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4º Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo

A Faculdade Cásper Líbero convida a todos para a 4ª edição do Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo. Organizada pelo Grupo de Pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo, nesta edição o seminário apresentará pesquisas a respeito da política na sociedade do espetáculo e seus vínculos com a comunicação.

O foco principal do seminário, em 2016, é uma tentativa de compreensão do processo de espetacularização do ódio e de judicialização da política, que caracteriza a sociedade brasileira contemporânea, e de como a atuação das diferentes mídias contribui para este processo. Visando esta compreensão, serão analisados produtos midiáticos específicos, movimentos políticos, campanhas eleitorais, entre outros.

O evento contará com a presença, além de participantes vinculados à Cásper Líbero, de docentes e pesquisadores vinculados ao NEAMP – Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC de São Paulo.

Mais informações AQUI

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Debord e o hiperespetáculo

Apesar dos autores de minha tese morarem muito distante do condado maravilhoso onde habita Debord (acredito que minha tese reside em Mordor), de umas semanas para cá, tenho me deparado com frequência com escritas debordianas. E, some-se a isso as aulas do professor Juremir Machado da Silva, resolvi reler Guy Debord: antes e depois do espetáculo, organizado pelo próprio Juremir e pela professora Cristiane Freitas Gutfreind.

Tinha esquecido da frase impactante (como não poderia deixar de ser) do professor:  “Guy Debord é o homem do século. Passado”. (p. 37). Numa primeira impressão, para uma apaixonada por Debord como eu, essa frase quase mata. Mas aí o texto desenrola com, me desculpem a empolgação, a maestria que só o professor Juremir tem:  não  vivemos mais na era do espetáculo, mas do hiperespetáculo. O espetáculo era marcado por uma contemplação passiva por parte do indivíduo, do espectador, com relação às imagens midiáticas. Essa contemplação teria como objeto um outro distante, idealizado, “superior” – inalcançável. Seria, portanto, um estágio de manipulação, de “servidão voluntária”. Já no hiperespetáculo, segundo o autor, a contemplação continua. Mas é, agora, uma contemplação de si mesmo em um outro, em princípio, plenamente alcançável, semelhante ou igual ao contemplador.

Entendo que, para os autores do livro, o espetáculo é o mundo transformado em economia. Dessa premissa, Tonin (2007), também compartilha.

 

Na sociedade do espetáculo, o sujeito trabalha para ser merecedor de férias, de poder, de consumo. São instâncias apresentadas como subprodutos, finalidades do próprio trabalho, instâncias consumíveis, amplamente vendidas como de possível acesso por todos. E, o que é mais radical, como se o indivíduo fosse capaz de encontrar a felicidade nelas. Para Debord, nada escapa à lógica espetacular do consumo. O espetáculo é o supermercado onde se compram rotinas, valores, lugares, prazeres que perambulam entre produtos multifacetados. (TONIN, 2007, p.51).

Juremir afirma que “[…] em que todos devem ter direito ao sucesso, os famosos simulam uma superioridade fictícia. São tanto mais adorados quanto menos se diferenciam realmente de seus fãs” (SILVA, 2007, p.31).

Ainda segundo este autor (2007, p.31), se o hiperespetáculo não é a eliminação do espetáculo, mas sua aceleração “[…] plasmada no bandido que sorri para a câmera antes de atirar, ou no aumento dos rendimentos da Ciccareli depois de ser filmada, puxando o biquíni para receber, em uma praia espanhola, ‘o doce veneno do escorpião’”, o que dizer da recente aparição de Lady Gaga na cerimônia do Video Music Awards (VMA) usando um vestido feito de carne, cuja estética já virou tendência em Nova York? Trata-se de uma imagem que procura satisfazer quais necessidades humanas?

