Arquivo mensal: junho 2014

O analfabeto político

Por Bertolt Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.

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CAPES afirma: método dialético-materialista não é científico

A Mara Rovida, minha colega de grupo de pesquisa e doutoranda da USP em Comunicação Social, enviou-nos esse texto hoje pela manhã, IMPORTANTÍSSIMO.

“Entrevista  exclusiva com Ivanete Boschetti

 

O parecer negativo da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) ao projeto “Crise do capital e fundo público: implicações para o trabalho, os direitos e as políticas sociais” faz vir à tona uma questão crucial para as ciências humanas no Brasil. Não pela recusa em si, mas principalmente pela justificativa utilizada pelo parecerista responsável. Nele está escrito que o projeto não tem mérito técnico-científico porque é fundamentado no método dialético-materialista histórico, e este, segundo tal parecerista, não é científico. E, partindo dessa premissa, todos os demais quesitos foram desqualificados. Leia o parecer do CAPES http://cressrj.org.br/site/wp-content/uploads/2014/06/Parecer-1.pdf

Pluralidade, liberdade ideológica e respeito à história do pensamento ocidental dos dois últimos séculos foram desprezados. E, coincidentemente ou não, nenhum projeto do Serviço Social foi aprovado no referido edital. Cerca de 90% dos aprovados são das áreas exatas e biomédicas.

Apresentado por um grupo que reúne três instituições de ensino superior públicas (UnB, UERJ e UFRN), 19 docentes pesquisadores (sendo quatro pesquisadores bolsistas do CNPq), nove doutorandos/as, 15 mestrandos/as e 27 discentes da graduação, também sua não recomendação porque as equipes proponentes e associadas haviam acabado de participar de um projeto com duração de quatro anos. Porém, o Edital 071/2013, no qual o grupo se baseou, não apresenta como critério de recomendação ou não a participação anterior em outros editais.

No dia 30 de maio o grupo de pesquisadores impetrou recurso conforme prevê o edital. Como o espaço para tal ação é de apenas 5 mil caracteres, um documento de recurso mais detalhado foi enviado ao presidente do CAPES.

Leia o recurso apresentado http://cressrj.org.br/site/wp-content/uploads/2014/06/Recurso-Procad-UnB-UFRN-UERJ-1.pdf

O que há no recurso

No item Formação e aperfeiçoamento de recursos humanos, o parecer diz: “Sim, entretanto, a formação proposta estaria no âmbito do método marxista histórico-dialético, cuja contribuição `a ciência brasileira parece duvidosa” (erro de digitação está no texto do parecer).

Tomando por base esta afirmativa, o recurso apresentado pelo grupo de pesquisadores questiona, textualmente, “O que seria das ciências sociais e do estudo da Formação Social, Econômica e Política Brasileira se não dispusessem de obras de autores como Florestan Fernandes, Caio Prado, Octávio Ianni, Paulo Freire, Carlos Nelson Coutinho, Francisco de Oliveira, Leandro Konder, Roberto Schwarz, Antonio Cândido, Jacob Gorender, Nelson Werneck Sodré, Marilena Chauí, Emir Sader e José Paulo Netto, para citar alguns autores que fizeram e fazem ciência social baseados no Método do Materialismo Histórico Dialético? São autores reconhecidos mundialmente como essenciais na formação de gerações que pensam criticamente a realidade social e contribuíram e contribuem enormemente para desvendar o Brasil e as reais e múltiplas determinações da desigualdade econômica e social, para explicar os processos de estratificação social e concentração de propriedade, renda e poder, além do amplo universo de reivindicações de direitos presentes em praticamente todas as cidades brasileiras, bem como em nível mundial”.

Ter um projeto não aprovado faz parte das regras democráticas, destaca a equipe. Mas os critérios utilizados demostram para que caminhos a universidade brasileira pode estar se dirigindo. Conheça, pelos links abaixo, os documentos referentes ao parecer e o recurso.

Não apenas o Serviço Social, mas as ciências sociais como um todo precisam estar atentas aos critérios apresentados pela CAPES. Afinal, o parecerista acaba sendo “parte” da instituição, manifestando-se em seu nome.

Há na Internet um abaixo-assinado direcionado ao presidente da CAPES, Jorge Guimarães: Em defesa da liberdade acadêmica e das ciências humanas e sociais. para participar é só clicar aqui https://secure.avaaz.org/po/petition/Presidente_da_CAPES_Jorge_Guimaraes_Assegurar_a_liberdade_de_escolhas_teoricas_teoricometodologicas/?launch

Leia, abaixo, entrevista com a coordenadora do projeto, professora da UnB, Ivanete Boschetti.

As Perguntas

1) O que pode significar para as ciências sociais no país a posição do parecerista do CAPES ao afirmar que o método dialético-materialista histórico não é científico?

Ivanete Boschetti – . Por um lado significa um total desrespeito à liberdade de escolha teórico-metodológica, que expressa cerceamento e filtro ideológico na seleção de projetos para recebimento de recursos públicos. Isso fere totalmente princípios constitucionais de isenção, impessoalidade e objetividade no trato da coisa pública. Por outro lado, significa uma desqualificação e desrespeito ao Método Dialético-Materialista, que fundamenta, historicamente, uma das mais profícuas e importantes fontes de produção de conhecimento e explicação sobre as relações sociais e a sociedade, no Brasil e em todo o mundo.

2) Que impacto o argumento desqualificador do método materialista-histórico como método científico teria para as estratégias de implementação do Projeto ético-político da profissão tanto no âmbito da formação quanto no âmbito do trabalho profissional?

