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Dois livros saindo do forno

Hoje tive a grata surpresa de receber dois livros com artigos meus.

Um é Mídia: espetáculo e poder simbólico, organizado pelos meus queridos mestres Cláudio Novaes Pinto Coelho e Luís Mauro Sá Martino, editora In House. Nesse livro publiquei uma análise sobre o ex-candidato à vice-presidência da República Indio da Costa (hoje PSD, na época DEM). O nome do trabalho: “O caso Indio da Costa: vida e morte na sociedade do espetáculo”.

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O outro livro é Comunicação, Entretenimento e Imagem, organizado pela minha orientadora de mestrado Simonetta Persichetti e pelo professor Dimas Künsch. A editora é a Plêiade. Nesse foi publicado um resumo da minha dissertação: A imagem contemporânea e a construção do personagem político nas eleições municipais de 2012.

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Brasil tem só 4 dos 3.215 cientistas cujas pesquisas têm maior impacto

Uma matéria sensacional da Folha de S. Paulo de hoje revelou que apenas quatro cientistas brasileiros possuem trabalho de grande impacto no mundo.  O que mais chama a atenção na matéria é o depoimento do físico Paulo Artaxo:

“Para ele, o ranking expõe que a produção científica no Brasil aumentou, mas a relevância não cresceu o país está entre os 15 que mais publicam artigos científicos.

“Falta financiar estudos que tenham maior impacto na ciência em nível internacional. É preciso dar ao pesquisador brasileiro as mesmas condições de trabalho que os estrangeiros têm.””

Folha de S. Paulo

Folha de S. Paulo

Talvez a matéria devesse dar mais destaque a isso. O que acontece no Brasil é que somos avaliados pelas nossas metas QUANTITATIVAS. Nosso lattes vale pelo NÚMERO de publicações que temos.  Lembro da minha indignação no IBERCOM quando alguns acadêmicos falaram que os norte-americanos eram racistas com nossos trabalhos. Não são racistas! Apenas, como levar à sério trabalhos que são produzidos exclusivamente com a finalidade de publicação e não de relevância acadêmica?

Na ocasião do IBERCOM, o professor Miguel Vicente fez a grande pergunta: “estamos em condições de importar talentos?”  Somos capazes de atrair investigadores? E, questionou se queremos mesmo estabelecer diálogo com a língua inglesa. Para o professor, é necessário que se fortaleça o inglês para competir. Mais: é necessário que se mude essa visão QUANTITATIVA e nos deixem trabalhar. Aqui no Brasil tem gente que faz doutorado trabalhando e negociando faltas com professor, porque senão não consegue pagar os estudos. Nos EUA assim que tu entras no doutorado eles te dão bolsa. Imaginem o quanto isso é incrível? Difícil imaginar, não?

Estamos, sim, muito longe de ter a qualidade dos americanos. Aliás, penso que estamos em outro planeta em relação a eles. Mas acho que existem autores relevantes aqui que não foram citados na matéria. Norval Baitello Jr, Eugênio Bucci, Boris Kossoy, Luis Felipe Miguel, Venício Lima, a própria Vera Chaia…isso que estou citando apenas os acadêmicos da minha área que fazem milagre no nosso contexto educacional. Mas para sermos respeitados, muita coisa precisa mudar. Infelizmente. E, não me parece que algo será feito tão em breve.

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A imagem contemporânea

Pois só hoje vi no site da Revista Contempo, da Cásper Líbero, meu artigo sobre minha dissertação. Quem tiver interesse em ler, aqui está o link. O título do meu trabalho é ‘A imagem contemporânea e a construção do personagem político nas eleições municipais brasileiras de 2012’. Fui orientada, como já disse, pela professora Simonetta Persichetti. Vale lembrar que sempre tive o apoio do professor Cláudio Coelho. Amei fazer esse trabalho!!!!

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O estudo nunca termina

Uma das primeiras coisas que a Simonetta (minha orientadora) disse quando entrei no mestrado foi: “o estudo nunca termina. Você vai fazer um doutorado e ainda vai estar cheia de dúvidas.” Na época me pareceu mais um discurso bonito do que uma realidade, mas hoje percebo o quanto ela estava certa. Semana que vem apresento em Curitiba, no COMPOLITICA, meu trabalho sobre o senador Demóstenes (O caso Demóstenes – A queda do Senador vista pela Folha de São Paulo e “não vista” pela Revista Veja). Minha abordagem foi fotográfica, com base nas teorias de segunda realidade do professor Boris Kossoy e as conclusões foram muito bem resumidas pelo Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa.