Em tempos de pós-modernidade ou sociedade “medíocre”, em que o espetáculo, segundo Chaui, converte-se em simulacro e o simulacro se põe como entretenimento; os velhos e novos “trajes”, o sofrimento dos humanos e dos animais, as catástrofes naturais, a política, as festas, guerras, cerimônias religiosas, tudo se converte, por intermédio das velhas e novas mídias em (hiper)espetáculo, em entretenimento e “deserção do real”.

Referências

SILVA, Andréa Tubero.Resenha da obra: GUTFREIND, Cristiane Freitas; SILVA, Juremir Machado da. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. 172 p.

TONIN, J. A imagem em Guy Debord. In: GUTFREIND, C. F.; SILVA, J. M. da. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.46-60.

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Intelectuais e imprensa em momentos de radicalização política 1964/2015

A Vivian e eu apresentamos ontem, na cásper, no III Seminário Cultura e Política na Sociedade do Espetáculo, nosso trabalho sobre momentos de radicalização política. Pesquisamos muito, conversamos com diversos escritores (Carlos Heitor Cony, Ferreira Gullar, Frei Betto, Alberto Dines e Juremir Machado), viajamos, cansamos, mas valeu a pena. O primeiro passo foi dado.

cultura

Acho que conseguimos passar um pouco da nossa experiência com esses mestres. Todos: Cony, Gullar, Frei Betto e Dines, afirmam que a imprensa era melhor em 1964. Exceto o Juremir machado, que diz que hoje ela está menos verborrágica, mais enquadrada, apesar de continuar com o “viés golpista”.

Juremir nos disse que em 64 a imprensa falava muito e dizia pouco e que hoje está mais objetiva e direta, apesar de ainda muito presenteísta.

Nenhum deles acredita num golpe para depor a presidente. Acham que o Brasil já teve essa experiência, ela não foi boa, e a presidente, além de tudo, foi reeleita democraticamente.

Sobre apoio a ditadura: Dines afirmou que nenhum deles sabia o que viria a seguir da queda de Jango, e que depois que perceberam onde estavam, resolveram reagir. Juremir disse que sabiam, sim, tanto que o jornal Última Hora desde o princípio foi contra o golpe.

Bom, esse é apenas um resumo. Em breve o texto completo estará disponível.

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Dilma bolada ou Dilma Rousseff na Universidade Rio Branco

A convite da minha amiga doutora Mara Rovida, quinta-feira (8 de outubro) darei uma aula na Universidade Rio Branco sobre meu trabalho  Dilma Bolada ou Dilma Rousseff: quem é a diva da Nação?

Meu trabalho sobre o perfil Dilma Bolada começou bem despretensiosamente, mais por diversão. Mas ao longo das minhas observações pude perceber como a personagem agregou valores que a presidente Dilma não tinha. Por exemplo: a personagem sempre exalta uma feminilidade que a própria Dilma não possui, mas que com a repetição, acaba “invadindo” o próprio perfil da presidente. Dilma também é intitulada “mãe” e “rainha da Nação”, como provo ao longo do trabalho, de uma forma muitas vezes humorada, sendo produto de uma repetição do perfil Dilma Bolada.

Como afirma Douglas Kellner, num mundo de negócios competitivos, o “fator diversão” pode servir de ponte entre os negócios. Por essa razão, as corporações procuram se mostrar de forma mais divertida em seus anúncios, nos ambientes empresariais e comerciais e em seus websites .”

Tanto Dilma bolada quanto Rousseff parecem adecuar-se perfeitamente no conceito de sujeito pós-moderno (contemporâneo), que  é aquele que não possui apenas uma identidade, ele “assume identidades diferentes em diferentes momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um ‘eu’ coerente”.

Enfim, meu trabalho está online, e apenas concluo nas palavras de Wolfgang Haug: a aparência descobre alguém, lê os desejos em seus olhos e mostra-os na superfície da mercadoria.

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Dois livros saindo do forno

Hoje tive a grata surpresa de receber dois livros com artigos meus.

