Arquivo mensal: novembro 2014

Espetáculo e Poder Simbólico / Comunicação e Imagem

A minha colega do grupo de pesquisa Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, a mestranda Vivian Santana Paixão passou o link para baixar os livros nos quais eu publiquei capítulos. Também tem nesse link outros livros da Casper Líbero que podem interessar os pesquisadores de comunicação. O link para baixar todos os livros da Casper está aqui. Para baixar os livros em que tenho textos, só clicar nas imagens abaixo.

Espetáculo e Poder Simbólico

Comunicação, Entretenimento e Imagem

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COMPOLÍTICA 2015

VI Congresso da COMPOLÍTICA será realizado no Rio de Janeiro

O VI Congresso da Associação Brasileira de Pesquisadores em Comunicação e Política (COMPOLÍTICA) será realizado entre os dias 22 e 24 de abril de 2015, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Constam da programação prévia uma conferência de abertura (com convidado internacional), quatro mesas-redondas e a apresentação de trabalhos, distribuídos em 9 GTs que cobrem os principais temas da especialidade.

 

Datas importantes:

Submissão de resumos expandidos: até 1º de fevereiro de 2015.

Resultados das propostas selecionadas: até 20 de fevereiro de 2015.

Envio do paper completo: até 30 de março.

Realização do VI Congresso da COMPOLÍTICA: de 22 a 24 de abril de 2015.

 

Em breve, serão divulgadas, no site da entidade [www.compolitica.org], as demais regras para submissão de propostas.

 

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“A fábrica de papers”, por Pablo Ortellado

*Recebi do Rafael Balseiro Zin o link para o blog do Professor Medina com esse texto que reproduzi. Obrigada, Rafael!

 

A organização do trabalho na universidade está passando por uma profunda modificação: ela não é mais voltada para a realização de pesquisas exemplares que disputem o reconhecimento dos pares, mas para a conquista de metas de produtividade que gerem reconhecimento credencial das instituições de avaliação. A universidade se parece cada vez menos com um colegiado aristocrático de cientistas desinteressados e cada vez mais com uma fábrica de papers: uma fábrica povoada de operários obedientes. O resultado desta mudança de perfil organizacional não é apenas burocratização e aceleração do trabalho – ela também gera uma profunda corrupção do sistema de comunicação científica.

Um mercado concorrencial de papers

A pesquisa universitária se constituiu modernamente segundo o modelo do colegiado aristocrático de cientistas desinteressados – pesquisadores que, emancipados da lógica econômica, podiam ociosamente investigar o mundo. Para isso foram criados os sistemas de estabilidade (as cátedras e ostenures) e independência acadêmicas (autonomia de pesquisa) que simulavam as condições sociais da pesquisa aristocrática do século XVIII. Embora houvesse algo de anacrônico neste modelo, ele parece ter se ajustado bem às estruturas capitalistas modernas até o fim do boom científico posterior à segunda guerra mundial. No entanto, junto com a crise do estado de bem-estar, a “excepcionalidade” organizacional da ciência foi posta em xeque. Não há ainda consenso sobre o que causou essa mudança. Dardot e Laval, num artigo célebre, atribuem essa mudança ao neoliberalismo – que não consistiria na simples desregulamentação econômica, mas na ampliação da lógica da competição de mercado para todas as esferas da vida. Uma outra explicação para o fenômeno seria a emergência da economia do conhecimento que teria aproximado as formas de organização da empresa capitalista e da universidade num processo que Steven Vallas e Daniel Kleinman chamaram de “convergência assimétrica”.

Seja qual for a explicação, o princípio orientador da mudança em curso faz a universidade operar como se fosse uma fábrica produzindo para um mercado concorrencial. Apesar de não ser uma organização econômica e não vender papers, a universidade passa a ser pensada no modelo input(trabalho humano)/ output (papers e patentes) e se orientar por metas objetivas e crescentes de produtividade. Quando os propositores do modelo são chamados a se explicar, geralmente expressam dois tipos de preocupação: por um lado, diminuir a ociosidade e aumentar a “intensidade” da atividade científica (chamada, sem meias palavras, de “produtividade”) e, por outro, aperfeiçoar os processos de avaliação administrativa fornecendo parâmetros objetivos de mensuração do sucesso.

O objetivo da revolução gerencial na universidade parece ser o de laborizar a atividade científica, submetendo-a a padrões de gestão empresarial. Mas por que o modelo econômico-gerencial deveria ser adequado para gerir a ciência? Em outras palavras, precisamos, os cientistas, ser menos “ociosos” e ter padrões “quantitativos” de administração e controle?

