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Dilma bolada ou Dilma Rousseff na Universidade Rio Branco

A convite da minha amiga doutora Mara Rovida, quinta-feira (8 de outubro) darei uma aula na Universidade Rio Branco sobre meu trabalho  Dilma Bolada ou Dilma Rousseff: quem é a diva da Nação?

Meu trabalho sobre o perfil Dilma Bolada começou bem despretensiosamente, mais por diversão. Mas ao longo das minhas observações pude perceber como a personagem agregou valores que a presidente Dilma não tinha. Por exemplo: a personagem sempre exalta uma feminilidade que a própria Dilma não possui, mas que com a repetição, acaba “invadindo” o próprio perfil da presidente. Dilma também é intitulada “mãe” e “rainha da Nação”, como provo ao longo do trabalho, de uma forma muitas vezes humorada, sendo produto de uma repetição do perfil Dilma Bolada.

Como afirma Douglas Kellner, num mundo de negócios competitivos, o “fator diversão” pode servir de ponte entre os negócios. Por essa razão, as corporações procuram se mostrar de forma mais divertida em seus anúncios, nos ambientes empresariais e comerciais e em seus websites .”

Tanto Dilma bolada quanto Rousseff parecem adecuar-se perfeitamente no conceito de sujeito pós-moderno (contemporâneo), que  é aquele que não possui apenas uma identidade, ele “assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um ‘eu’ coerente”.

Enfim, meu trabalho está online, e apenas concluo nas palavras de Wolfgang Haug: a aparência descobre alguém, lê os desejos em seus olhos e mostra-os na superfície da mercadoria.

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Um pouco de política

Lendo a página 10 da ZH, vi as “promessas absurdas” e deslizes dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre. Em menor ou maior grau, tive a oportunidade de conviver um pouco com cada um, de alguma forma. O Jocelin Azambuja (PSL) é uma pessoa muito agradável e um amigo dos tempos de DEM. Mas, como a própria Rosane de Oliveira falou, é fácil dizer que vai “federalizar os professores e pagar os mesmos salários em todos os níveis” quando se tem 1% das intenções de voto. Vale lembrar que em 2002 Rigotto foi uma das maiores surpresas da eleição. O PT havia consolidado sua hegemonia em terras gaúchas, ocupando o governo estadual pela primeira vez e a prefeitura de Porto Alegre pela quarta, a partir do pleito de 2000. Lula caminhava para a vitória na eleição presidencial, o que poderia inflar os votos do candidato a governador Tarso Genro. Rigotto tinha começado a campanha com cerca de 2% das intenções de voto e, às vésperas do 1º turno, ainda estava em terceiro lugar. Venceu. Portanto, promessas infundadas não são, ou não deveriam ser a melhor opção.

Ainda de acordo com a coluna da Rosane, a Manuela disse que estudou em Harvard. Esqueceu de especificar que foi um seminário que ela assistiu. A Manuela merece um artigo. Atuante (e eficaz) nas mídias sociais, um produto que dá certo, abusa da força que a  juventude lhe dá e sabe que tem essa força. “A aparência na qual caímos é como um espelho, onde o desejo se vê e se reconhece como objetivo”. (HAUG, Wolfgang F.) Manuela é a personificação da juventude, da gênese sociológica do rejuvenescimento obrigatório ao qual Haug há muito prenunciou. Capaz de ter o apoio da poderosa senadora do PP, Ana Amélia Lemos, quando seu partido definiu que seu candidato seria outro. Mais recentemente, o cortejo de Ciro Gomes (PSB).”Ela é o fetiche dos jornais ilustrados e de seu público; os mais velhos a cortejam, e novas formas de rejuvenescimento ambicionam conservá-la”. No sentido Guy Debord da palavra: a Manuela é um espetáculo.

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