Arquivos da Tag: Gilles Lipovetsky

As vaias para a presidente Dilma

Não tem como não falar na Copa do Mundo. As vaias direcionadas à presidente Dilma Rousseff foram um dos destaques do primeiro dia de evento.  O professor Juremir Machado da Silva postou no twitter um comentário no facebook (eu não tenho facebook. Tive acesso pelo twitter,mesmo).

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Um pouco estranho aquela vaia. Pessoas que pagaram caro pelos ingressos, de repente resolvem manifestar-se numa vaia direcionada à presidente do país, num evento transmitido para o mundo todo. Gritam “eu sou brasileiro”, choram quando toca o hino e depois mandam a governante “tomar no c”. Inacreditável! Civilidade e bom senso zero.

Gilles Lipovetsky afirma que a o narcisismo enfraquece a capacidade de lidar com a vida social, torna impossível toda distância entre o que se sente e o que se exprime. É aí que se encontra a armadilha, pois quanto mais os indivíduos se libertam das regras e dos costumes em busca de uma verdade pessoal, mais seus relacionamentos se tornam fratricidas e associais. Sempre exigindo mais imediatismo e mais proximidade, esmagando o outro sob o peso das confissões pessoais, deixamos de respeitar a distância necessária para manter o respeito pela vida particular dos demais: o intimismo é tirânico e incivilizado. A civilidade é a atividade que protege o eu dos outros e nos permite o prazer a companhia das demais pessoas.

O Brasil esqueceu da civilidade.

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O 'novo' Iphone

Filas que duram dias para a compra de um novo aparelho celular.  Dois milhões de encomendas na atualização de um aparelho. Observação: não é uma novidade completa, como a primeira venda de um tablet, algo que até então o mercado não conhecia. Mas uma atualização de um sistema que já existe. O consumo é tão exagerado (e impressionante) que o novo Iphone pode acrescentar entre 0,25 e 0,50 ponto percentual no crescimento do PIB dos Estados Unidos. Calculado utilizando o chamado método de controle de varejo, as vendas do iPhone podem impulsionar o crescimento anualizado do PIB em 3,2 bilhões de dólares, ou 12,8 bilhões de dólares a uma taxa anual.

Christopher Lasch lembra bem que as mercadorias são produzidas para o consumo imediato. O seu valor não assenta em sua utilidade ou permanência,mas em sua negociabilidadade. Jean Baudrillard fala de uma crença exacerbada na publicidade e não no produto. Publicidade com discurso ideológico e conotativo. Ideológico porque não se assume como tal, conotativo porque é a publicidade do espetáculo, da sedução e da sugestão. Que só fortalece o eu narcisista de Lasch.  Gilles Lipovetsky menciona a sociedade do hiperconsumo. Nessa linha, Juremir Machado da Silva fala do hiperespetáculo: “O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena.”

Lasch chama a atenção para uma crescente dependência frente à tecnologia, que deu origem à impotência e vitimzação. O eu mínimo ou narcisista é, antes de tudo, um eu inseguro de seus próprios limites, que ora almeja reconstruir o mundo à sua própria imagem, ora anseia fundir-se em seu ambiente numa extasiada união. Por que precisaríamos de um novo Iphone? O “antigo” não funciona mais? Não. O objeto perdeu sua função primeira. O espaço de relações em que os objetos ultrapassam sua função, ou seja, deixam de ser objetos-função e alcançam uma nova ordem prática de organização.  Não é mais o aparelho por si só. É seu status, o que ele representa e o que eles diz que representa. Mas, ficar na fila por dias em função desse desejo ‘vazio’ é algo que nem Baudrillard esperava ver.

Obs.: sou muito mais o Galaxy SIII.

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Lipovetsky em SP

Estamos vivendo a era hipermoderna do luxo”, diz Gilles Lipovetsky em conferência em São Paulo.

Segue um trecho:

‘O filósofo declara que estamos passando por uma nova era do luxo, a “hipermoderna”. “Estamos vivendo a radicalizaçãp do que foi criado no luxo moderno, época anterior a esta”, diz Lipovetsky. A primeira de suas conclusões (ao todo são seis) é a “Pluralidade”, que defende a ideia de não ter apenas um item poderoso, e sim muitos deles. “Antes ser luxuoso tratava-se de consumir produtos altamente caros. Hoje você pode ir até uma loja de fast fashion e encontrar linhas assinadadas por grandes estilistas. Chamo esta segunda parte de ‘luxo incorporado’”, afirma.’

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Lipovetsky na USP

Meu colega do grupo de pesquisa Sociedade do Espetáculo, Gilberto Silva, deu um recado incrível que eu publico aqui:

O Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP promove a palestra La Société Hypermoderne, com o professor Gilles Lipovetsky. O evento acontece no dia 17, às 14h30, no Teatro Laboratório da unidade.
Os ingressos serão distribuídos com uma hora de antecedência. Cada pessoa poderá retirar apenas um ingresso. Haverá tradução simultânea.A ECA fica na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443, Cidade Universitária, São Paulo

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