Um é Mídia: espetáculo e poder simbólico, organizado pelos meus queridos mestres Cláudio Novaes Pinto Coelho e Luís Mauro Sá Martino, editora In House. Nesse livro publiquei uma análise sobre o ex-candidato à vice-presidência da República Indio da Costa (hoje PSD, na época DEM). O nome do trabalho: “O caso Indio da Costa: vida e morte na sociedade do espetáculo”.

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O outro livro é Comunicação, Entretenimento e Imagem, organizado pela minha orientadora de mestrado Simonetta Persichetti e pelo professor Dimas Künsch. A editora é a Plêiade. Nesse foi publicado um resumo da minha dissertação: A imagem contemporânea e a construção do personagem político nas eleições municipais de 2012.

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O caso Oscar Pistorius

No ano passado escrevi um artigo comparando os casos Lance Armstrong e Oscar Pistorius. Minha comparação se deu em como a mídia tratou os dois escândalos do esporte e em como a Folha de S. Paulo condenou Pistorius antes mesmo do tribunal, que só deu seu veredicto hoje, O INOCENTANDO das acusações de homicídio doloso e de assassinato premeditado, que poderiam render a pena de prisão perpétua.

Está na hora de pararmos e refletirmos criticamente sobre o quê a imprensa nos oferece. Casos de condenação antecipada são comuns: também escrevi um artigo sobre o caso Demóstenes em que a imprensa condena já na primeira semana de investigação da Polícia Federal. Minnini já dizia: “A mídia cria e destrói deuses num ritmo vertiginoso.”  Utilizando-se de uma estratégia midiática, jogando-se uma notícia de forma sensacionalista, alimentada durante o período seguinte com novos pequenos fatos que não dizem nada, mas tornam-se um show à parte; são escolhidos personagens e conferidos a eles credibilidade. Cada nova frase, cada nova imagem de oráculos, e cada frase de um deles é apresentada como prova da venalidade alheia. “

 

Em toda parte onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são as que querem o espetáculo.” (DEBORD)

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O novo romance de Kundera: pós-modernidade, espetáculo e insignificância

Reprodução da Folha de S. Paulo

O que une o umbigo feminino, uma exposição de Chagall, o câncer, Stálin, Paris e a União Soviética?

Desse aparente “samba do crioulo doido”, o escritor tcheco naturalizado francês Milan Kundera, 85, tira um retrato irônico e desiludido do mundo contemporâneo em seu livro mais recente.

“A Festa da Insignificância” chega agora ao Brasil pela Companhia das Letras, em edição de luxo. A primeira tiragen terá 10 mil exemplares (a média nacional de lançamentos fica entre 2.000 e 5.000 livros) em capa dura.

O livro narra a vida, um tanto quanto insólita, de cinco amigos na Paris de hoje, enredados na banalidade cotidiana e num mundanismo desprovido de sentido.

Primeiro romance inédito de Kundera em 14 anos, o livro vem despertando grande expectativa. Na Itália e na França, chegou ao topo das listas dos mais vendidos (mais de 200 mil exemplares nos dois países) e recebeu elogios da crítica.

Kundera, que vive de maneira reclusa, evita exposição na mídia e há mais de uma década não dá entrevistas, mesmo assim é best-seller em vários países.

Sua popularidade começou nos anos 1980, com a publicação de “A Insustentável Leveza do Ser”.

A ciranda amorosa na Praga dos anos 1960, permeada pelo autoritarismo comunista e por conceitos filosóficos complexos (o eterno retorno de Nietzsche) tornou-se um inesperado sucesso popular. Inspirou um filme homônimo indicado a dois Oscar.

Lançado no Brasil em 1984 pela editora Nova Fronteira, permaneceu por meses no primeiro lugar das listas dos mais vendidos.

“A Insustentável” tornou-se o modelo mais conhecido do estilo Kundera, que ele próprio já definiu como “contraponto novelístico”: múltiplos personagens; união de filosofia, ficção e sonho; divisão dos enredos em sete partes; críticas ao comunismo e olhar jocoso.

