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Aniversário de Habermas resgata sua importância para diversos campos do conhecimento

Com 87 anos a serem completados no dia 18 de junho, o nome de Jürgen Habermas ocupa lugar de destaque entre os grandes pensadores contemporâneos. Seus conceitos de esfera pública e ação comunicativa alicerçam os diagnósticos críticos da sociedade atual; sua obra científica é parte do cânone de, ao menos, duas áreas do conhecimento: a filosofia e as ciências sociais; suas intervenções como intelectual público pautam as principais questões políticas tanto alemãs quanto europeias há 50 anos. Enfim, é um autor fundamental para a compreensão da vida pública nas sociedades democráticas, para o reconhecimento de seus potenciais de emancipação e dos obstáculos à sua consolidação.

 

A PLURICOM, da minha querida colega doutora Kátia Saisi fez uma recapitulação (e uma homenagem) das obras de Habermas.

 

Autor: Jürgen Habermas | 344 páginas | R$ 74,00
Jürgen Habermas discorre, nesta obra escrita nos anos 1990, sobre a produção de oito teóricos que o influenciaram de alguma maneira: Charles S. Peirce,Edmund Husserl, Martin Heidegger, Ludwig Wittgenstein, Max Horkheimer, Georg Simmel, Alexander Mitscherlich e Alfred Schmidt. Em especial, o autor procura tecer os vínculos da produção desses pensadores com os seus contextos históricos. O que o filósofo alemão discute é o quanto um determinado conteúdo argumentativo é capaz de transcender o tempo no qual surgiu e, portanto, aspirar à universalidade. Habermas convida o leitor a questionar se todos os pensadores ficam marcados pelos seus respectivos contextos históricos e a refletir sobre o que significa ser marcado de forma especial. Além dos ensaios sobre os oito teóricos, a obra apresenta dois outros artigos, que, nas palavras de Habermas, “tematizam os próprios contextos”: “A sociologia na República de Weimar” e “Sobre o desenvolvimento das ciências sociais e das ciências humanas na República Federal da Alemanha”.

A nova obscuridade

Autor: Jürgen Habermas | 392 páginas | R$ 70,00
Um dos principais eixos temáticos desta coletânea diz respeito ao neoconservadorismo. O assunto abre e perpassa todos os textos aqui reunidos, que remetem ainda a diferentes aspectos da defesa de Habermas da continuidade do projeto de modernidade. Sem abandonar a dimensão teórica, o filósofo, conhecido por seu engajamento político, coloca-se como “contemporâneo político” e assume posições sobre questões públicas candentes ainda hoje – escrita em 1985, a obra reflete sobre problemas e tensões de uma década crucial para a sobrevivência e maturação do projeto democrático não apenas na Alemanha.

Técnica e ciência como “ideologia”

Autor: Jürgen Habermas | 208 páginas | R$ 44,00
Jürgen Habermas discute a tese de Herbert Marcuse sobre a instrumentalização da técnica. Ao mesmo tempo, aponta já para futuros desenvolvimentos no seu pensamento, sobretudo em torno do agir comunicativo.

Na esteira da tecnocracia
Autor: Jürgen Habermas | 264 páginas | R$ 58,00
Os 14 ensaios que constituem esta obra, a 12ª da série Pequenos escritos políticos, contribuem para o reconhecimento de Jürgen Habermas como intelectual público no Brasil. No país, a maior parte de suas análises da conjuntura social e política e avaliações sobre o estado da democracia na Europa ou no mundo permanecem praticamente desconhecidas do público, principalmente por estarem disponíveis apenas em alemão.

Conhecimento e interesse

Autor: Jürgen Habermas | 528 páginas | R$ 80,00
Esta obra, a mais filosófica e importante de Jürgen Habermas do ponto de vista da epistemologia, discute o entrelaçamento entre razão prática e razão pura e mostra a importância das definições do conhecimento, levantando questões sobre os fatores que o definem.

Mudança estrutural da esfera pública

Autor: Jürgen Habermas | 568 páginas | R$ 88,00
Jürgen Habermas examina neste livro o “complexo” que segundo ele descansa sob a expressão “esfera pública”. Para ele, pode-se esperar, ao compreender tal conceito e submetê-lo a esclarecimento sociológico, apreender de modo sistemático a própria sociedade. “A esfera pública”, diz o filósofo, “continua a ser um princípio organizador de nossa ordem política”.

Teoria e práxis

Autor: Jürgen Habermas | 728 páginas | R$ 98,00
As investigações reunidas neste volume, orientadas predominantemente de um ponto de vista histórico, destinam-se a desenvolver uma teoria crítica da sociedade projetada com um propósito prático e a delimitar seu status diante de teorias de outra proveniência.

Fé e saber

Autor: Jürgen Habermas | 88 páginas | R$ 19,00
Segundo volume da Coleção Habermas, este texto reproduz um discurso do filósofo proferido aproximadamente um mês depois do 11 de setembro de 2001. Embora circunstancial, é de grande importância no conjunto da obra do filósofo que, ao retomar o clássico tema fé e saber, adota uma nova expressão – “pós-secular” – imprimindo mudanças em sua teoria da modernidade, presente em suas obras posteriores.