Tudo isso para dizer que, semana passada estava lendo o livro Jornalismo e Política-escândalos e relações de poder na câmara municipal de São Paulo, da professora Vera Chaia, e percebi uma outra abordagem para o mesmo assunto. A autora e professora, chama a atenção para o poder do agenda-setting na recepção da política. O pressuposto básico do agenda-setting é que, se os indivíduos não possuem um repertório próprio sobre um determinado tema, eles recebem esses conhecimentos e assimilam a realidade social por meio do prisma do mass media. No caso do senador Demóstenes, a Folha de SP o julgou antes da justiça. Partindo desse ponto, os receptores assimilaram tudo sem questionar. “Demóstenes é culpado”.

Na avaliação de Fernando Antonio Azevedo (2002, p.11), “a ideia-força implícita na noção de agenda-setting é a de que: (1) a mídia, ao selecionar determinados assuntos e ignorar outros, define quais são os temas, acontecimentos e atores (objetos) relevantes para a notícia; (2) o enfatizar determinados temas, acontecimentos e atores sobre outros estabelece uma escala de proeminência entre esses objetos; (3) ao adotar enquadramentos positivos e negativos sobre temas, acontecimentos e atores constrói atributos (positivos ou negativos) sobre esses objetos; (4) há uma relação direta e causal entre as proeminências dos tópicos da mídia e a percepção pública de quais são os temas (issues) importantes num determinado período histórico”.

A mídia definiu a culpa do ex-senador e essa foi a abordagem até sua cassação.  Construiu, como eu defendo no artigo, somente atributos negativos. Mesmo quando outras escutas foram divulgadas, o tema definido já era Demóstenes Torres. Essa era a forma mais interessante de divulgar o fato.

Foto: Site Diário de Anápolis Disponível em:   Acesso em: 2/5/13

Foto: Site Diário de Anápolis Disponível em: <http://www.diarioanapolis.com/politica/mpf-go-quer-manter-inelegibilidade-de-demostenes-torres-ate-2027/ > Acesso em: 2/5/13

Em seu trabalho, Swanson (1995, p.14) afirma que o processo de construção das notícias políticas obedece a um esquema particular: “É bastante comum ver as noticias construídas de maneira com que faça que o governo e os políticos sejam mais interessantes para a audiência. As formas usadas frequentemente de fazer as notícias mais interessantes para o público incluem o seguinte: enfatizar dramas e conflitos; concentrar-se em acontecimentos concretos e não em idéias abstratas; personalizar as notícias apresentando pessoas concretas na representação de instituições, idéias e outras formas impessoais que por elas mesmas são difíceis de visualizar, reduzir assuntos à simples histórias com moral.”

Ainda no livro Jornalismo e Política, Vera Chaia cita  Patterson (2000,p.82) que afirma que: “As notícias são uma forma de contar ‘estórias’. Por esta razão, as convenções jornalísticas incluem uma ênfase especial nos aspectos mais dramáticos e controversos da política. A principal preocupação do jornalismo é com a novidade, o invulgar e o sensacional.”

“O estudo, realmente, nunca termina”.

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Oscar Pistorius: refém nas mãos da mídia

Primeiramente vamos observar as imagens divulgadas pelo Cape Times, maior jornal sul africano, sobre o caso Oscar Pistorius, na semana em que ocorreu o incidente envolvendo o atleta, o que ocasionou a morte de sua namorada Reeva Steenkamp.

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

Capa do Cape Times/ 15 de fevereiro 13

 

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

Capa Cape Times /19 de fevereiro 13

 

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Cape Times / 20 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Site Cape Times / 22 de fevereiro 13

Coloquei essas imagens aqui para dar uma noção de como foi (e tem sido) a cobertura na África do Sul. O velocista paraolímpico, que fez história ao tornar-se o primeiro atleta portador de deficiência física a conseguir competir nos Jogos Olímpicos, em Londres, é um herói nacional da África do Sul. E, no entanto, é normal que haja, como bem comprovam as imagens, uma dúvida se Pistorius é realmente o assassino que premeditou a morte da namorada, ou o ídolo que a confundiu com um ladrão.

