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Brasil tem só 4 dos 3.215 cientistas cujas pesquisas têm maior impacto

Uma matéria sensacional da Folha de S. Paulo de hoje revelou que apenas quatro cientistas brasileiros possuem trabalho de grande impacto no mundo.  O que mais chama a atenção na matéria é o depoimento do físico Paulo Artaxo:

“Para ele, o ranking expõe que a produção científica no Brasil aumentou, mas a relevância não cresceu o país está entre os 15 que mais publicam artigos científicos.

“Falta financiar estudos que tenham maior impacto na ciência em nível internacional. É preciso dar ao pesquisador brasileiro as mesmas condições de trabalho que os estrangeiros têm.””

Folha de S. Paulo

Folha de S. Paulo

Talvez a matéria devesse dar mais destaque a isso. O que acontece no Brasil é que somos avaliados pelas nossas metas QUANTITATIVAS. Nosso lattes vale pelo NÚMERO de publicações que temos.  Lembro da minha indignação no IBERCOM quando alguns acadêmicos falaram que os norte-americanos eram racistas com nossos trabalhos. Não são racistas! Apenas, como levar à sério trabalhos que são produzidos exclusivamente com a finalidade de publicação e não de relevância acadêmica?

Na ocasião do IBERCOM, o professor Miguel Vicente fez a grande pergunta: “estamos em condições de importar talentos?”  Somos capazes de atrair investigadores? E, questionou se queremos mesmo estabelecer diálogo com a língua inglesa. Para o professor, é necessário que se fortaleça o inglês para competir. Mais: é necessário que se mude essa visão QUANTITATIVA e nos deixem trabalhar. Aqui no Brasil tem gente que faz doutorado trabalhando e negociando faltas com professor, porque senão não consegue pagar os estudos. Nos EUA assim que tu entras no doutorado eles te dão bolsa. Imaginem o quanto isso é incrível? Difícil imaginar, não?

Estamos, sim, muito longe de ter a qualidade dos americanos. Aliás, penso que estamos em outro planeta em relação a eles. Mas acho que existem autores relevantes aqui que não foram citados na matéria. Norval Baitello Jr, Eugênio Bucci, Boris Kossoy, Luis Felipe Miguel, Venício Lima, a própria Vera Chaia…isso que estou citando apenas os acadêmicos da minha área que fazem milagre no nosso contexto educacional. Mas para sermos respeitados, muita coisa precisa mudar. Infelizmente. E, não me parece que algo será feito tão em breve.

A Guerra Santa nas eleições municipais de 2012

Esse artigo foi muito legal de escrever. Foi ele que eu apresentei no IBERCOM, ano passado, em Santiago de Compostela. E, ele foi publicado na e-Com, revista de Belo Horizonte. Espero que gostem.

Resumo:

O presente artigo busca analisar como a religião tornou-se o centro do debate político nas eleições municipais para prefeitura de São Paulo em 2012. Antes restrita à peregrinação de candidatos, nessa disputa formou-se uma verdadeira “Guerra Santa” atrás do apoio de líderes religiosos. Buscamos entender como o tema antes restrito à esfera privada tornou-se um dos principais assuntos da mídia. Para tanto, seguiremos a partir do conceito de esfera pública proposto por Jürgen Habermas na tentativa de entender o reflexo entre o sagrado e o político na busca pelo poder. Como análise, utilizamos o caderno Eleições da Folha de São Paulo no período de 1° de setembro a 1° de novembro de 2012.

O INCENTIVO

No final de novembro acontece em Cuba o ICOM 2013. Meu trabalho (na verdade, minha dissertação) foi aprovado. Esse é o quinto Congresso Internacional nesse ano que eu não vou apresentar trabalho por não ter um orçamento para isso.

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No IBERCOM desse ano discutimos muito a qualidade dos trabalhos iberoamericanos. Alguns professores me surpreenderam, como já disse aqui, afirmando que nossos papers não são aprovados em países de língua inglesa ou francesa por PRECONCEITO.

No entanto, fiquei muito feliz em ver alguns acadêmicos que distoaram desse discurso. Novamente: concordo em gênero, número e grau com o professor Miguel Vicente, da Universidade de Valladoid, quando ele diz que para sermos aprovados em Congressos de língua inglesa ou francesa precisamos é de qualidade. Como não mencionar Manuel Castells, Muniz Sodré e outros pesquisadores que são traduzidos?

Já falei sobre isso. O que quero dizer com esse post, é que a academia brasileira precisa ser incentivada. Estamos escrevendo, estamos estudando e publicando. Mas fica difícil quando você não tem o apoio necessário para ir lá para fora defender o seu ponto do vista.  Como disse Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”. Precisamos de incentivo para escrever esses livros.

Falta criatividade

Acabei passando por cima dessa matéria. Minha ideia nesse blog não é fazer uma clipagem, mas coincidentemente, dia 10 de junho, alguns dias depois do IBERCOM, a Folha de S. Paulo publicou uma matéria com a neurocientista brasileira Suzana Herculano-Houzel. Ela foi a primeira  brasileira a ser convidada a falar no TED Global, famoso evento anual de conferências de curta duração que reúne convidados de várias áreas do conhecimento.

Suzana fala que a academia brasileira não incentiva a curiosidade e, principalmente, a diversidade de pensamento. A neurocientista fala da cultura de nos especializarmos em somente um assunto. Recorro ao Edgar Morin, quando ele diz que o pensamento é complexo e que não podemos pensar a educação sem pensarmos na transdisciplinaridade. Um dos maiores teóricos do nosso tempo está sendo esquecido.

Novamente: o professor Miguel Vicente fez a pergunta de “um milhão de dólares”, no IBERCOM: “Nós estamos em condições de importar e exportar conhecimento?”. Antes da academia falar em preconceito acadêmico, vamos olhar para o nosso umbigo.  De verdade: está na hora da academia ENTENDER o que Morin diz. A educação tradicional, de acordo com o francês, adotou um único modelo de realidade que é postulado nos livros didáticos que são perpetuados geração a geração. Os professores são formados a partir de uma simplificação de mundo onde eles acreditam que é possível simplificar a realidade para ser melhor apreendida ou transmitida a seus alunos. Não é possível ignorarmos um mundo de 140 caracteres. Como não é possível mais, em 2013, uma educação simplificadora e dogmática que  atrofia a aptidão de contextualizar os conhecimentos. Valoriza muito mais a separação que a associação de ideias num todo significativo.Excelente matéria da Folha.