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Oscar Pistorius demonstrates walking without his prosthetic legs in court – video

O The Guardian  publicou hoje um vídeo ainda do julgamento do Pistorius em que o advogado de defesa afirma que é de extrema necessidade demonstrar como o ex-atleta caminha sem as próteses.

 

 

Eu realmente tenho um fascínio pela história dele e do Lance Armstrong. Sigo acompanhando tudo. Publiquei um artigo chamado “A construção e desconstrução da identidade através imagem fotográfica” nesses dois casos. No artigo eu concluo que a imagem de Pistorius foi arranhada pela mídia de modo irreversível e que o mesmo não teria acontecido com Lance Armstrong. Acompanhando os acontecimentos hoje, três anos depois das duas derrocadas, percebo que minhas análises estavam certas. Não há volta para Pistorius. O mesmo não podemos dizer de Armstrong, que aos poucos tem se reinserido do esporte (não no ciclismo).

Se as coisas continuarem nesse caminho, minha próxima análise será da Maria Sharapova.

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Aniversário de Habermas resgata sua importância para diversos campos do conhecimento

Com 87 anos a serem completados no dia 18 de junho, o nome de Jürgen Habermas ocupa lugar de destaque entre os grandes pensadores contemporâneos. Seus conceitos de esfera pública e ação comunicativa alicerçam os diagnósticos críticos da sociedade atual; sua obra científica é parte do cânone de, ao menos, duas áreas do conhecimento: a filosofia e as ciências sociais; suas intervenções como intelectual público pautam as principais questões políticas tanto alemãs quanto europeias há 50 anos. Enfim, é um autor fundamental para a compreensão da vida pública nas sociedades democráticas, para o reconhecimento de seus potenciais de emancipação e dos obstáculos à sua consolidação.

 

A PLURICOM, da minha querida colega doutora Kátia Saisi fez uma recapitulação (e uma homenagem) das obras de Habermas.

 

Autor: Jürgen Habermas | 344 páginas | R$ 74,00
Jürgen Habermas discorre, nesta obra escrita nos anos 1990, sobre a produção de oito teóricos que o influenciaram de alguma maneira: Charles S. Peirce,Edmund Husserl, Martin Heidegger, Ludwig Wittgenstein, Max Horkheimer, Georg Simmel, Alexander Mitscherlich e Alfred Schmidt. Em especial, o autor procura tecer os vínculos da produção desses pensadores com os seus contextos históricos. O que o filósofo alemão discute é o quanto um determinado conteúdo argumentativo é capaz de transcender o tempo no qual surgiu e, portanto, aspirar à universalidade. Habermas convida o leitor a questionar se todos os pensadores ficam marcados pelos seus respectivos contextos históricos e a refletir sobre o que significa ser marcado de forma especial. Além dos ensaios sobre os oito teóricos, a obra apresenta dois outros artigos, que, nas palavras de Habermas, “tematizam os próprios contextos”: “A sociologia na República de Weimar” e “Sobre o desenvolvimento das ciências sociais e das ciências humanas na República Federal da Alemanha”.

A nova obscuridade

Autor: Jürgen Habermas | 392 páginas | R$ 70,00
Um dos principais eixos temáticos desta coletânea diz respeito ao neoconservadorismo. O assunto abre e perpassa todos os textos aqui reunidos, que remetem ainda a diferentes aspectos da defesa de Habermas da continuidade do projeto de modernidade. Sem abandonar a dimensão teórica, o filósofo, conhecido por seu engajamento político, coloca-se como “contemporâneo político” e assume posições sobre questões públicas candentes ainda hoje – escrita em 1985, a obra reflete sobre problemas e tensões de uma década crucial para a sobrevivência e maturação do projeto democrático não apenas na Alemanha.

Técnica e ciência como “ideologia”

Autor: Jürgen Habermas | 208 páginas | R$ 44,00
Jürgen Habermas discute a tese de Herbert Marcuse sobre a instrumentalização da técnica. Ao mesmo tempo, aponta já para futuros desenvolvimentos no seu pensamento, sobretudo em torno do agir comunicativo.

Na esteira da tecnocracia
Autor: Jürgen Habermas | 264 páginas | R$ 58,00
Os 14 ensaios que constituem esta obra, a 12ª da série Pequenos escritos políticos, contribuem para o reconhecimento de Jürgen Habermas como intelectual público no Brasil. No país, a maior parte de suas análises da conjuntura social e política e avaliações sobre o estado da democracia na Europa ou no mundo permanecem praticamente desconhecidas do público, principalmente por estarem disponíveis apenas em alemão.

Conhecimento e interesse

Autor: Jürgen Habermas | 528 páginas | R$ 80,00
Esta obra, a mais filosófica e importante de Jürgen Habermas do ponto de vista da epistemologia, discute o entrelaçamento entre razão prática e razão pura e mostra a importância das definições do conhecimento, levantando questões sobre os fatores que o definem.

Mudança estrutural da esfera pública

Autor: Jürgen Habermas | 568 páginas | R$ 88,00
Jürgen Habermas examina neste livro o “complexo” que segundo ele descansa sob a expressão “esfera pública”. Para ele, pode-se esperar, ao compreender tal conceito e submetê-lo a esclarecimento sociológico, apreender de modo sistemático a própria sociedade. “A esfera pública”, diz o filósofo, “continua a ser um princípio organizador de nossa ordem política”.