Sobre a constituição da Europa

Autor: Jürgen Habermas | 192 páginas | R$ 40,00
A explosão das ilusões neoliberais promoveu a concepção de que os mercados financeiros, principalmente os sistemas funcionais que perpassam as fronteiras nacionais, criam situações problemáticas na sociedade mundial que os Estados individuais – ou as coalizões de Estados – não conseguem mais dominar. A política como tal, a política no singular, é desafiada em certa medida por tal necessidade de regulamentação: a comunidade internacional dos Estados tem de progredir para uma comunidade cosmopolita de Estados e dos cidadãos do mundo, levando adiante a juridificação democrática do poder político.

Filosofia, racionalidade, democracia: Os debates Rorty & Habermas

Organizador: José Crisostomo de Souza | 270 páginas | R$ 52,00
Rorty e Habermas estão entre os mais importantes intelectuais e filósofos e são, provavelmente, aqueles que têm maior público, dentro e fora das universidades. Entrevistas e artigos seus aparecem em jornais e revistas de grande circulação, e seus livros são traduzidos e publicados pelo mundo afora. Neste livro, Habermas e Rorty debatem e dialogam, entre si, sobre suas concepções mais gerais e, em especial, sobre filosofia, cultura, razão e política, num confronto que envolve posições de outros importantes pensadores, de ontem e de hoje, como Apel e os “pós-modernos” franceses, como Dewey e Wittgenstein, como Heidegger e Nietzsche, como Hegel e Kant. Suas concepções tratam de levar em conta os desenvolvimentos mais recentes da filosofia, em relação a temas como valores, linguagem, verdade e conhecimento.

 

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Chamada de trabalhos para Seminário FESP

A mídia, em seus diferentes formatos comunicacionais, não se constitui apenas como uma esfera de produção de informações destinadas ao consumo de massa, mas sua importância advém sobremaneira pelo fato de integrar de um lado a relação entre a formação de uma agenda política e a constituição de um debate público, especialmente nas democracias modernas; e de outro, por ser fonte geradora de sistemas de representação e enquadramentos da realidade social e política. Esse GT procura debater trabalhos empíricos e teóricos sobre a comunicação política no que tange à sua manifestação discursiva pela mídia escrita e imagética, englobando estudos sobre televisão, cinema, fotografia, rádio, jornais e revistas. Dentre os temas centrais a serem discutidos, estão: mídia e os processos eleitorais; opinião pública; agenda da mídia e agenda do público; marketing político; propaganda eleitoral; escândalos midiáticos; fotojornalismo; construção de imagens e/ou discursos midiáticos; mídia e esfera pública; mídia e cultura política.

 

Link para o evento da FESP.

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Vaga para Obama das redes sociais no Brasil

Habermas é polêmico. Ponto. Mas eu vou falar (d)nele. Inspirado no conceito de publicidade kantiano, Habermas tem como ideia de esfera pública a comunicação que se constitui num espaço da vida social humana permitindo a formação de uma opinião pública de interesse. Portanto, a esfera pública é uma dimensão que prevê uma racionalização da discussão.  Vale lembrar que muitos críticos refizeram o conceito habermasiano e até ele mesmo se refez.

Anyway: com o advento da internet, que Habermas não escute, a esfera pública tomou uma outra proporção. Alguns, esquecem que existe uma divisão entre esfera pública e privada, mas esse não é o caso (dá uma vontade de falar nisso). Vale lembrar que os meios de comunicação tradicionais não disponibilizam o espaço de debate defendido pelo autor, pois a maioria deles trabalha sob a lógica do agenda setting, ou seja, a lógica do que vai ser noticiado.A internet, sim, propicia o debate. Barack Obama foi o grande homem das mídias sociais e fez uma revolução no potencial midiático das redes. Como Gomes bem observa,  a campanha de Obama foi um exemplo de “modus operandi de campanha cooperativo, ao par com o espírito da internet 2.0 no quase refere a convocar e pressupor a participação dos internautas na produção dos conteúdos e nos procedimentos de difusão viral de informações e de mobilização”.

O conceito de “internet 2.0”, ou “web 2.0” significa, justamente, a internet não apenas como um sistema de publicações e banco de dados on-line, mas como um suporte para a estruturação das redes de mídia social. Michele  Obama seduziu os internautas em seu discurso terça-feira e ela foi o tema de 28 mil tuítes por minuto, segundo o Twitter. Isso representa o dobro da repercussão do discurso de Mitt Romney na convenção republicana. Ann Romney foi citada em pouco mais de 6.000 tuítes por minuto.

A minha grande pergunta é: e, no Brasil? Quem tem esse poder mobilizador? Não se pode negar que José Serra foi um pioneiro no uso do Twitter, mas não é um “Barack Obama” das redes sociais. Esse é um espaço vago na nossa política. E, até agora, parece que ninguém vai preenchê-lo.

GOMES, W. (et alii): Politics 2.0”A Campanha On-line de Barack Obama em 2008, In. Revista Sociologia Política, Vol. 17, n.34, pp. 29-43, Curitiba, Outubro 2009.
HABERMAS, Jurgen: Mudança Estrutural da Esfera Pública, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2003.

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