nosso. As imagens fotográficas da cobertura do caso Oscar Pistorius são de tirar o fôlego. Outro ponto são as legendas: não é como aqui no Brasil em que, numa galeria, as legendas são iguais. Cada legenda para a sua foto. Vale a pena dar uma olhada!!

 

Photograph: Phill Magakoe/Gallo Images/Getty Images

Photograph: Phill Magakoe/Gallo Images/Getty Images

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O caso Oscar Pistorius

No ano passado escrevi um artigo comparando os casos Lance Armstrong e Oscar Pistorius. Minha comparação se deu em como a mídia tratou os dois escândalos do esporte e em como a Folha de S. Paulo condenou Pistorius antes mesmo do tribunal, que só deu seu veredicto hoje, O INOCENTANDO das acusações de homicídio doloso e de assassinato premeditado, que poderiam render a pena de prisão perpétua.

Está na hora de pararmos e refletirmos criticamente sobre o quê a imprensa nos oferece. Casos de condenação antecipada são comuns: também escrevi um artigo sobre o caso Demóstenes em que a imprensa condena já na primeira semana de investigação da Polícia Federal. Minnini já dizia: “A mídia cria e destrói deuses num ritmo vertiginoso.”  Utilizando-se de uma estratégia midiática, jogando-se uma notícia de forma sensacionalista, alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e conferidos a eles credibilidade. Cada nova frase, cada nova imagem de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. “

 

Em toda parte onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são as que querem o espetáculo.” (DEBORD)

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As imagens no caso Oscar Pistorius

Eu continuo acompanhando os casos Oscar Pistorius e Lance Armstrong, sim. Quem quiser ler meu artigo sobre isso na Alterjor, segue o link. A questão continua no tratamento das imagens no caso Pistorius. O atleta recebeu mais duas acusações por disparo com armas de fogo e a imagem divulgada na matéria foi essa:

Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

 

Isso apenas corrobora minha hipótese de que, realmente, a imagem de Pistorius foi totalmente desconstruída pela mídia.

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O caso Oscar Pistorius: a imprensa já condenou

O caso Oscar Pistorius teve mais um capítulo hoje. A promotoria pediu mais tempo para investigação e um novo julgamento foi marcado para 19 de agosto. Já falei algumas vezes aqui no blog sobre este caso e até escrevi um artigo sobre o tema. Apenas como “atualização”, vi essa matéria no portal R7: “Fotógrafo divulga imagens sensuais de modelo morta por Pistorius“. Faço novamente a pergunta que fiz nos posts e no artigo: quem disse que Pistorius matou a namorada? O tribunal nem começou o julgamento, a promotoria nem colheu todas as informações. Só quem condenou, até agora, foi a imprensa.  É preciso mais responsabilidade na hora de escrever as matérias.

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Oscar Pistorius: refém nas mãos da mídia

Primeiramente vamos observar as imagens divulgadas pelo Cape Times, maior jornal sul africano, sobre o caso Oscar Pistorius, na semana em que ocorreu o incidente envolvendo o atleta, o que ocasionou a morte de sua namorada Reeva Steenkamp.

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

 

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

 

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Coloquei essas imagens aqui para dar uma noção de como foi (e tem sido) a cobertura na África do Sul. O velocista paraolímpico, que fez história ao tornar-se o primeiro atleta portador de deficiência física a conseguir competir nos Jogos Olímpicos, em Londres, é um herói nacional da África do Sul. E, no entanto, é normal que haja, como bem comprovam as imagens, uma dúvida se Pistorius é realmente o assassino que premeditou a morte da namorada, ou o ídolo que a confundiu com um ladrão.

Na capa de 15 de fevereiro, um dia depois do episódio,o Cape Times mostra Pistorius ainda nas pistas de atletismo. Porém, logo em seguida, a imagem que começa a aparecer do atleta é sempre dele envolvido com armas (como mostra a capa de 19 de fevereiro) ou saindo tribunal, onde por uma semana, é julgado seu pedido de fiança. Os veículos da África do Sul cobrem massivamente o evento, e a maioria das imagens não têm nada a ver com o Pistorius vencedor. Pelo contrário. Em 20 de fevereiro o Cape Times condena o atleta antes mesmo do tribunal: “Como eu matei Reeva”. Assim que o pedido de fiança do atleta e a liberdade provisória são concedidos, os jornais, sem mais o que especular, voltam a ter dúvidas sobre o envolvimento do atleta em assassinato premeditado. A dúvida, num país apaixonado pelo atleta, volta a se refletir nas páginas dos jornais.