Teoria e práxis

Autor: Jürgen Habermas | 728 páginas | R$ 98,00
As investigações reunidas neste volume, orientadas predominantemente de um ponto de vista histórico, destinam-se a desenvolver uma teoria crítica da sociedade projetada com um propósito prático e a delimitar seu status diante de teorias de outra proveniência.

Fé e saber

Autor: Jürgen Habermas | 88 páginas | R$ 19,00
Segundo volume da Coleção Habermas, este texto reproduz um discurso do filósofo proferido aproximadamente um mês depois do 11 de setembro de 2001. Embora circunstancial, é de grande importância no conjunto da obra do filósofo que, ao retomar o clássico tema fé e saber, adota uma nova expressão – “pós-secular” – imprimindo mudanças em sua teoria da modernidade, presente em suas obras posteriores.

Sobre a constituição da Europa

Autor: Jürgen Habermas | 192 páginas | R$ 40,00
A explosão das ilusões neoliberais promoveu a concepção de que os mercados financeiros, principalmente os sistemas funcionais que perpassam as fronteiras nacionais, criam situações problemáticas na sociedade mundial que os Estados individuais – ou as coalizões de Estados – não conseguem mais dominar. A política como tal, a política no singular, é desafiada em certa medida por tal necessidade de regulamentação: a comunidade internacional dos Estados tem de progredir para uma comunidade cosmopolita de Estados e dos cidadãos do mundo, levando adiante a juridificação democrática do poder político.

Filosofia, racionalidade, democracia: Os debates Rorty & Habermas

Organizador: José Crisostomo de Souza | 270 páginas | R$ 52,00
Rorty e Habermas estão entre os mais importantes intelectuais e filósofos e são, provavelmente, aqueles que têm maior público, dentro e fora das universidades. Entrevistas e artigos seus aparecem em jornais e revistas de grande circulação, e seus livros são traduzidos e publicados pelo mundo afora. Neste livro, Habermas e Rorty debatem e dialogam, entre si, sobre suas concepções mais gerais e, em especial, sobre filosofia, cultura, razão e política, num confronto que envolve posições de outros importantes pensadores, de ontem e de hoje, como Apel e os “pós-modernos” franceses, como Dewey e Wittgenstein, como Heidegger e Nietzsche, como Hegel e Kant. Suas concepções tratam de levar em conta os desenvolvimentos mais recentes da filosofia, em relação a temas como valores, linguagem, verdade e conhecimento.

 

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Como escrever artigo – INTRODUÇÃO

Acho que a Introdução é o que causa mais dúvidas. Não é nela que tu vais propriamente discutires teu objeto, mas tu tens que prender a atenção do leitor. E, mostrar que tu realmente fizeste uma PESQUISA. Tens que situar o leitor.

O ideal é começar com um pequeno parágrafo falando da importância do trabalho. Vá direto ao assunto: “o trabalho é importante por isso, isso e isso”.

 

Para o quê ele contribui? Qual a motivação para escrever esse trabalho? Existe pouco dessa pesquisa na área? É o momento atual que leva a realizar esse tipo de pesquisa?

 

E, aí tu começas a fazer uma discussão sobre a bibliografia.

 

Quais autores tu usaste, o que eles falam que tu vais aplicar na tua pesquisa e como. É nesse momento que tu detalhas a tua metodologia. Por exemplo: “analisamos 15 edições da Revista Z” , quais as particularidades e quais os problemas encontrados. Quais autores falaram desse tema anteriormente? Como foram tuas análises? Selecionastes trechos de entrevistas? Fizeste análise qualitativa? Quantitativa?

EU normalmente encerro fazendo um resumo:

Pelo exposto acima, analisaremos as seções A,B,C e D da Revista Z durante os meses de maio a junho de 2016 para compreender se houve ou não omissão no caso X.

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Como escrever artigo – O RESUMO

Algumas pessoas me perguntaram como escrever um artigo acadêmico. Por mais comum que isso pareça hoje em dia, já foi um problema. Por causa disso resolvi escrever uma série de textos explicando cada passo. RESUMO, INTRODUÇÃO, DESENVOLVIMENTO E CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Vou começar pelo resumo. Embora muitas pessoas o deixem por último, confesso que eu não consigo iniciar um artigo sem escrevê-lo. É a primeira parte do processo para mim. No meu caso o resumo serve como um projeto, nele defino o objetivo e as hipóteses e deixo clara a metodologia que usarei. E, o sigo até o final.

Para escrever um resumo, começo sempre da seguinte forma: qual meu objetivo? O que quero constatar (minha hipótese)? E, meu objeto? Por exemplo, que a Revista Z (objeto) é omissa (hipótese) em relação ao assunto X?

Logo depois: como farei para colocar em prática a minha análise? Qual a metodologia que usarei? Analisarei que seções da Revista Z? Por qual período?  Com quais autores trabalharei? Analisarei a Seção Amigos da Revista Z durante os meses de maio a junho de 2016.

Um detalhe: nunca use a primeira pessoa do singular nem do plural. Quando inevitável use o verbo “trabalhamos” sem o “nós trabalhamos”. Nunca use gerúndio.

