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CHAMADA DE TRABALHOS – "LINGUAGEM, SOCIEDADE E TECNOLOGIA"

Estava lendo o blog da minha ex-professora (baita professora, diga-se de passagem) Raquel Recuero e tem chamada para a revista  Linguagem e Ensino

“O tema abarca aqueles trabalhos que, de alguma forma, focam as relações contemporâneas entre as linguagens, práticas linguístico-discursivas e as tecnologias de informação e comunicação, notadamente as digitais. A introdução e a apropriação dessas tecnologias pela sociedade gerou impactos consideráveis nas relações sociais, na educação, nas formas de interação e nos discursos. Assim, para este número, busca-se fazer um apanhado dos trabalhos de pesquisa que, de alguma forma, trazem essa discussão.

Calendário:
Submissão de artigos – Até 20/06/2014.
Pareceres – Até 20/08/2014
Previsão de Publicação: Dezembro de 2014.”

Mais informações no blog da Raquel.

 

 

 

 

 

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Wagner Moura: "Redes sociais não passam de revista 'Caras' autoeditada"

Eu sou fã do Wagner Moura. Mais ainda agora. Sempre me questionei sobre essa exposição exagerada das pessoas em redes sociais. Tem gente que coloca simplesmente a rotina inteira na web. Isso que não tenho facebook, só instagram. As pessoas não conseguem fazer uma viagem, não conseguem mais ir a um restaurante, sem registrar..PARA OS OUTROS. Impressionante.

Coloco aqui o link para a entrevista que o Wagner Moura deu ao Último Segundo sobre, entre outras coisas, esse assunto.

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Se existisse uma representação exata, eu não fotografaria. Claude Maillard, Sur l’imphotographiable

‘Onde a escrita é impotente para captar, na verdade e na variedade de seus aspectos, os monumentos e as paisagens; onde o lápis é fantasia e divagador, alterando a pureza dos textos, a fotografia é inflexível”.(ROUILLÉ, 2009, p. 49-50)

(Foto: REUTERS/Jalal Al-Mamo)

(Foto: REUTERS/Jalal Al-Mamo)

Essa imagem fotográfica está na matéria do G1 “Ataque aéreo do regime sírio sobre Aleppo deixa ao menos 33 mortos”. A matéria por si só é terrível, mas essa fotografia choca. Não choca pela desgraça latente na imagem ou por algum outro tipo de apelação. Ela machuca porque, como afirma Rouillé, a verdade está  em segundo plano, indireta, enredada como um segredo. Não é colhida à superfície dos fenômenos. Ela apenas se estabelece.  Fosse qualquer outra situação poderíamos pensar que as crianças se machucaram brincando. Mas a simples inserção da Síria na matéria dá um outro significado.  A fotografia não está sozinha, e nem frente a frente com a coisa que ela representa.  Sozinha, não significa nada. Nua, não tem referente ou, o que é a mesma coisa, tem mil, como testemunham esses clichês da imprensa que volta e meia situam legendas abusivas em contextos opostos, alheios ao seu próprio contexto. (ROUILLÈ, 2009,p. 94-95)

Como questionaria Susie Linfield, em The cruel radiance,  as fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Eu acredito que sim. Linfield afirma que uma das vantagens da fotografia é justamente essa, a de trazer para perto qualquer coisa que se possa pensar. Linfield diz que as pessoas muitas vezes falam sobre o horror da guerra, e sobre a necessidade de construção de uma política de direitos humanos, em termos extremamente abstratos, mas esquecem que há a necessidade do engajamento e questionamento sobre o que a guerra realmente fazer com as pessoas, o que é que a opressão política, o sofrimento e a derrota fazem.

As fotografias não podem explicar as complexidades das histórias ou suas causas. As fotografias são vislumbres poderosos, sugestões poderosas. A autora pede para os telespectadores tornarem-se mais pró-ativos em vez de se lamentarem eternamente sobre todas as coisas que as fotografias não podem fazer e não nos dizem, e todos os caminhos que não podem percorrer. Cabe a nós começar uma investigação sobre essas histórias e sobre o que as imagens estão dizendo. Toda imagem de sofrimento não diz somente “isso é”, mas também implica em “isto não deve ser”, ou “isto está acontecendo”com “isto deve parar”.

A Síria deve parar.

 

A fotografia – entre documento e arte contemporânea- André Rouillè

The Cruel Radiance – photography and political violence. Susie Linfield

 

A Síria deve parar.

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"A REALIDADE NÃO CONTENTA"

Texto de Marcelo Coelho, na FSP.

SELFIES

 

Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.

Se depender do que vejo com meus filhos —dez e 12 anos—, o tempo dos “selfies” está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.

“Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho.” Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.

A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um “selfie” tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.

Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece —e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência.

Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato —uma estadia em Paris, o jantar num restaurante— não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.

Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu “self” (cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.

Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?

Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.

Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.

Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.

Não digo que quem tira a foto da cerveja deixe de tomá-la logo depois. Mas intervém aí um segundo aspecto desse “empobrecimento da experiência”. Tomar cerveja não é o bastante. Preciso tirar foto da cerveja. Por quê?

