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Política e Sociedade do Espetáculo

Semana passada aconteceu o II Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, na Cásper. Eu fiz uma análise de como o deputado federal Indio da Costa (ex-DEM/RJ) foi construído e desconstruído pela mídia no ano de 2010. Foi um estudo de como o relator do projeto Ficha Limpa saiu das páginas de política e ocupou o posto de vice-presidente na chapa do tucano José Serra nas eleições presidenciais daquele ano, culminando com uma atenção especial de toda a imprensa brasileira. Por fim, discutimos de que forma, após as eleições, o então deputado democrata foi totalmente esquecido pela mesma Sociedade do Espetáculo que o colocou no centro das atenções pelo período de um ano.
“O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo. A afirmação de Guy Debord é bastante pertinente para o caso Indio da Costa. Catapultado ao centro dos holofotes no ano de 2010, tornou-se tão conhecido como o próprio José Serra.
Indio saiu das eleições e teve somente mais dois meses de mandato legislativo. Sem o mandato legislativo, o mito não se manteve. Após um ano conturbado no DEM com escândalo do “Mensalão de Arruda”, Indio da Costa perdeu seu papel e sua influência. Mudou-se para o PSD de Kassab e desde então deixou o centro dos holofotes. “Aquilo que o espetáculo deixa de falar durante três dias é como se não existisse. Ele fala então de outra coisa,e é isso que, a partir daí, afinal, existe.” (Debord)

“Hoje em dia, o espetáculo está no poder. Não mais apenas na sociedade, tão enorme foi o avanço deste mal. Hoje, nossas conjeturas já não têm como único objeto as relações do espetáculo e da sociedade em geral, como as que tecia Guy Debord em 1967. Agora, é a superestrutura da sociedade, é o próprio Estado que se transforma em ‘empresa teatral’ em ‘Estado de Espetáculo’. De uma forma sistemática e organizada. Para melhor divertir e iludir o público de cidadãos. Para melhor distrair e desviar. E mais facilmente transformar a esfera política em cena lúdica, em teatro de ilusão.” (Schwartzenberger)
E, para finalizarmos:
Os campos de batalha modernos são mais extensos do que os campos de batalha antigos, o que obriga ao estudo de um maior campo de batalha. É preciso muito mais experiência e gênio militar para comandar um exército moderno do que era preciso para comandar um exército antigo. (Bonaparte)

 

 

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