“A combinação da forma frívola e um assunto sério desmascara imediatamente a verdade acerca dos nossos dramas e sua terrível insignificância”, disse o autor em 1983 à revista “Paris Review”.

Exemplo disso está na abertura do trama. Alain, um dos protagonistas, vaga pelas ruas de Paris observando as moças de umbigo de fora. Ele acredita que a moda inaugurou um novo milênio, marcado pela repetição e pelo fim da individualidade, no qual a sedução feminina se concentra no umbigo.

Ao contrário das coxas, dos seios e da bunda, todos os umbigos são parecidos, diz Alain. A insignificância é a essência da nossa existência, define outro personagem, Ramon.

A crise da cultura ocidental é assunto frequente em Kundera. Em entrevista ao jornal espanhol “El País” reproduzida na Folha em março de 1986, criticou a ânsia pela novidade e a rapidez.

“Ao concentrar-se na atualidade, cria-se um sistema de esquecimento no qual a continuidade cultural se transforma numa série de acontecimentos efêmeros, e a obra de arte se converte num gesto sem futuro.”

O tema aparece em obras recentes de relevo (veja ao lado) e é retomado pelo poeta Affonso Romano de Sant’Anna em um ensaio inédito, “As Insignificâncias na Arte Contemporânea”.

“A sociedade chamada de ‘pós-moderna’ cultua o espetáculo, a superficialidade, a cópia, o descartável, a falência do indivíduo. Essa arte gerenciada pelo mercado produz ‘insignificâncias’ que enchem bienais”, diz o poeta.

GENTIL, MAS RIGOROSO

Kundera nasceu na República Tcheca (então Tchecoslováquia) em 1929. Perseguido pelo regime comunista implantado no país após a Segunda Guerra, mudou-se para a França em 1975, onde vive até hoje. Escreve em francês desde 1995.

No Brasil, todos os livros de Kundera foram traduzidos por Teresa Bulhões Carvalho Pinto, que tornou-se íntima do autor. “Ele é muito gentil e engraçado no trato pessoal, mas rigorosíssimo, exige total fidelidade. Quando eu digo que determinada construção não é comum em português, ele responde: ‘não tem problema, gosto do insólito’.”

A professora e escritora tcheca Markéta Pilátová, atualmente no Mato Grosso do Sul para um projeto de difusão da cultura de seu país, conta que Kundera sempre defendeu um modelo de narrativa claro e direto.

“Acho que essa é a causa de seu grande sucesso em vários países. Kundera trata temas filosóficos complexos com uma prosa simples, elegante, sem empolação. É muito sofisticado, mas não hermético.”

 

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Oscar Pistorius: refém nas mãos da mídia

Primeiramente vamos observar as imagens divulgadas pelo Cape Times, maior jornal sul africano, sobre o caso Oscar Pistorius, na semana em que ocorreu o incidente envolvendo o atleta, o que ocasionou a morte de sua namorada Reeva Steenkamp.

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

 

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

 

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Coloquei essas imagens aqui para dar uma noção de como foi (e tem sido) a cobertura na África do Sul. O velocista paraolímpico, que fez história ao tornar-se o primeiro atleta portador de deficiência física a conseguir competir nos Jogos Olímpicos, em Londres, é um herói nacional da África do Sul. E, no entanto, é normal que haja, como bem comprovam as imagens, uma dúvida se Pistorius é realmente o assassino que premeditou a morte da namorada, ou o ídolo que a confundiu com um ladrão.

