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As cidades como empresas- um novo modelo de pensamento

Para a reunião do grupo Política e Sociedade do Espetáculo, do professor Claudio Coelho, lemos o livro A cidade do pensamento único – desmanchando consensos, de Otília Arantes, Carlos Vainer e Ermínia Maricato. O capítulo que mais chamou a atenção foi “Pátria, empresa e mercadoria – notas sobre a estratégia discursiva do planejamento estratégico urbano”. Tentarei não ser extensa e chata demais.
Entre os modelos de planejamento urbano que competem para assumir o trono deixado pelo projeto modernista está o chamado planejamento estratégico. As cidades são submetidas às mesmas condições e desafios das empresas. Antes, o que víamos era o crescimento desordenado das cidades. Vide Brasília e seu entorno. A cidade foi projetada até um certo ponto, depois disso, a desordenação tomou conta. No atual projeto, a cidade é vista com competitividade urbana.

 

São Paulo

 
Enquanto a visão moderna de planejamento urbano possuía como alicerce o taylorismo e sua lógica tecnicista, funcionalista e racional, com princípios de organização e produção, os novos “gestores da cidade”, se apóiam em doutrinas como o toyotismo criando uma maior alienação em relação ao espaço. A lógica de gestão de negócios é a que impera. Nessa nova lógica, há o mercado como horizonte que obriga a cidade a agir empresarialmente e estrategicamente.
A constituição e legitimação da nova cidadania conferida aos segmentos estratégicos caminha pari passu com a destituição dos grupos com “escassa relevância estratégica”. A cidade-empresa está obrigada a ser realista, conformar-se às tendências do mercado e não pode dar•se ao luxo de produzir planos utópicos. A cidade-empresa atua no mercado de cidades edeve ser competitiva, ágil, flexível. Os controles políticos sãoestranhos a um espaço social onde o que conta é a produtividade e a competitividade” e onde o que vale são os resultados.

 
Nessa nova concepção de cidade, a polis (lugar de confrontos de idéias, berço do cidadão, onde ocorre a real interação humana com o espaço) perde terreno para a city (sede de grandes investimentos, lar dos citadinos, dóceis autômatos que sob a liderança de figuras carismáticas exercem suas funções pelo bem da city).

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