Um exemplo de um resumo feito por mim (no caso, da  minha dissertação):

 

Este trabalho se insere na linha de pesquisa Produtos Midiáticos: Jornalismo e Entretenimento do Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero e tem por objetivo verificar o papel das imagens fotográficas jornalísticas na construção de mensagens ideológicas a partir do referencial teórico de segunda realidade, de Boris Kossoy. Utilizamos também o pensamento sobre a Sociedade do Espetáculo proposto por Guy Debord. Escolhemos como objeto de estudo as eleições municipais brasileiras de 2012 ocorridas em duas capitais: São Paulo e Porto Alegre. Analisamos as imagens fotográficas nos dois jornais mais lidos destas capitais: Folha de S. Paulo e Zero Hora, respectivamente. Buscamos entender a relação entre imagem fotográfica, espetáculo, comunicação, política e poder e como a imprensa privilegiou algumas imagens em detrimento de outras. Nossa ideia é que a mídia contribui decisivamente para a construção do personagem político.

Observem que eu coloquei o objetivo do trabalho, a forma com a qual vou trabalhar e quais minhas hipóteses.

As palavras-chave sempre devem ser aquelas que mais combinam, obviamente com o trabalho.

Obs: Thanks para a minha professora Dra Simonetta que escreveu a dissertação comigo.

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"A história vai fazer justiça com Itamar Franco", diz ex-senador Pedro Simon

Meu colega Rodrigo Estramanho e eu conversamos hoje com o ex-senador pelo Rio Grande do Sul, Pedro Simon. A conversa faz parte das pesquisas do  Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP), da PUC-SP, que realiza uma pesquisa científica intitulada Lideranças Políticas, com financiamento da FAPESP.

Um resumo da conversa de duas horas.

Em duas horas de conversa, Simon afirmou que a Operação Lava-Jato “é uma das melhores coisas que aconteceram na história do país”. Disse que “com tantos ‘nunca antes na história desse país’, nunca vimos tantos figurões sendo presos”. O ex-senador comentou o péssimo momento que o Rio Grande do Sul vive na sua política: “O Sartori (governador) não pode nem sair na rua que será apedrejado. Mas o Estado está um horror. É lamentável ver o Rio Grande assim”.

Aposentado da política (ele só concorreu ao Senado em 2015 por pressão do partido), agora percorre o país palestrando e “chamando os jovens para as ruas”, como ele mesmo disse. Para Simon, a história deve justiça ao ex-presidente Itamar Franco, “o melhor presidente que o Brasil já teve”.

Disse que a primeira vez que conversou com Collor percebeu que ali não haveria um presidente de fato. “Essas coisas tu percebes. Era só ele. Não tinha apoio. Eu só ouvia sobre ele que havia feito um casamento com ostentação”.

Entre as brincadeiras, Simon afirmou: “O Tancredo morreu e ficou em dívida conosco. Poderia ter feito muito. E, poderia ter levado o Sarney”.

Agradecemos ao assessor do ex-senador, Renato, que foi muito gentil conosco e nos ajudou na pesquisa para a PUC.

Financiadora da pesquisa: Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

Coordenadora– Profª Drª Vera Lúcia Michalany Chaia – PUC-SP

 

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Alckmin critica Fapesp por pesquisas 'sem utilidade prática'

Mesmo sempre tendo trabalhado com política e partidos políticos tentei deixar qualquer pensamento partidário longe deste blog. A finalidade não é essa. Não é discutir ideologias. Minhas pesquisas nunca foram direcionadas. Graças aos meus professores, acredito ter conseguido manter um distanciamento ideológico na hora das análises que me fez muito bem. Mas uma informação que tem circulado o meio acadêmico me deixou bastante intrigada.

Primeiro, a notícia da Folha de S. Paulo, que originalmente foi dada pela Veja:

 

“Durante a última reunião com seu secretariado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou a Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo), principal órgão de financiamento à ciência no Estado, por priorizar estudos sem utilidade prática.

A informação foi revelada pela coluna Radar On-line, da “Veja”. Segundo a revista, Alckmin fez críticas à falta de apoio a estudos para o desenvolvimento da vacina da dengue e também ao incentivo a pesquisas de sociologia.

Folha confirmou a fala do governador, que disse que a Fapesp vive numa bolha acadêmica desconectada da realidade, financia estudos que muitas vezes não têm nenhuma serventia prática e gasta sem orientação maior. Procurado, o Palácio dos Bandeirantes não quis comentar.”

Eu realmente não consigo acreditar nisso. É inviável um governador pensar desta maneira. Lembro muito das discussões com a Simonetta (minha  orientadora de mestrado) quando ela dizia que a academia valorizava mais as pesquisas da física, química e biologia, em detrimento das humanas. Mas aí a dizer que sociologia não tem relevância..me deixou sem reação. Mostra uma total falta de conhecimento dos estudos no país. Essa é nossa “pátria educadora”. Lamentável.

Abaixo, a nota de repúdio da ANPOCS.