Como afirma Giuseppe Mininni (2008), “a mídia cria e destrói deuses num ritmo vertiginoso”. Foi o que fizeram com Pistorius. Antes mesmo de um julgamento na justiça (que só deve ocorrer em 4 de junho) o atleta foi condenado pela imprensa. Não é mais o espetáculo. É o hiperespetáculo. “O espetáculo era a representação do imaginário moderno. Algo designado para ser superado. O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena”.  (GUTFRIEND;DA SILVA: 2007)

A imprensa precisa fazer o que lhe é de direito: informar. Precipitar-se e condenar pessoas não é, definitivamente, seu trabalho. Tanto a imprensa brasileira (objeto de um estudo mais aprofundado que pretendo desenvolver sobre esse caso), quanto a imprensa da África do Sul, outorgaram-se o direito de fazer uma inquisição no atleta. As imagens são poderosas. Não há nada do mito Pistorius naquelas imagens de tribunal.

“As imagens possuem um peso praticamente ilimitado na sociedade moderna, principalmente as imagens fotográficas; e a razão de tal autoridade advém qualidades peculiares às imagens que obtemos através das câmaras. Essas imagens são verdadeiramente capazes de usurpar a realidade porque, antes de mais nada, uma fotografia é não só uma imagem, uma interpretação do real- mas também um vestígio, diretamente calcado sobre o real, como uma pegada  ou uma máscara fúnebre.” (SONTAG, 1981)

Não poderia deixar de finalizar com Guy Debord.  É o espetáculo provocado pela mídia. “Em toda parte onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são as que querem o espetáculo.” (2011)

KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 3. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2009a.

…………………. Os Tempos da Fotografia. 2. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2007.

………………… Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 4.ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009b.

GUTFREIND, Cristiane Freitas,DA SILVA, Juremir Machado. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. EdiPUCRS, Porto Alegre, 2007.

MINNINI, Giuseppe. Psicologia Cultural da Mídia. São Paulo, SP, A Girafa, 2008.

SONTAG, Susan. Ensaios sobre a Fotografia. 2. Ed. Rio de Janeiro: Arbor, 1981.

 

 

 

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Lance Armstrong X Oscar Pistorius

Toda foto é recebida não só pelos olhos, pela razão e pela consciência, mas também pela imaginação e pelo inconsciente. É por isso que a foto informativa (de jornal, por exemplo) é sempre interpretada; é por isso que a foto doméstica tem várias recepções; é por isso que a publicidade usa a fotografia; é por isso que a arte encontra obrigatoriamente a fotografia. (SOULAGES, 2010: 259-260)

Isso não é normal.

Photo/ Chris Collindridge

Photo/ Chris Collindridge

Isto é Pistorius:

Fonte: BBC

Fonte: BBC

Boris Kossoy afirma que os receptores já trazem em si suas próprias imagens mentais preconcebidas acerca de determinados assuntos. Estas imagens mentais funcionam como filtros: ideológicos, culturais, morais e éticos . Esses filtros, todos nós os temos, sendo que para cada receptor, individualmente, os mencionados componentes interagem entre si, atuando com maior ou menor intensidade. Para quem gosta de esporte, e mais ainda, para quem era um admirador do corredor Oscar Pistorius, essas imagens do atleta entrando no tribunal não fazem sentido. Não estão no código cultural e ético. A segunda imagem, de um Pistorius heroi, é a estabelecida.

No caso do ciclista Lance Armstrong, a imagem mais oposta ao seu passado de sete vezes campeão do Tour de France foram as imagens de sua entrevista para a apresentadora americana Oprah Winfrey. Não houve imagem de tribunais, prisões ou policiais. Já Pistorius, nessa imagem de Chris Collindridge, não tem nada de Pistorius. É um homem, normal, com as duas pernas, um capuz escondendo o rosto, SE escondendo. Não há o campeão paraolímpico ali. Não há nada de super-humano. A foto faz pensar. Pistorius acabou? Susie Linfield afirma que toda imagem de sofrimento não diz somente “isso é”, mas também implica em “isto não deve ser”, ou “isto está acontecendo” e que, irremediavelmente deve fazer pensar.

Soulages esclarece que uma foto pode ter efeitos que as palavras não terão e que poderão, frequentemente, de abalar o receptor. Lewis Hine, repórter crítico da miséria social, declarava: “Se eu pudesse contar a história com palavras, não teria por que carregar uma máquina fotográfica”. Talvez, por isso, e numa breve análise, e seguindo a linha de Linfield, obrigatoriamente nos levando a pensar e repensar o passado, a imagem de Pistorius, infelizmente, corre o risco de ficar arranhada para sempre. Há ainda uma sobrevida à Lance Armstrong.

Referências

KOSSOY, Boris. Os Tempos da Fotografia. 2. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2007.

…………………….. Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 4.ed. Cotia, SP: Ateliê.

LINFIELD, Susie. The Cruel Radiance.  University of Chicago Press , Chicago, USA,2010.

SOULAGES, François. Estética da Fotografia. São Paulo, Editora Senac, 2010.

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