O quantitativo e o qualitativo

Ao introduzir indicadores quantitativos para controlar o trabalho científico, o modelo econômico-gerencial enfrenta uma dificuldade: os resultados da pesquisa científica não têm uma dimensão quantitativa inerente cuja relevância seja suficiente para a avaliação. O único critério quantitativo imediato é o número de artigos produzidos. No entanto, esse indicador isolado é muito impreciso, já que os papers variam em qualidade. O que faz então é incorporar e quantificar a avaliação qualitativa do sistema de publicação por pares das revistas científicas: presumindo que a avaliação da qualidade foi feita pelas revistas científicas, passa-se a quantificar o número de artigos publicados em revistas com revisão por pares. Mas esse novo indicador ainda é impreciso já que os periódicos diferem em rigor de avaliação. Por isso, são utilizados critérios adicionais como os de fator de impacto (a quantidade média de vezes que um artigo de uma determinada revista é citado) para ponderar o valor da publicação em cada revista. Ainda para evitar imprecisões, o sistema restringe a comparação da avaliação apenas para um mesmo campo científico. O resultado é um sistema de pontos onde cada artigo é ponderado por um fator relativo à importância da revista. Gera-se assim uma pontuação que permite hierarquizar todos os cientistas de um campo científico de acordo com a sua “produtividade”: quanto mais artigos se publica em revistas importantes, mais produtivo se é. Essa pontuação fornece parâmetros objetivos para todas as necessidades de seleção do sistema de administração da ciência: a contratação, a promoção na carreira e a distribuição das verbas de pesquisa.

Embora evidentemente facilite a administração científica, ao baseá-la em indicadores, o sistema de avaliação científica econômico-gerencial tem pressupostos de duvidosa razoabilidade. Poucos cientistas considerariam razoável comparar e hierarquizar quantitativamente dois artigos sérios de pares de duas sub-áreas distintas – por exemplo, um artigo de sociologia da religião e um artigo de sociologia do trabalho. Que tipo de critério não arbitrário permitiria definir qual artigo é “melhor” e ainda por cima quantificar esse grau de superioridade qualitativa? Ao hierarquizar as revistas e conceder a elas pontos distintos, a avaliação faz justamente isso: diz que um artigo publicado na revista A é “1,7 vezes melhor” que um artigo publicado na revista B, independente do seu conteúdo. Diz também que uma pesquisa que gera quatro artigos é “duas vezes melhor” que uma pesquisa que gera apenas dois.

Uma vez explicitados os fundamentos lógicos do sistema de avaliação, eles parecem simplesmente absurdos.

Corrupção da comunicação científica

Ao publicizar as regras, o sistema de avaliação estimula os cientistas a competirem entre si para maximizar as chances de publicação nas melhores revistas, criando um mercado concorrencial. Em tese, esta competição levaria os melhores cientistas a terem seus papers mais frequentemente aceitos pelas melhores publicações. No entanto, o resultado é uma disputa por produção de indicadores e não pela qualidade dos artigos. Se forem atores racionais orientados para maximizar os seus interesses de serem contratados, subirem na carreira e aumentarem suas verbas de pesquisa, os cientistas não priorizarão fazer pesquisas de qualidade, mas gerar o maior número de papers com potencial de serem aceitos em revistas bem avaliadas.

É justamente o desacordo entre os dois objetivos que leva à corrupção do sistema de comunicação científica. Quando a ciência se orientava para a disputa por reputação, os cientistas se empenhavam em realizar pesquisas exemplares que impressionassem o julgamento qualitativo dos pares. Com o sistema de avaliação econômico-gerencial esse objetivo é subordinado ao de atender os indicadores de produtividade de pesquisa. Isso não apenas faz com um tempo excessivo seja dedicado às estratégias de publicação, como estimula e legitima práticas de comunicação corrompidas: publicar o mesmo argumento em artigos diferentes; apresentar uma mesma ideia em partes, publicadas em diferentes artigos; publicar ideias imaturas; co-assinar artigos nos quais a colaboração foi apenas pontual; etc.

Num sistema concorrencial com avaliação puramente quantitativa e regras publicizadas, o purismo de se abster destas práticas corrompidas é apenas moralismo antieconômico. Do ponto de vista sistêmico, o recurso às práticas corrompidas está disponível a todos – bons e maus cientistas – e cabe apenas aos bons se aproveitar mais das oportunidades do que os maus.

Mas esse ainda não é o problema principal. O conjunto do sistema de comunicação científica se desarticula com a disseminação destas práticas. Como o sistema premia o número de artigos publicados, o resultado é um inchaço do número de artigos que faz multiplicar a irrelevância, a repetição e a fragmentação. Torna-se assim cada vez mais difícil encontrar o artigo importante no meio do oceano de papers irrelevantes, redundantes e parciais que nunca deveriam ter sido publicados. Em muitas áreas consolidadas, a quantidade de artigos é tamanha que já não é mais possível fazer uma revisão bibliográfica completa. A situação chegou a um ponto tão crítico que um recente estudo encomendado por gestores de importantes universidades americanas comparou o processo a uma “corrida armamentista” e recomendou com urgência a adoção de políticas de “publicação responsável”.