“A diretoria da ANPOCS vem a público expressar sua estupefação diante das palavras do governador paulista, Geraldo Alckmin, em reunião com seu secretariado, noticiadas pela Folha de S. Paulo em 27/04/2016, referentes ao que reputa serem “projetos acadêmicos sem nenhuma relevância”, no bojo dos quais inclui as pesquisas da área de sociologia. Tal entendimento do campo científico e acadêmico revela um governante que desconhece não apenas a natureza da pesquisa básica de um modo geral, como das humanidades, e m particular. O governador se mostra também desinformado sobre os gastos de uma agência de fomento sob a sua jurisdição, pois o investimento em pesquisas nas áreas de humanas correspondem a apenas um décimo do orçamento da FAPESP e sua contemplação de forma alguma se constitui num impeditivo ao fomento à pesquisa em outras áreas. O Relatório FAPESP 2014, último publicado, traz a seguinte informação:
“A Fundação apoia pesquisas em todas as áreas de conhecimento. Em 2014, como historicamente tem ocorrido, a área de Saúde foi a que recebeu a maior parte dos recursos (28,56%) (…) Em segundo lugar, com 15,87% do total, veio a Biologia, seguida das Ciências humanas e sociais (10,44%), Engenharia (10,27%) e Agronomia e veterinária (8,21%) e as demais. Somadas, Saúde, Biologia, Agronomia e veterinária, as chamadas Ciências da Vida, receberam, portanto, em 2014, pouco mais da metade (52,64%) do desembolso da FAPESP.” 
(FAPESP, Relatório de Atividades 2014, p. 7.)
O desenvolvimento de uma sociedade requer o avanço do conhecimento nos mais diversos campos científicos e tecnológicos, dos quais evidentemente não se pode excluir o imprescindível conhecimento sobre a própria sociedade. É surpreendente que na atual quadra histórica seja ainda preciso relembrar isto, mormente, quando a necessidade de tal lembrança decorre da manifestação de preconceitos por parte de um governante.”

 

Update: Aí a gente recebe esse e-mail:

 

“Prezado(a) Senhor(a),

Comunicamos que a análise e julgamento de sua solicitação, ao Calendário 2016 de Bolsas no exterior do CNPq, estão, temporariamente, suspensos.

Atenciosamente,

Diretoria Executiva do CNPq”

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Debord e o hiperespetáculo

Apesar dos autores de minha tese morarem muito distante do condado maravilhoso onde habita Debord (acredito que minha tese reside em Mordor), de umas semanas para cá, tenho me deparado com frequência com escritas debordianas. E, some-se a isso as aulas do professor Juremir Machado da Silva, resolvi reler Guy Debord: antes e depois do espetáculo, organizado pelo próprio Juremir e pela professora Cristiane Freitas Gutfreind.

Tinha esquecido da frase impactante (como não poderia deixar de ser) do professor:  “Guy Debord é o homem do século. Passado”. (p. 37). Numa primeira impressão, para uma apaixonada por Debord como eu, essa frase quase mata. Mas aí o texto desenrola com, me desculpem a empolgação, a maestria que só o professor Juremir tem:  não  vivemos mais na era do espetáculo, mas do hiperespetáculo. O espetáculo era marcado por uma contemplação passiva por parte do indivíduo, do espectador, com relação às imagens midiáticas. Essa contemplação teria como objeto um outro distante, idealizado, “superior” – inalcançável. Seria, portanto, um estágio de manipulação, de “servidão voluntária”. Já no hiperespetáculo, segundo o autor, a contemplação continua. Mas é, agora, uma contemplação de si mesmo em um outro, em princípio, plenamente alcançável, semelhante ou igual ao contemplador.

Entendo que, para os autores do livro, o espetáculo é o mundo transformado em economia. Dessa premissa, Tonin (2007), também compartilha.

 

Na sociedade do espetáculo, o sujeito trabalha para ser merecedor de férias, de poder, de consumo. São instâncias apresentadas como subprodutos, finalidades do próprio trabalho, instâncias consumíveis, amplamente vendidas como de possível acesso por todos. E, o que é mais radical, como se o indivíduo fosse capaz de encontrar a felicidade nelas. Para Debord, nada escapa à lógica espetacular do consumo. O espetáculo é o supermercado onde se compram rotinas, valores, lugares, prazeres que perambulam entre produtos multifacetados. (TONIN, 2007, p.51).

Juremir afirma que “[…] em que todos devem ter direito ao sucesso, os famosos simulam uma superioridade fictícia. São tanto mais adorados quanto menos se diferenciam realmente de seus fãs” (SILVA, 2007, p.31).

Ainda segundo este autor (2007, p.31), se o hiperespetáculo não é a eliminação do espetáculo, mas sua aceleração “[…] plasmada no bandido que sorri para a câmera antes de atirar, ou no aumento dos rendimentos da Ciccareli depois de ser filmada, puxando o biquíni para receber, em uma praia espanhola, ‘o doce veneno do escorpião’”, o que dizer da recente aparição de Lady Gaga na cerimônia do Video Music Awards (VMA) usando um vestido feito de carne, cuja estética já virou tendência em Nova York? Trata-se de uma imagem que procura satisfazer quais necessidades humanas?

Em tempos de pós-modernidade ou sociedade “medíocre”, em que o espetáculo, segundo Chaui, converte-se em simulacro e o simulacro se põe como entretenimento; os velhos e novos “trajes”, o sofrimento dos humanos e dos animais, as catástrofes naturais, a política, as festas, guerras, cerimônias religiosas, tudo se converte, por intermédio das velhas e novas mídias em (hiper)espetáculo, em entretenimento e “deserção do real”.

Referências

SILVA, Andréa Tubero.Resenha da obra: GUTFREIND, Cristiane Freitas; SILVA, Juremir Machado da. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. 172 p.

TONIN, J. A imagem em Guy Debord. In: GUTFREIND, C. F.; SILVA, J. M. da. Guy Debord: antes e depois do espetáculo. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2007. p.46-60.

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O triste espetáculo da “democracia sem demos”

05/04/2016 –www.outraspalavras.net

Apoiando-se em Marx, Lacan e Ernesto Laclau, pesquisador grego examina movimento do capitalismo para reduzir política a teatro comandado por medo, consumismo fútil, endividamento e controle social

Yannis Stavrakakis, entrevistado por Julia Goldenberg, em Pagina12 | Tradução: Inês Castilho

A cubana Dazra Novak escreve em seu último romance que “a democracia é um bálsamo vencido”; por outro lado Frank Underwood [personagem do seriado House of Cards], quando assume a presidência dos Estados Unidos, sentencia olhando para a câmara que a democracia está supervalorizada. Em extremos opostos, e por leituras contrárias, ambos suspeitam das falsas pretensões desta forma de governo. No mesmo sentido, a partir de uma perspectiva teórica, Yannis Stavrakakis retoma o conceito de “pós-democracia” – que surge na última década na sociologia e na teoria política – para referir-se a um funcionamento superficial dos mecanismos democráticos, acompanhado por uma queda da participação popular e uma forte centralidade do mercado e da mídia. Como indica Stravakakis, no processo pelo qual a política se apropria do Estado e toma a forma de um “estatismo a favor da mercantilização”, isto é, no qual todo o aparato estatal é colocado a serviço do mercado.

Stavrakakis estudou ciência política em Atenas e análise do discurso na Universidade de Essex, na Inglaterra, onde concluiu seu doutorado sob a supervisão de Ernesto Laclau. Trabalhou nas universidades de Essex e Nottingham. Atualmente é professor de análise do discurso política na Universidade Aristóteles, de Tessalônica na Grécia. Entre suas publicações figuram Lara e o político (Prometeu, 2007) e A esquerda lacaniana (Fundo de Cultura Econômica, 2010). É o principal investigador do projeto de investigação Populismus.

Para o cientista grego, a dívida pública e o predomínio das forças do mercado na política transformam as instituições e os laços sociais e substituem a soberania popular pela soberania do mercado.

Você retoma o conceito de “pós-democracia” como categoria de análise vigente. De acordo com essa perspectiva, como é possível reativar os mecanismos democráticos?

O termo “pós-democracia” surge na última década na sociologia e na teoria política para compreender conceitualmente e marcar criticamente as patologias contemporâneas da democracia liberal, sobretudo em relação às condições que o capitalismo tardio estabelece. Nesse tipo de regime, o aspecto formal das instituições democráticas permanece intacto: por exemplo, as eleições se desenvolvem normalmente para as transições de um governo a outro.

Ainda assim, o debate eleitoral transforma-se num espetáculo controlado, manipulado por especialistas e regulado pelos meios de comunicação dominantes, que selecionam os temas a tratar. A cidadania fica reduzida a um papel passivo. E quando se tenta realizar uma verdadeira mudança, (como na Grécia em 2015), os governos se dão conta de que o alcance dos seus movimentos está muito restringidao por instituições supranacionais supostamente independentes (o FMI, o Banco Mundial ou o Banco Central Europeu, por exemplo).

Nesse sentido, a política em tempos pós-democráticos é conduzida pela interação entre os governos eleitos e as instituições de elite, assim como pelos organismos que representam, majoritariamente, interesses mercantis. Esse predomínio das forças do mercado na política não é considerado escandaloso, como foi no passado. Algo que antes devia ser camuflado de alguma forma, agora de nenhuma maneira de esconde. Isso é assumido abertamente e, na verdade, as instituições públicas estão sobordinadas a esta dinâmica.

A nova gestão pública, nesse sentido, buscou reformar as instituições – hospitais, universidades etc. — de acordo com as tendências do setor privado. Por isso, pós-democracia significa “democracia sem demos”, como indicou Jacques Rancière, onde o o povo desaparece da cena política e seu papel na tomada de decisões é substituído por uma aristocracia tecnocrática, e a soberania popular é substituída pela soberania do mercado.

Em outras palavras, o “povo” é registrado na esfera política como a “população”, como um conjunto numérico de individualidades a ser administrado e disciplinado biopoliticamente. Quando as resistências emergem, quando as novas subjetividades democráticas e populares se formulam, suas demandas são denunciadas e desacreditadas sob a etiqueta de um “populismo” perigoso e irresponsável. Se a defesa das instituições democráticas e dos interesses populares leva hoje o nome de populismo, então talvez o populismo precise ser assumido e canalizado em direções progressistas.

Pode-se traçar uma delimitação geopolítica de acordo com esses conceitos?

O termo “pós-democracia” foi formulado por Collin Crouch e outros pesquisadores, a partir da experiência europeia. Não há dúvida, contudo, que captura uma dinâmica glogal, visível numa variedade de países e regiões. É por isso que se verifica tal amplitude do uso de “pós-democracia” e “pós-política”. Sendo suficientemente flexíveis desde seu início, os termos são empregados cada vez mais para descrever os fenômenos políticos em diversas regiões do mundo, fora do contexto da Europa Ocidental, essa terminologia surgiu originalmente.