Ivanete Boschetti – Esse tipo de argumento tenta instaurar o “pensamento único” e autoritário, que só tem um propósito: manter e reiterar a sociabilidade capitalista. Pareceres dessa natureza querem drenar o apoio à pesquisa e investimento em processos formativos conservadores, que não se colocam como preocupação o questionamento desta sociabilidade. O Projeto Ético Político Profissional tem, nos Projetos Pedagógicos fundados na teoria crítica, um importante pilar de sustentação teórico-metodológica. Assim, pareceres que ceifam a possibilidade de apoio público a projetos baseados na abordagem teórico-metodológica marxista, não estão somente realizando o cerceamento ideológico; estão também disputando o fundo público e drenando o orçamento para projetos que não criticam a ordem do capital. Defender a cientificidade do Método Dialético Materialista é, também, defender os fundamentos do nosso Projeto Ético Político Profissional.

3) Cerca de 90% dos projetos aprovados não pertencem às ciências sociais. Nem, educação, nem antropologia, comunicação… O que isso sinaliza, na sua opinião?

Ivanete Boschetti – Sinaliza uma clara priorização das áreas consideradas como “técnicas” ou que estariam, em algumas interpretações, na ponta das pesquisas científicas – exatas e biomédicas -. Significa desvalorizar e desconsiderar a contribuição das ciências humanas e sociais para o estudo e compreensão crítica da formação social brasileira, de seus processo de criação e reprodução da desigualdade social. Significa colocar estas áras no limbo da pesquisa, pois é muito difícil fazer pesquisa sem recurso publico.

4) A senhora já teve a informação de algum parecer semelhante no Brasil ou no mundo?

Ivanete Boschetti – Não. Jamais tinha ouvido falar de um parecer ideológico tão explícito e declaradamente antimarxista nas sociedades democráticas. Só vivemos a explícita perseguição ao marxismo em regimes autoritários e fascistas.”

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Ciberjornalismo / Chamada de trabalhos

Gurizada que estuda Ciberjornalismo tem chamada de trabalhos aberta para Congresso Internacional. Reproduzo as informações que recebi.

Por medio de la presente os comunico que se abre el periodo de presentación de propuestas de comunicación para el VI Congreso Internacional de Ciberperiodismo y Web 2.0 (“Audiencias como garante de la calidad de la información”) que se celebrará en Bilbao del 17 al 18 de noviembre de 2014.

 

Este año está prevista la presencia, entre otros, de Pablo J. Boczkowski (School of Communication / Northwester University; EEUU);Vittadini Nicoletta (Catholic University of Milan; Italy); Ari Heinonen (University of Tampere; Finland); Anne Geniets (University of Oxford; United Kingdom); José Manuel Noguera Vivo (Catholic University of San Antonio; Murcia-Spain); Bella Palomo Torres (University of Malaga; Spain

 

Todas las propuestas que se presenten deberán tener relación con la temática del Congreso.

Todas las comunicaciones que no se adecuen a las normas de estilo serán rechazadas.

Las propuestas de comunicación deben ser enviadas a ciberpebi@gmail.com.

 

Sólo se aceptará una propuesta como primer autor/a, aunque se pueden enviar otras propuestas como coautor/a (segundo,…).

 

Todas las comunicaciones aceptadas serán publicadas en las actas del Congreso, con ISBN.

Las fechas a recordar relacionadas con el congreso son las siguientes:

17 junio 2014

Se abre el plazo para presentar propuestas (resúmenes) de comunicaciones.

31 julio 2014

Finaliza el plazo para el envío de propuestas de comunicación.

30 septiembre 2014

Termina el plazo para el envío de los textos de las comunicaciones.

1 septiembre 2014

Se abre plazo de inscripción tanto para participantes con comunicación aceptada, como para todos los interesados.

14 noviembre 2014

Termina la inscripción de comunicantes y participantes sin comunicación.

17 de noviembre 2014

Inicio del Congreso.

 

Para cualquier duda o aclaración, contactar con koldo.meso@ehu.es o ciberpebi@gmail.com

Toda la información sobre el Congreso en http://ciberpebi.wordpress.com

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País do futebol

Apenas como constatação: a capa do Jornal Folha de S. Paulo de 6 de junho;

6dejunho

Política, caos, metrô. No canto esquerdo, uma notinha sobre a seleção. Agora, vejamos a capa do jornal no dia 13 de junho.

13junho

Somos mesmo o país do futebol. Esquecemos o caos na saúde, no transporte e a corrupção.

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Tradução de 'The Cruel Radiance', de Susie Linfield

As fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Em The Cruel Radiance – photography and political violence (ainda sem tradução para o português), Susie Linfield, professora do departamento de jornalismo da Universidade de Nova York, examina o que as imagens fotográficas podem nos dizer sobre o sofrimento humano.

 

Quando eu estava no mestrado, a professora Simonetta pediu que eu lesse The Cruel Radiance, da Susie Linfield. É um livro em inglês, ainda sem tradução para o português. AMEI!!!! Um dos melhores livros que já li na vida e mudou muito do que eu penso sobre fotojornalismo. Pois, acabei fazendo uma resenha sobre o livro e foi publicado hoje na Alterjor, revista da USP. Aqui está o link para quem se interessar.

linfield

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As vaias para a presidente Dilma

Não tem como não falar na Copa do Mundo. As vaias direcionadas à presidente Dilma Rousseff foram um dos destaques do primeiro dia de evento.  O professor Juremir Machado da Silva postou no twitter um comentário no facebook (eu não tenho facebook. