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Tradução de 'The Cruel Radiance', de Susie Linfield

As fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Em The Cruel Radiance – photography and political violence (ainda sem tradução para o português), Susie Linfield, professora do departamento de jornalismo da Universidade de Nova York, examina o que as imagens fotográficas podem nos dizer sobre o sofrimento humano.

 

Quando eu estava no mestrado, a professora Simonetta pediu que eu lesse The Cruel Radiance, da Susie Linfield. É um livro em inglês, ainda sem tradução para o português. AMEI!!!! Um dos melhores livros que já li na vida e mudou muito do que eu penso sobre fotojornalismo. Pois, acabei fazendo uma resenha sobre o livro e foi publicado hoje na Alterjor, revista da USP. Aqui está o link para quem se interessar.

linfield

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The Cruel Radiance

Eu comecei a escrever sobre esse livro e não falei mais nele. Então, um breve comentário sobre The Cruel Radiance.

Nachtwey

As fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Em The Cruel Radiance – photography and political violence (ainda sem tradução para o português), Susie Linfield, professora do departamento de jornalismo da Universidade de Nova York, examina o que as imagens fotográficas podem nos dizer sobre o sofrimento humano.

“O Brilho Cruel” foi escrito em 2010 e analisa, em sua essência, fotografias políticas e de violência. Um livro de crítica e não de teoria. De crítica a uma das principais teóricas do assunto, Susan Sontag, que via nas fotografias um lamento sem pensamento. As fotografias não podem explicar as complexidades das histórias ou suas causas. As fotografias são vislumbres poderosos, sugestões poderosas. A autora pede para os telespectadores tornarem-se mais pró-ativos em vez de se lamentarem eternamente sobre todas as coisas que as fotografias não podem fazer e não nos dizem, e todos os caminhos que não podem percorrer. Cabe a nós começar uma investigação sobre essas histórias e sobre o que as imagens estão dizendo. Toda imagem de sofrimento não diz somente “isso é”, mas também implica em “isto não deve ser”, ou “isto está acontecendo” com “isto deve parar”.

Além das indicações morais para o fotógrafo, o espectador enfrenta seus próprios dilemas quando se olha para fotos de violência, dor e sofrimento. E um desses dilemas concentra-se na imprevisibilidade das reações.

Linfield afirma que fotografias de sofrimento e violência nem sempre privilegiam, nem devem, empatia e solidariedade. Algumas fotografias não estão devidamente contextualizadas politicamente. A autora fala do quão desconcertante é olhar, por exemplo, para fotografias de crianças-soldados. Vítimas de terríveis crimes, são sequestrados e espancados. Mas  também são criminosos. Foram treinados para serem assassinos, para serem sociopatas, e eles mesmos são culpados de estupro e assassinato e mutilação. Linfield conclui que ao invés de censurar a nós mesmos, devemos nos permitir experimentar as fotografias, e depois analisar o que significam essas reações. Emoção não é um ponto final, mas pode ser o ponto de partida para investigar o que significa ser uma vítima, o que significa ser derrotado, o que faz da opressão política. The Cruel Radiance é leitura obrigatória para quem quer entender o que é o poder da imagem fotográfica.

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Susie Linfield contra Roland Barthes e Susan Sontag

Eu sempre gostei de Roland Barthes e de como ele abordava a fotografia. Sempre achei aquele sentimentalismo com o punctum, a “ferida” na fotografia algo que me encantavam. A forma como a Susan Sontag também tratava esse chamativo nas imagens fotográficas me prendia. Mas, pelo pouquíssimo que li da Susie Linfield em The Cruel Radiance ( O Brilho Cruel), eu começo a entender a indignação dela com esses dois autores que eu sempre adorei.

Susan Sontag

Linfield critica essa postura do Barthes e da Sontag em ver a imagem fotográfica apenas com o sentimento e não com o intelecto. Como se a imagem fosse um ópio que não deixasse pensar no que há por trás dela. Barthes fala um pouco do “Isso foi”, mas a conversa pára por aí. E, Linfield fornece um exemplo que faz a gente pensar: por quê eu tenho que ficar transtornada com o menino-soldado de nove anos com uma arma na mão?? Esse mesmo menino também é um soldado, que mata, que é transgressor e violento. Mas mais do que isso: a fotografia está aí para nos tornar pró-ativos em vez de nos lamentarmos sobre o que a fotografia não pode fazer. E, isso, Barthes e Sontag esquecem. And, here we go, Susie!!!

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