Ao mesmo tempo, a crise global que começou em 2008 e teve como foco especialmente a Europa, revelou — por meio da implementação de certas medidas de “austeridade” draconianas — um novo aprofundamento da orientação pós-democática. Hoje a Europa parece estar diante de um novo desafio. Como se pode avaliar o estabelecimento e consolidação – por meio da crueldade – de uma sociedade de dívida neoliberal? Isso é sinal de um aprofundamento da pós-democria, ou antes significa uma passagem para além da pós-democriacia? Se for assim, em que ela se converteu, exatamente?

Ainda que não existam respostas conclusivas, as questões estão postas. Para compreender completamente nossa situação, é necessário levar em conta que o neoliberalismo alemão não deve ser confundido com o laissez-faire, com o resultado de uma ordem natural espontânea (a mão invisível do mercado), mas antes, como Foucault destacou, com uma vigilância permanente, atividade e intervenção. Esta intervenção é de uma natureza particular, muito diferente de, por exemplo, o Estado de Bem-Estar Social. Seu objetivo – frequentemente com imensa brutalidade – é estabelecer o marco para uma possível economia de mercado que intervém na população e reforma o próprio laço social.

Como alguns comentaristas não assinalaram, este é o estatismo sem Estado, estatismo a favor da mercantilização, acompanhado pela liquidação de toda a regulação do mercado e as relações trabalhistas etc. Também aqui, não é um movimento particular da Europa. Por exemplo, a América Latina está se aproximando agora deste modelo. O Chile é o exemplo que viveu uma imposição brutal de um sistema semelhante desde 1970. Estas são dinâmicas globais e só podem ser abordadas em plano global.

Isso significa que esse Estado se reduz à administração da dívida?

Desde a Grécia antiga, a dívida foi um instrumento de dominação e exploração, sempre muito brutal. Não devemos esquecer que o estabelecimento da democracia de Atenas está relacionada com um cancelamento da servidão da dívida, com Solon de Seisachteia. Sabemos também que a dívida funciona para estabelecer e reproduzir relações de dependência colonial.

Em muitas conjunturas históricas, as relações de dívida estruturam o laço social, sobredeterminando os modos particulares de dominação econômica e política. Quando isso acontece – e acontece porque a dívida funciona simultaneamente como uma força econômica, política e moral – é porque produz e condiciona tipos particulares de subjetividades individuais e coletivas, manipulando a dinâmica psicossocial da culpa, da vergonha e do sadismo. É nesses casos que falamos de “sociedades de dívida”.

Em décadas recentes, por exemplo, o pêndulo entre os dois espíritos de capitalismo típicos da modernidade – o primeiro espírito weberiano do ascetismo associado a uma “sociedade da proibição” e o segundo espírito de consumo associado a uma “sociedade de desfrute ordenado” – tomou uma forma marcada por uma dialética entre o estímulo ao crédito e a estigmatização da dívida. No caso da Grécia contemporânea – que não é um caso isolado – vimos como as forças institucionais promovem por sua vez todas estas opções.

No princípio, antes da crise, a acumulação da dívida estava permitida e inclusive se propagou no marco do “espírito consumista” do capitalismo; logo, as mesmas instituições elevaram a dívida a níveis patológicos, para que seja castigada com formas de servidão pós-modernas. Essas lógicas foram aplicadas tanto em nível subjetivo como em nível estatal. Em qualquer caso, a acumulação da dívida, assim como o castigo ao endividamento, constituem momentos contraditórios do mesmo mecanismo, e só deixam a construção subjetiva a serviço da hierarquia social. Então, quando o laço entre os dois falha, inclusive o cancelamento da dívida e o perdão da dívida são chamados para sustentar a ordem social.

Para voltar à Grécia, muitos anos depois da crise, a troika também aceitou processos de reestruturação da dívida. Este cancelamento da dívida (parcial) falhou na hora de fazer alguma diferença real na viabilidade a longo prazo da dívida grega ou na situação atual do povo grego. As promessas de uma gestão mais sustentável da dívida, todavia, ainda são usadas como um chamariz para o futuro. Esta é a razão pela qual a experiência argentina continua sendo tão importante: porque a reestruturação da dívida não era um suporte publicitário ou uma concessão parcial oferecida em troca de uma continuidade das relações de dependência. Ao contrário, foi maciça, e foi imposta por um governo democrático-popular afirmando sua independência.

Por que você sustenta que é necessário estudar as políticas desenvolvidas na América do Sul?

Justamente porque essas políticas foram inicialmente introduzidas na América do Sul, as primeiras resistências também foram articuladas nesta região. Assim, o fim da ditadura de Pinochet no Chile, o colapso do pacto de Punto Fijo na Venezuela e o fracasso do neoliberalismo patrocinado pelo FMI na Argentina confluem numa série de projetos políticos que redirecionaram o equilíbrio do poder até a participação popular no processo de tomada de decisões, facilitando a incorporação socioeconômica dos setores empobrecidos e regulando os efeitos da globalização neoliberal.

Alguns comentaristas qualificaram esta tendência como “progressista”, de “esquerda” ou “populismo inclusivo”, com o objetivo de distinguir seu perfil e suas implicâncias políticas da extrema direita ou do “populismo excludente”, próprio da experiência europeia.