Além da crítica negativa

A avaliação econômico-gerencial não consegue de maneira apropriada separar a boa da má pesquisa, é incapaz de hierarquizar os cientistas de um mesmo campo e submete os pesquisadores a um regime de produção acelerado e orientado para a publicação de artigos supérfluos. Ela coloca os cientistas na condição de operários e os gestores na condição de patrões impiedosos.

A comunidade científica, no entanto, tem muitas vezes resistido a essas investidas contra os seus valores e práticas tradicionais de uma maneira negativa. Isso permite que os gestores assumam a cômoda posição de dizer que o modelo econômico-gerencial é o único modelo de avaliação disponível e que os opositores a ele não dispõem de um paradigma que seja operacional. Com o crescimento do sistema universitário e o aumento da pressão social pelo controle dos gastos com a ciência há uma urgente necessidade de um modelo de avaliação que permita a supervisão pública e critérios de distribuição dos recursos.

Por isso, precisamos desenvolver um sistema de avaliação que esteja de acordo com os nossos valores: que seja democraticamente construído e acordado; que seja fundamentalmente qualitativo e realizado por pares; que avalie os ciclos de pesquisa, respeitando a sazonalidade da divulgação dos resultados; que compreenda o valor das diferentes modalidades de publicação (relatórios técnicos, livros, apresentações em congressos etc.); que tenha parâmetros internos às diferentes áreas; que compreenda as particularidades das novas áreas (que não têm departamentos e programas, nem revistas e congressos) e das áreas interdisciplinares (cujos resultados são apresentados e publicados em campos de pesquisa diferentes).

Reunir essas preocupações num sistema de avaliação viável não parece um objetivo inexequível. Se queremos sair da posição de operários obedientes precisamos abandonar a fábrica e construir uma alternativa a ela. Não é suficente reclamar do patrão ao final da jornada.

Fonte: gpopai

Referências:

Dardot, P.; Laval, C. Néolibéralisme et subjectivation capitaliste. Cités. v. 1, n. 41, 2010. p. 35-50.

Kleinman, D. L.; Vallas, S. P. Science, capitalism, and the rise of the ‘knowledge worker’: The changing structure of knowledge production in the United States. Theory and Society. v. 30, n. 4, 2001. p. 451-492.

Kleinman, D. L.; Vallas, S. P. Contradiction, Convergence, and the Knowledge Economy: The Co-Evolution of Academic and Commercial Biotechnology. Socio-Economic Review. v. 6, n. 2, 2008. p. 283-311.

Hartley, D.; Acord, S. K. Peer Review in Academic Promotion and Publishing: Its Meaning, Locus, and Future. Berkeley: Center for Studies in Higher Education, 2011.

 

 

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Seminário Mídia, Política e Eleições

Nessa semana aconteceu o Seminário Mídia, Política e Eleições na PUC. Foram 30 trabalhos apresentados em dois dias e um debate muito enriquecedor. Abaixo seguem algumas fotos do evento.

Da dir. para esq.: Prof. Rose Coelho, Cláudio Coelho e Vera Chaia

Da dir. para esq.: Prof. Rose Coelho, Cláudio Coelho e Vera Chaia

Apresentações

Apresentações

Eu!

Eu!

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Prof. Miguel Chaia e a época da reprodutibilidade acadêmica

Vocês já devem ter ouvido falar do livro “A obra de arte na época da reprodutibilidade técnica”, de Walter Benjamin. O texto mexe com o status da obra de arte, retirando-lhe o que Benjamin chamou de “aura”, ou seja, aquela característica que a torna única, a experiência da contemplação “aqui e agora”. Para além do artístico, o autor revela as consequências dessa revolução para os campos social e político.O que Benjamin chama em seu texto de “reprodutibilidade técnica” é, na verdade, a entrada do processo industrial na produção artística. A reprodutibilidade tira da obra de arte sua aura e com isso, eu diria, seu próprio status de obra de arte.

Em 2013 fiz vários posts falando sobre a exigência que nós, pesquisadores, temos de produzir, produzir e produzir. No IBERCOM, o prof. Miguel Vicente questionou se estávamos em condições de importar talentos, visto que o debate era que a academia americana seria preconceituosa com os trabalhos latinos. Já comentei que, aqui no Brasil, a exigência pela produção QUANTITATIVA é  mil vezes maior do que pela produção QUALITATIVA e isso explica muita coisa. Não estamos em pé de igualdade com os americanos porque temos que produzir qualquer coisa para ser publicada. Estamos apenas Reproduzindo. Não temos mais a aura.

Por que estou falando tudo isso? Porque ontem fui surpreendida com a notícia de que o professor Miguel Chaia ( não vou me ater em apresentações, um simples “google” fala por si) havia sido “descredenciado” da pós da PUC.  Na verdade, ele “pediu para sair” conforme vocês verão abaixo. Existem os critérios de avaliação de “produtividade” da CAPES, os quais expressam cada vez mais um processo de delinquência acadêmica. O processo, puramente quantitativista, produz resultados desastrosos. Acabou refletindo num dos maiores intelectuais brasileiros: o professor Miguel Chaia. 

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Abaixo, reproduzo a carta do professor ao Programa de Pós-graduação da PUC. O professor nem imagina que estou publicando. A carta, como vocês imaginam, rodou. E é emocionante. SEM MAIS.

São Paulo, 27 de outubro de 2014.

À Coordenação do PEPG em Ciências Sociais

O soco acadêmico me pegou de jeito, bem no fígado: rebaixamento a professor colaborador, eufemismo para descredenciamento. Experimentei o constrangimento de perder as credenciais num bom momento da carreira, sentir-se um convidado em sua própria casa.

Considero injusta a sentença lançada sobre as minhas atividades acadêmicas, emitida pela comissão de avaliação e pela coordenação do programa. Discordo do resultado e do processo que levou a esta sentença, mesmo que ele tenha se dado no interior de uma tendência atual nas universidades.

Além do mais acho omissa, burocrática e insensível a coordenação do programa, tão apegada ao exercício do pequeno poder que nem suspeita que dois mais dois são cinco. É preciso ter sabedoria e boa vontade para defender sim, simultaneamente, os interesses da instituição e de seus pares.

Acho injusta a sentença, pois no período da avaliação, produzi um dos melhores textos da minha trajetória – longo, denso e criativo – fruto de mais um ano de pesquisa meticulosa sobre arte e micropolítica. Ele foi publicado pela Editora Cosac Naify, que tem Prêmio Nobel em seu catálogo.

Acho injusta a condenação, porque no período em questão organizei um substancioso livro sobre cinema e política, do qual produzi um capítulo. Selecionei os textos, li, reli, tive dúvidas e após um bom tempo já está no prelo pela Editorial Azougue (RJ).

Acho injusta a sentença, pois nesta época toda, fui diretor da EDUC, fantástica editora universitária da PUC-SP. Nesta fábrica magnífica de pontuações para a CAPES, incentivei a publicação de dezenas de livros e revistas. Professores da casa e de outras universidades receberam, pela EDUC, inúmeras pontuações.

Acho injusta a condenação, pois no período em questão participei da diretoria da Bienal Internacional de São Paulo e de seu comitê curatorial que elegeu em suas edições o tema “Arte e Política”, sem remuneração, levando o nome da PUC-SP e do NEAMP para além dos muros da universidade.

Acho injusta a sentença porque participo como um dos pesquisadores principais do Projeto Temático/FAPESP “Lideranças Políticas no Brasil: características e questão institucional”.

Acho injusta a condenação, pois há três anos estou aperfeiçoando um longuíssimo texto sobre o Poder Político em William Shakespeare, a partir do seu aprendizado com Maquiavel. Só agora é que ele está quase pronto para ser encaminhado para eventual publicação. Para mim o processo intelectual é lento, gostosamente penoso, que exige reflexão demorada e uma íntima contemplação.

Critico a coordenação por não defender seus pares, por não dificultar a aplicação da pena, por deixar que professores sérios e históricos recebessem penas imerecidas.

A coordenação foi ineficiente ao aplicar a penalidade quando já estavam planejadas as atividades acadêmicas para o primeiro semestre de 2015.

A coordenação foi deselegante na forma como conduziu a comunicação da sentença aos professores.

Conclusão: por isso tudo inicio um processo para me desligar do PEPG em Ciências Sociais. Não tenho mais a mínima vontade de atuar junto ao programa. Ficarei apenas o tempo necessário para orientar os excelentes mestrandos, doutorandos e um pós-doutorando sob a minha responsabilidade.

Sou produtivo e escrevo muito, para o meu aprendizado e formação intelectual, para os meus interlocutores e, principalmente, para o meu prazer. Não gosto de ser medido por números rasos. Mesmo que eu já tenha construído um significativo espaço para contribuir com o desenvolvimento do programa, desde o início dos anos 90, agora não quero mais trabalhar nele. Simples assim, com certa leveza: bye, bye pós-graduação.

Miguel Chaia

 

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