Na capa de 15 de fevereiro, um dia depois do episódio,o Cape Times mostra Pistorius ainda nas pistas de atletismo. Porém, logo em seguida, a imagem que começa a aparecer do atleta é sempre dele envolvido com armas (como mostra a capa de 19 de fevereiro) ou saindo tribunal, onde por uma semana, é julgado seu pedido de fiança. Os veículos da África do Sul cobrem massivamente o evento, e a maioria das imagens não têm nada a ver com o Pistorius vencedor. Pelo contrário. Em 20 de fevereiro o Cape Times condena o atleta antes mesmo do tribunal: “Como eu matei Reeva”. Assim que o pedido de fiança do atleta e a liberdade provisória são concedidos, os jornais, sem mais o que especular, voltam a ter dúvidas sobre o envolvimento do atleta em assassinato premeditado. A dúvida, num país apaixonado pelo atleta, volta a se refletir nas páginas dos jornais.

Como afirma Giuseppe Mininni (2008), “a mídia cria e destrói deuses num ritmo vertiginoso”. Foi o que fizeram com Pistorius. Antes mesmo de um julgamento na justiça (que só deve ocorrer em 4 de junho) o atleta foi condenado pela imprensa. Não é mais o espetáculo. É o hiperespetáculo. “O espetáculo era a representação do imaginário moderno. Algo designado para ser superado. O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena”.  (GUTFRIEND;DA SILVA: 2007)

A imprensa precisa fazer o que lhe é de direito: informar. Precipitar-se e condenar pessoas não é, definitivamente, seu trabalho. Tanto a imprensa brasileira (objeto de um estudo mais aprofundado que pretendo desenvolver sobre esse caso), quanto a imprensa da África do Sul, outorgaram-se o direito de fazer uma inquisição no atleta. As imagens são poderosas. Não há nada do mito Pistorius naquelas imagens de tribunal.

“As imagens possuem um peso praticamente ilimitado na sociedade moderna, principalmente as imagens fotográficas; e a razão de tal autoridade advém qualidades peculiares às imagens que obtemos através das câmaras. Essas imagens são verdadeiramente capazes de usurpar a realidade porque, antes de mais nada, uma fotografia é não só uma imagem, uma interpretação do real- mas também um vestígio, diretamente calcado sobre o real, como uma pegada  ou uma máscara fúnebre.” (SONTAG, 1981)

Não poderia deixar de finalizar com Guy Debord.  É o espetáculo provocado pela mídia. “Em toda parte onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são as que querem o espetáculo.” (2011)

KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 3. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2009a.

…………………. Os Tempos da Fotografia. 2. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2007.

………………… Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 4.ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009b.

GUTFREIND, Cristiane Freitas,DA SILVA, Juremir Machado. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. EdiPUCRS, Porto Alegre, 2007.

MINNINI, Giuseppe. Psicologia Cultural da Mídia. São Paulo, SP, A Girafa, 2008.

SONTAG, Susan. Ensaios sobre a Fotografia. 2. Ed. Rio de Janeiro: Arbor, 1981.

 

 

 

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Um pouco de política

Lendo a página 10 da ZH, vi as “promessas absurdas” e deslizes dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre. Em menor ou maior grau, tive a oportunidade de conviver um pouco com cada um, de alguma forma. O Jocelin Azambuja (PSL) é uma pessoa muito agradável e um amigo dos tempos de DEM. Mas, como a própria Rosane de Oliveira falou, é fácil dizer que vai “federalizar os professores e pagar os mesmos salários em todos os níveis” quando se tem 1% das intenções de voto. Vale lembrar que em 2002 Rigotto foi uma das maiores surpresas da eleição. O PT havia consolidado sua hegemonia em terras gaúchas, ocupando o governo estadual pela primeira vez e a prefeitura de Porto Alegre pela quarta, a partir do pleito de 2000. Lula caminhava para a vitória na eleição presidencial, o que poderia inflar os votos do candidato a governador Tarso Genro. Rigotto tinha começado a campanha com cerca de 2% das intenções de voto e, às vésperas do 1º turno, ainda estava em terceiro lugar. Venceu. Portanto, promessas infundadas não são, ou não deveriam ser a melhor opção.