Minha opinião sobre o assunto é que a maioria dos movimentos de extrema direita nunca foram, estritamente falando, populistas, e não deveriam ser descritos como tais: seu principal ponto de referência é a “nação” – não num sentido anticolonial, mas num sentido étnico, inclusive racista do termo. Seu principal adversário não é 1% dos ricos mundiais, mas sim o outro étnico: o refugiado, o imigrante etc. De todo modo, a distinção entre a direita, o populismo excludente (o modelo europeu) e a esquerda, o populismo inclusivo (o modelo sul-americano), foi um primeiro passo, importante, no registro do potencial democrático das demandas populares e dos movimentos e partidos que os representam. O que também é interessante é que a crise econômica europeia e os efeitos de sua gestão neoliberal deslocaram o tradicional sistema de partidos de países como a Grécia, Espanha e Portugal, tornando possível a emergência de outros partidos.

Apresentam-se duas situações: a primeira, em que os países europeus – especialmente os que integram a zona do euro – estão mais limitados em suas opções devido ao avanço da integração transnacional, algo que limita severamente o poder de suas negociações e suas chances de desafiar minimamente a hegemonia liberal paneuropeia (por exemplo, a transformação do rotundo NÃO do referendo grego de julho de 2015, num novo memorando de acordo com a troika).

Creio que só uma tendência igualitária que abarcasse uma grande variedade de países europeus poderia reverter essa situação. Dito de outro modo, unicamente se a Espanha e outros países seguirem a Grécia e Portugal haverá algum tipo de esperança. O segundo desafio é que estes projetos devem refletir sobre as limitações de projetos similares na América do Sul, os quais deviam encarar as recentes derrotas eleitorais como no caso da Argentina e da Venezuela.

É possível aprender com seus feitos e também com seus fracassos, mais evidentes no caso venezuelano? Com sua incapacidade para introduzir um modelo econômico sustentável? Com seu fracasso na hora de substituir lideranças carismáticas por uma crescente participação das instituições? Com suas dificuldades para cultivar um novo ethos democrático político e novos tipos de desejo e consumo capazes de reduzir nossa dependência da globalização neoliberal?

Então, seria possível pensar uma saída regional também para a América do Sul?

Este é um enorme desafio para todas as forças que se opõem ao neoliberalismo pos-democrático. Evidentemente, não devemos esquecer que o problema – a falta de coordenação transnacional – sempre esteve presente e é obviamente muito difícil de enfrentá-lo. Do mesmo modo, um “internacionalismo” baseado na ONU tem demonstrado frequentemente ser impotente e o problema da dívida é um bom exemplo disso. De alguma maneira, as forças pós-democráticas institucionais podem mover-se com eficiência entre a orquestração da ação transnacional e, ao mesmo tempo, a manipulação das sensibilidades nacionais, quando for necessário.

A velha estratégia colonialista de “dividir para reinar” é sempre útil. Em contraste, a longa história dos movimentos de resistência demonstrou que é extremamente difícil articular o pensamento e a ação simultânea em plano nacional e internacional. Sem dúvida, algumas medidas tais como a aprovação na ONU do marco legal para os processos de reestruturação da dívida soberana – impulsionada pela Argentina – têm impacto em qualquer parte do mundo.

Que consequências traz a neutralização do antagonismo político próprio da pós-democracia?

A orientação pós-democrática marginaliza o antagonismo político, priorizando uma perspectiva tecnocrática das questões em jogo e fingindo uma falta de alternativa. O mais importante não é seguir as prescrições universais das políticas neoliberais, mas sim desfrutar delas! Sem dúvida, os efeitos secundários deste tipo de políticas – geralmente impostas a  pretexto de reduzir uma dívida artificialmente inflada – incluem desemprego maciço; queda dos salários, das aposentadorias e dos programas sociais; perda de direitos sociais e trabalhistas; uma espiral descendente da mobilidade social; a expulsão dos cidadãos dos processos tomada de decisão. Em seguida, surgem necessariamente a indignação e o protesto. A necessidade de questionar e criticar, junto com a necessidade de limitar a concentração do poder em mãos das elites irresponsáveis.

John Keane falou sobre o que chama de “democracias monitoradas”, que é um uso pragmático dos procedimentos democráticos, baseados numa pressão pública para combater a concentração de um poder inexplicável. Aqui, os mecanismos de representação da sociedade civil combinam-se com formas inovadoras de monitoramento público do exercício do poder e do controle da corrupção.

Sem dúvida, isso não deve confundir nossas práticas democráticas e convertê-las num marco meramente defensivo. Se a democracia está reduzida a uma variedade de monitoramentos e mecanismos de controle, que lidam com um poder visto como ilegítimo, então a “soberania popular”, base da nossa tradição democrática, será perdida para sempre ao invés de ser rejuvenescida. Meu medo é que a última implicação do argumento da “democracia monitorada” poder ser a legitimação indireta de uma teoria elitista, inclusive da volta ao liberalismo oligárquico.

Nisto devemos ser claros: a democracia supõe um autogoverno no nível mais básico: trata-se de uma demanda pela igualdade de direitos e de participação na tomada de decisões que envolve a totalidade dos cidadãos. Sem dúvida, não podemos esperar que os cidadãos estejam sempre alertas, dispostos a dedicar seu tempo e sua energia em debater e decidir sobre todas as coisas. É por isso que os gregos antigos estabeleceram um conjunto de prêmios para a participação e um conjunto de castigos para quem não participava da vida democrática pública.