Na capa de 15 de fevereiro, um dia depois do episódio,o Cape Times mostra Pistorius ainda nas pistas de atletismo. Porém, logo em seguida, a imagem que começa a aparecer do atleta é sempre dele envolvido com armas (como mostra a capa de 19 de fevereiro) ou saindo tribunal, onde por uma semana, é julgado seu pedido de fiança. Os veículos da África do Sul cobrem massivamente o evento, e a maioria das imagens não têm nada a ver com o Pistorius vencedor. Pelo contrário. Em 20 de fevereiro o Cape Times condena o atleta antes mesmo do tribunal: “Como eu matei Reeva”. Assim que o pedido de fiança do atleta e a liberdade provisória são concedidos, os jornais, sem mais o que especular, voltam a ter dúvidas sobre o envolvimento do atleta em assassinato premeditado. A dúvida, num país apaixonado pelo atleta, volta a se refletir nas páginas dos jornais.

Como afirma Giuseppe Mininni (2008), “a mídia cria e destrói deuses num ritmo vertiginoso”. Foi o que fizeram com Pistorius. Antes mesmo de um julgamento na justiça (que só deve ocorrer em 4 de junho) o atleta foi condenado pela imprensa. Não é mais o espetáculo. É o hiperespetáculo. “O espetáculo era a representação do imaginário moderno. Algo designado para ser superado. O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena”.  (GUTFRIEND;DA SILVA: 2007)

A imprensa precisa fazer o que lhe é de direito: informar. Precipitar-se e condenar pessoas não é, definitivamente, seu trabalho. Tanto a imprensa brasileira (objeto de um estudo mais aprofundado que pretendo desenvolver sobre esse caso), quanto a imprensa da África do Sul, outorgaram-se o direito de fazer uma inquisição no atleta. As imagens são poderosas. Não há nada do mito Pistorius naquelas imagens de tribunal.

“As imagens possuem um peso praticamente ilimitado na sociedade moderna, principalmente as imagens fotográficas; e a razão de tal autoridade advém qualidades peculiares às imagens que obtemos através das câmaras. Essas imagens são verdadeiramente capazes de usurpar a realidade porque, antes de mais nada, uma fotografia é não só uma imagem, uma interpretação do real- mas também um vestígio, diretamente calcado sobre o real, como uma pegada  ou uma máscara fúnebre.” (SONTAG, 1981)

Não poderia deixar de finalizar com Guy Debord.  É o espetáculo provocado pela mídia. “Em toda parte onde reina o espetáculo, as únicas forças organizadas são as que querem o espetáculo.” (2011)

KOSSOY, Boris. Fotografia & História. 3. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2009a.

…………………. Os Tempos da Fotografia. 2. ed. Cotia, SP : Ateliê Editorial, 2007.

………………… Realidades e Ficções na Trama Fotográfica. 4.ed. Cotia, SP: Ateliê Editorial, 2009b.

GUTFREIND, Cristiane Freitas,DA SILVA, Juremir Machado. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. EdiPUCRS, Porto Alegre, 2007.

MINNINI, Giuseppe. Psicologia Cultural da Mídia. São Paulo, SP, A Girafa, 2008.

SONTAG, Susan. Ensaios sobre a Fotografia. 2. Ed. Rio de Janeiro: Arbor, 1981.

 

 

 

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Contempo

Hoje tivemos o Interprogramas na Cásper Líbero. Outro evento sensacional! Essa semana foi excelente. Mas, sobre o Interprogramas escrevo com calma depois. Compartilho com vocês resenha minha publicada na Revista Contempo. Se alguém não conseguir abrir o link, segue o texto abaixo:

Os Tempos da Fotografia – o efêmero e o  perpétuo

KOSSOY, Boris. Os Tempos da Fotografia – entender a história da imagem para entender a nossa história. Cotia: Ateliê
Editorial, 2007. 176 p

* Por Deisy Oliveira Cioccari, mestranda em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero

Em Os Tempos da Fotografia – o efêmero e o perpétuo, livro que complementa a trilogia iniciada com Fotografia & História e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, Boris Kossoy relata o papel cultural da fotografia, fornecendo um grande embasamento teórico.Nesse livro, o autor evidencia que a fotografia não é uma ciência exata e busca respostas para o que ele chama de “processo de construção da realidade”. Kossoy deixa claro que a noção de que a câmara recupera fielmente a primeira realidade se desconstroi imediatamente após o registro da imagem. O que temos acesso é à segunda realidade. Fruto de uma realidade construída cheia de ideologias, impressões e códigos. A leitura que fazemos de uma fotografia em que não entendemos o contexto é diferente da leitura que fazemos quando conhecemos. Para o autor, quanto mais conhecemos a teoria, mais conhecemos a imagem. Imagem essa que pode informar e desinformar, que não é neutra e que possui detalhes que nunca devem ser desconsiderados.