Ainda de acordo com a coluna da Rosane, a Manuela disse que estudou em Harvard. Esqueceu de especificar que foi um seminário que ela assistiu. A Manuela merece um artigo. Atuante (e eficaz) nas mídias sociais, um produto que dá certo, abusa da força que a  juventude lhe dá e sabe que tem essa força. “A aparência na qual caímos é como um espelho, onde o desejo se vê e se reconhece como objetivo”. (HAUG, Wolfgang F.) Manuela é a personificação da juventude, da gênese sociológica do rejuvenescimento obrigatório ao qual Haug há muito prenunciou. Capaz de ter o apoio da poderosa senadora do PP, Ana Amélia Lemos, quando seu partido definiu que seu candidato seria outro. Mais recentemente, o cortejo de Ciro Gomes (PSB).”Ela é o fetiche dos jornais ilustrados e de seu público; os mais velhos a cortejam, e novas formas de rejuvenescimento ambicionam conservá-la”. No sentido Guy Debord da palavra: a Manuela é um espetáculo.

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A musa da CPI: depois da teoria, o espetáculo

A exemplo de outras ocasiões, já nos acostumamos a ver musas em meio a crises políticas. O filósofo francês Gilles Lipovetsky diz que a “política não se mantém afastada da sedução”. Em 1992, Thereza Collor chamou a atenção da mídia com um tailleur vermelho quadriculado quando seu marido, Pedro Collor convocou uma coletiva de imprensa para comprovar sua sanidade mental e sustentar denúncias de corrupção contra seu irmão, o então presidente da República, Fernando Collor. Thereza virou
musa.

Em 2007,a jornalista Mônica Veloso foi a pivô do escândalo que derrubou o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Congresso Nacional. A jornalista virou a musa do episódio que ficou conhecido como “Renangate”. Meses depois fez um ensaio para uma revista masculina.

Em fevereiro desse ano, o Ministério Público Federal de Goiás e a Polícia Federal deflagraram a Operação Monte Carlo em que foi realizada a prisão do bicheiro Carlos Cachoeira. Seu envolvimento com agentes públicos e privados originou uma Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar as ilicitudes envolvendo seu nome.

Num movimento cíclico no país, o grande destaque na mídia é a esposa do bicheiro, a empresária Andressa Mendonça. Alguns se quer mencionam seu nome. É conhecida apenas como “a musa da CPI”. Como nos explica o britânico Terry Eagleton, estruturalismo, marxismo e pós-estruturalismo não são mais os assuntos excitantes de antes.

Hoje, há a perda da capacidade de construir as próprias representações da realidade, o que ocasiona uma dependência dos meios de comunicação de massa para a construção do cotidiano. São os meios de comunicação que dizem quem é o mundo e quem é quem. Ao lado da acumulação de capital, a sociedade acumula espetáculos e sobrepõe o “ter” ao “ser”. Dessa forma, o conceito de alienação de Marx passa a ter uma segunda dimensão, não somente de forma material. A alienação passa a ser a perda do controle sobre a própria imagem. Wolfgang Haug, baseado em Marx, decreta que o que impera na sociedade capitalista de hoje é a “tecnocracia da sensualidade”, definida como o “domínio sobre as pessoas exercido em virtude de sua fascinação pelas aparências artificiais tecnicamente produzidas”. Lipovetsky nos ensina: “dessa sociedade doente de desemprego e desorientada diante da ruína dos projetos políticos estruturantes só pode advir o ceticismo, o distanciamento dos cidadãos em relação à coisa pública, a
decadência da militância partidária.”

É nesse contexto que surgem as musas. Numa política desacreditada com um quê de Novela da Globo, com o galã e a mocinha. Danem-se as teorias, o estruturalismo e a economia. Olá, espetáculo! Aguardemos o próximo escândalo e a próxima musa.

*Esse texto foi escrito em junho, quando Denise Rocha era somente um suposto affair de Romário.  O texto original é um artigo de 20 páginas.

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