Sabemos, além disso, por Maquiavel, que uma dificuldade aqui tem a ver com o desejo: em oposição ao desejo dos ricos e poderosos, que é um desejo de “mais e mais”, o desejo do povo, dos marginalizados e oprimidos é um desejo definido negativamente. O povo primeiro deseja “não ser dominado”; certamente deseja não sê-lo de maneira brutal, antidemocrática e pouco digna. É por isso que as lutas populares enfrentam dificuldades no estabelecimento de suas metas e, paradoxalmente, tendem a aceitar os objetivos de seus adversários. Quer dizer, quando um povo previamente empobrecido e excluído recupera, por exemplo, um status de classe média, pode acontecer que chegue a negar sua situação passada e comece a comportar-se de maneira hierárquica, elitista e excludente.

Em outra entrevista você assinalou que os regimes políticos europeus são débeis porque o mercado ocupa um lugar central, mas como nenhuma pessoa pode apaixonar-se pelo mercado, isso fica facilmente debilitado. Sem dúvida, os vaivéns da economia mostram que o mercado também se apaixona.

Se nos concentramos nas regiões que mencionamos, Europa (com sua crise econômica centrada especialmente no sul) e América do Sul, podemos dizer que vivem uma trajetória semelhante, mas com uma disposição distinta das etapas históricas. A Europa, por exemplo, enfrenta uma crise parecida com a que levou a Argentina ao calote. Com o domínio do ordoliberalismo alemão, baseado na chantagem e na extorsão, num “consentimento” forçado, no qual a dívida funciona como o instrumento principal de disciplina subjetiva e coletiva.

Enquanto que na Argentina, logo depois de passar pelo colapso de um sistema construído em torno da dívida e da coerção, e tendo logo reconstruído sua economia e a democracia, atualmente parecem haver esquecido as dificuldades do passado e voltado a abraçar as promessas de um futuro dominado por um consumo neoliberal imaginário. Isso significa que muitos setores na Argentina optaram por um retorno à “normalidade”, uma volta ao capitalismo tardio. Não há nada de extremamente fora do comum em tudo isso. Como sabemos graças a Jacques Lacan, as pessoas desejam o que lhes falta. O objeto que cumpre essa função não é eterno nem fixo, está histórica e culturalmente determinado. O mais importante, também pode mudar da esfera política à esfera privada. Em seu livro Circunstancias cambiantes, Albert Hirschman demonstrou como nossa vida pode seguir um ritmo circular, passando por períodos de uma intensa participação pública inspirada em ideais altruístas, ou por uma despolitização extrema nos períodos em que o interesse individual e a realização pessoal têm prioridade.

http://outraspalavras.net/capa/o-triste-espetaculo-da-democracia-sem-demos/

 

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Lista traz revistas científicas em Comunicação com chamadas abertas

A Thaísa Bueno, professora no curso de Comunicação Social – Jornalismo na UFMA de Imperatriz (MA), doutora em Comunicação Social pela PUC do Rio Grande do Sul e mestre em Letras pela UFMS divulgou no blog dela uma lista de revistas científicas em Comunicação com chamada aberta. Arrasou!

 

Revista Qualis Prazos
Rebej B3 10 de abrilTema desta edição “Convergência de mídias no exercício do jornalismo: da academia ao mundo do trabalho”
Contracampo ? Fluxo contínuo
Rádio-Leitura B5 De : 05 de abril01 de setembro

 

Anagrama B5 Fluxo Contínuo
Ciberlegenda B1 Tema livre ou dossiê “quadrinhos e viagem15 de março
Transinformação A1
Revista Compolítica (Compolítica) B1 Fluxo Contínuo
Revista Logos (UERJ) B1 Fluxo Contínuo
Revista Comunicação, Mídia e Consumo (ESPM) B1 Fluxo Contínuo
Revistas da Famecos A2 A partir de 1 de março
Galaxia A2 Permanente
Revista Mediação B3 O prazo de envio de submissões será até o dia 15 de abril de 2016.Edições previstas:

 

Jan/jun 2016: Processos Culturais Contemporâneos

Jul/Dez 2016: Mídia e Diversidade cultural

Jan/Jul 2017: Mídias, escutas e contemporaneidade

 

Journalism Research and Education Online B3 Envio do artigo completo: 30 de abril de 2016
Aceites: 30 de maio de 2016.
Publicação: julho de 2016Tema: “Memória, Comunicação, Mídia e Educação”.
Revista Arte y Políticas de Identidad ??? – internacional ATÉ 30 de junhoData de publicação: dezembro 2016

Tema: 

TRANSNACIONALIDADES ESTRANHO: CULTURA VISUAL, Cinema, narrativas, micropolítica .

Revista observatório ??? FLUXO CONTÍNUO – com foco na discussão acadêmica e em estudos interdisciplinares avançados no campo da Comunicação, do Jornalismo e da Educação. A revista nasce internacionalizada, possuindo editores no Brasil, Cabo Verde, Moçambique e Portugal 
Quanta – Comunicação e cultura NÃO TEM 30 de abril  – temas aceitos Estudos em Linguagem, Comunicação, Cultura e Mercado,
Vozes e Diálogos B3  Ainda não divulgou
Parágrafo B4 Fluxo Contínuo
Contracampo B1 Fluxo Contínuo
Logo –(Laboratório de Orientação da Gênese Organizacional – Universidade Federal de Santa Catarina
Revista Internacional de Folkcomunicação B3 Fluxo contínuo – mínimo mestrando
Intexto B3 Fluxo Contínuo
Matrizes A2 Fluxo Contínuo – só doutores
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