Talvez porque nada exista de verdade, no mundo contemporâneo, se não for na forma de anúncio, de publicidade. Não estou apenas contando aos meus seguidores do Facebook que às 18h42 de sábado estava num bar tomando umas. Estou dizendo isso a mim mesmo. Afinal, os meus seguidores do Facebook, sei disso, não estão assim tão interessados no fato.

Não basta a sede, não basta o prazer, não basta a vontade de beber. Tenho de constituí-la como objeto publicitário. Preciso criar a mediação, a barreira, o intervalo entre o copo e a boca.
Vejam, pergunto a meus seguidores inexistentes, “não é sensacional?”. Eis uma cerveja, a da foto, que nunca poderá ser tomada. A foto do celular imortaliza o banal, morrerá ela mesma em algum arquivo que apagarei logo depois.

Não importa; fiz meu anúncio ao mundo. Beber a cerveja continua sendo bom. Mas talvez nem seja tão bom assim, porque de alguma forma a realidade não me contenta.

A imagem engoliu minha experiência de beber; já não estou sozinho. Mesmo que ninguém me veja, o celular roubou minha privacidade; é o meu segundo eu, é a minha consciência, não posso andar sem ele, sabe mais do que nunca saberei, estará ligado quando eu morrer.

Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os “selfies” e as fotos de batata frita.

“Como as pessoas eram felizes naquela época!” A alternativa seria dizer: “Como eram tontas!”. Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.

coelhofsp@uol.com.br

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IX ENECULT

Comemorando a realização de sua décima edição, o Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura será realizado de 27 a 29 de agosto de 2014, na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em Salvador.

Confira abaixo os prazos para submissão de trabalhos e inscrição no evento que será realizado por meio do site www.enecult.ufba.br.

Informações: enecult@ufba.br e 71 3283 6198.

CALENDÁRIO Dias do evento: 27, 28 e 29 de agosto de 2014 Submissão de artigos: 7 de abril a 5 de maio de 2014

Avaliação: 1º a 30 de maio de 2014 (a confirmar)

Divulgação do resultado: 2 de junho de 2014 (a confirmar)

Inscrições/pagamento: 2 de junho a 18 de agosto de 2014

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Alienação Política

Estava lendo a tese do doutorado do Homero Costa, Alienação Eleitoral no Brasil: uma análise dos votos brancos, nulos e abstenções nas eleições presidenciais (1989-2002), e vários dados me chamaram a atenção. De acordo com informações da tese:

Em l989, foram mais de 15 milhões de eleitores inscritos que ou se abstiveram, ou anularam o voto ou votaram em branco, significando em termos numéricos mais do que os votos em Luiz Inácio Lula da Silva que obteve 11.622.673 votos no 1o turno.

Em l994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito no 1º turno, registraramse 16.793.932 abstenções, 7.193.510 votos em branco e 7.444.608 votos nulos, totalizando mias de 31 milhões, quase o dobro do 2º colocado, Luiz Inácio Lula da Silva, que teve 17.112.155 votos.

Em 1998, de uma população de 157.070.163 habitantes, estavam inscritos 106.076.088 eleitores, ou seja, 67% da população. Somando-se a abstenção com os votos em branco e nulos, a alienação eleitoral (38.351.547, ou 40,2% do total de eleitores), foi maior do que os votos dados a Fernando Henrique Cardoso, eleito no 1o turno.

Para Homero Costa, passamos por uma crise de representações e o sistema político brasileiro favorece muito mais  um processo de estatização dos partidos”, no qual há uma preocupação quase exclusiva com a competição eleitoral. Homero cita  Mainwaring quando esse fala a respeito da tendência da atuação individual entre os parlamentares brasileiros, que é reforçada pela legislação eleitoral. Ao estudar a influência do sistema eleitoral sobre o funcionamento dos partidos políticos e a enorme dificuldade para a construção de partidos fortes, o autor afirma que o incentivo ao individualismo – que caracteriza a atuação dos parlamentares -, associado a outros fatores, contribui para o enfraquecimento dos partidos.

O país estaria, portanto, vivendo uma crise de representação política e um dos elementos seria justamente a incapacidade dos partidos políticos de agirem como mediadores entre a sociedade e o Estado, por estarem cada vez mais interessados na defesa de interesses privados. 

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Colóquio Pós-Cinema e Pós-Fotografia

Estão abertas as inscrições para o Colóquio Internacional Pós-Cinema,Pós-Fotografia: o devir das imagens contemporâneas da arte, que acontecede 15 a 17 de Abril de 2014, emFortaleza. A programação terá, na abertura, o escritor Phillipe Dubois, da Université Sorbonne Nouvelle Paris 3

Mais informações pelo site do evento.

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ANPOCS 2014 / 27 A 31 DE OUTUBRO

Estão disponíveis as temáticas aprovadas para Grupos de Trabalho (GTs) e Simpósios de Pesquisas Pós-Graduadas (SPGs), as quais já estão recebendo resumos de trabalhos no período de 12/03 a 25/03.

Tendo em vista a realização da Copa do Mundo e a consequente alteração do calendário letivo, bem como  tratar-se de ano eleitoral, a ANPOCS antecipou os prazos relativos ao 38º Encontro Anual. Ressaltamos que o Encontro de 2014 será realizado na cidade de Caxambu-MG, de 27 a 31 de outubro, mês e local habituais dos Encontros da ANPOCS.

Mais informações no site da ANPOCS.

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