A imagem fotográfica vai além do que mostra em sua superfície.Talvez por isso tenha dedicado boa parte à história da fotografia no Brasil, um capítulo esquecido pelos historiadores. Evidencia-se a necessidade de “rastrear” fotógrafos do passado e as influências e mudanças que a imprensa estrangeira causou em nossa imprensa. A necessidade de se encontrar um papel importante nos meios de comunicação passando pela fotomontagem à São Paulo de Hildegard Rosenthal, onde os ares de metrópole da capital não se chocavam com as ideologias da cidade modelo da era Vargas. Há, nesse livro, um importante registro da fotografia tomando proporções no resto do país e das imagens da fotógrafa Hildegard inaugurando a fotorreportagem no país.A fotografia como sustentáculo da memória e seus usos para imprimir uma intenção ideológica e política no Brasil não passam despercebidos. Kossoy deixa claro que as imagens são concebidas com o filtro cultural de seus autores e nesse sentido, é fundamental recuperar os sentidos dos fatos do passado. Dessa forma, garante-se a recuperação, com auxílio de conhecimentos pelas fontes escritas, da história política brasileira.

Na última parte do livro, o perpétuo e o efêmero se fundem. Há uma ênfase que se coloca no “instantâneo” da imagem fotográfica. Já o recorte da imagem parece agir de modo diferenciado quando fragmenta o espaço e quando faz o mesmo com o tempo. Enquanto o recorte espacial é claramente uma operação de seleção e transformação da realidade, o recorte temporal parece resultar num ato de anulação. Em outras palavras, enquanto as formas de representação do espaço precisam ser desvendadas, o tempo é esquecido, pois é supostamente aquilo que se perde na fotografia. Aparentemente, trata-se de uma apropriação de um efeito espacial da realidade, eliminando-se o
efeito temporal.
A fotografia interage conosco. A fotografia nos possibilita um diálogo com o passado, com o que passou, com o efêmero. O que resta são nossas impressões e representações. São os “tempos da fotografia”. E, sua morte. Como quando Kossoy registra os tempos de manipulação, de registro digital, eletrônico. Os simulacros tomam forma de máscaras e impõem-se obre o original. “Com a invenção da fotografia, inventou-se também, de certa forma, a máquina do tempo”, diz o autor para explicar que com a imagem fotográfica percebeu-se que, mesmo ausente, o objeto pode ser representado eternamente. “Derreteu-se o relógio, desestruturou-se a matéria”, completa. Mas para o autor, isso não é o caos. É uma consequência da evolução do processo, extensão da trajetória da fotografia, que oscila de significado de acordo com a ideologia de cada instante.Em Os Tempos da Fotografia, Kossoy deixa claro o papel da fotografia: não o de ser um detector de verdades ou mentiras, mas um registro construído ideologicamente, que nos permite entender o passado, perseguir seus segredos implícitos e captar a promessa do perpétuo. Toda imagem  fotográfica tem uma história que procuramos desvendar e que originou o que conhecemos de nós mesmos. É com muita propriedade que Boris Kossoy afirma que o século XX não seria o mesmo sem um espelho com memória para registrá-lo.

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Fotografia

Existe um consenso generalizado acerca do mito da fotografia ser uma espécie de ‘sinônimo’ da realidade. O rastro indicial gravado na foto possibilita, certamente, a objetiva constatação da existência do assunto: o ‘isto aconteceu’, uma vez que a ‘foto leva sempre seu referente consigo’, assinalou Barthes. (Kossoy, 2009b:p.134)

O que a fotografia reproduz ao infinito só ocorreu uma única vez: ela repete mecanicamente o que nunca mais vai poder se repetir existencialmente. Nela o acontecimento jamais se ultrapassa rumo a outra coisa: ela sempre remete o corpus de que preciso ao corpo que estou vendo; ela é o Particular absoluto,  a Contigência soberana, fosca e como boba, o Tal (tal foto e não a Foto), em suma, a Tuché, a Oportunidade, o Encontro, o Real em sua expressão infatigável. (Dubois, 2001: p.72)

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Dissertação

O que mais empolga no mestrado é tu começares a tirar do papel a tua dissertação. A minha orientadora, professora Simonetta, ainda foi mais legal. Pediu dois capítulos do trabalho prontos pro dia 20 de agosto. Acho uma delícia pesquisar. Muitas vezes o texto não fica como o esperado, mas para isso temos orientadores!!! Eu estava dando muitas voltas, mas eis que consegui montar um esquema no quadro. Acho que agora, vai.

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