The Cruel Radiance – Foto de menino refugiado morto na praia atrai atenção para crise

A imagem do corpo de um menino de três anos encontrado à beira do mar na Turquia repercute internacionalmente, se espalha por redes sociais e aumenta a tragédia humana dos milhares que refugiados que tentam diariamente chegar —muitas vezes sem sucesso— à União Europeia.”

Assim começa a matéria da Folha de S. Paulo. O UOL divulgou um texto em que explicava os motivos de ter exposto a fotografia em página principal.

A primeira coisa que me veio a cabeça foram as aulas da Simonetta Persichetti, na cásper Líbero, sobre a urgência de olharmos as fotos de frente.  Bom, já fiz um post sobre isso (aqui) e no meio dos pensamentos sobre essa imagem chocante, lembrei da Simonetta reiterando a Linfield: “essas fotografias nos alertam para a necessidade da vigilância e do raciocínio a respeito do que nos mostram. As fotografias não podem explicar as complexidades das histórias ou suas causas. As fotografias são vislumbres poderosos, sugestões poderosas. A autora pede para os telespectadores tornarem-se mais proativos em vez de se lamentarem eternamente sobre todas as coisas que as fotografias não podem fazer e não nos dizem, e todos os caminhos que não podem percorrer.”

Que as pessoas parem de condenar aqueles que estão fugindo e passem a olhar para essa questão como algo sério e não apenas como “isto é”, mas também como “isto não deve ser”.

 

Every image of barbarism – of immiseration, humiliation, terror, extermination – embraces its oppsite, though sometimes unknowingly. Every imagem of suffering says not only, “This is so”, but also, by implication: “This must not be”; not only, “This goes on”, but also, by implication: “This must stop”. Documents of suffering are documents of protest: they show us what happens when we unmake the world. (LINFIELD, 2010, p. 33).

Linfield firma que uma das vantagens da fotografia é justamente essa, a de trazer para perto qualquer coisa que se possa pensar sobre. Linfield diz que as pessoas muitas vezes falam sobre o horror da guerra, e sobre a necessidade de construção de uma política de direitos humanos, em termos extremamente abstratos, mas esquecem que há a necessidade do engajamento e questionamento sobre o que a guerra realmente faz com as pessoas, o que é que a opressão política, o sofrimento e a derrota fazem. Fotografias, mais do que qualquer outra forma de arte ou qualquer jornalismo, oferecem uma conexão imediata, visceralmente emocional para o mundo. É essa conexão emocional com a imagem que está no coração de seu livro, que ela identificou como o “tecido conjuntivo de preocupação” para os outros que engendra a fotografia, como ela o chama para a necessidade de “integrar emoção na experiência de olhar”.

Na minha dissertação eu passo por esse tema. Na Alterjor tem uma resenha sobre o livro da Susie Linfield.

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