Arquivos da Tag: Baudrillard

Baudrillard, a Publicidade, os Objetos e a Sociedade do Consumo*

Em O Sistema dos Objetos, de 1968 (inacreditável), Jean Baudrillard fala da sociedade do consumo. Uma sociedade que não consome somente o objeto por ele mesmo, mas o objeto e o outro objeto para completar o anterior e o outro. Baudrillard afirma que consumimos a embalagem derivada de uma publicidade ideológica e conotativa. Ideológica porque não se assume como tal e conotativa porque sempre ‘supõe’. É a lógica da sedução e da persuasão. Um exemplo: a (diva) Gisele Bundchen. A imagem que se vende é da maior Top Model de todos os tempos, do rosto que vende, do casamento perfeito com o astro de futebol americano, a família com o filho lindo e a modelo preocupada com o meio ambiente. Quando, na verdade, para muitos, longe do glamour, seria apenas mais uma mulher alta e magra com um cabelo lindo (isso é,mesmo).

Gisele

O discurso ideológico da publicidade nos faz crer na ‘história do Papai Noel’: sabemos que ele não existe, mas é conveniente acreditar nele. Como os políticos em época de campanha que afirmam que vão ‘cuidar das pessoas’. Nós sabemos que não vão, mas acreditamos por ser melhor assim. Ou como a propaganda da C&A: você vai ficar como a Gisele Bundchen. Não vamos. A sociedade se adapta às necessidades do indivíduo numa dissolução de tensões propondo uma sociedade harmoniosa e maternal. O grande problema é quando essa publicidade é travestida de coisa séria e nós não percebemos o consumo, como o que acontece na grande maioria das vezes. Para participar da corrida de rua você precisa do tênis de R$600, um frequencímetro, um Ipod e assim vai…na superfluidade das imagens somos sensíveis ao jogo de cena da sociedade do espetáculo. E, sempre caímos nele.

 

*Da aula Sociedade do Espetáculo, do prof Dr Cláudio Coelho.

Tags , , , , , , , ,

Mediatization of Politics: a challenge for democracy?

O texto de Mazzoneli e Schulz levanta um assunto novo na academia: a mediatização da sociedade, especificamente da política. Que fique clara a distinção entre mediação (uma relação mediada por um meio, seja ele um blog, televisão ou telefone) e a mediatização que é a presença maior da mídia no cotidiano. É um assunto novo, as primeiras pesquisas datam de 2005 e não há quase nada disponível em português.

Lendo os textos de Hjarvard e Mazzoneli lembrei muito da questão política no Rio Grande do Sul. Tenho acompanhado as manifestações dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre e a diferença na forma de lidar com os meios é grande. Fortunati usa o twitter, por exemplo, muito mais como “mediação” do que como “mediatização”. O candidato apresenta suas propostas, informa os locais onde está, agradece, mas muito raramente interage.

Últimos posts de @josefortunati

Como bem diz Mazzoleni, hoje em dia a política não pode existir sem a comunicação. E, é dessa forma que o candidato utiliza as plataformas digitais. Como uma mediação.

Manuela d’Ávila é o exemplo da política de mediatização. Ela mostra uma política que é moldada pelos e para os meios de comunicação (Mazzoleni). Manuela “substitui” o corpo-a-corpo pelo contato via mídias sociais . Substitui no sentido de, uma relação que muitos fazem somente de forma presencial, Manuela, sabiamente, faz também pela plataforma twitter. Como se fosse um mecanismo de compra e venda, como uma empresa.

Como diz Hjarvard: “os meios de comunicação transformaram a sociedade a partir de uma situação de escassez de informação para a abundância onde qualquer um pode competir.” (tradução minha) Manuela demonstra uma clara adaptação aos media. Caso parecido ocorreu com Marina Silva na disputa presidencial de 2010 e ocorre com Soninha Francine, em São Paulo.

Longe da questão apocalíptica baudrillardiana em  que a mídia e o pós-modernismo são símbolos de uma cultura formadora de simulacros e aparências da realidade, onde não existe mais o real, Mazzoneli expõe muito bem o que estamos vivendo: uma sociedade capitalista que como teve seu desenvolvimento industrial, tem também seu desenvolvimento nas comunicações. Feliz daquele que souber se adaptar e tirar proveito desse desenvolvimento.

Tags , , , , , , , , , ,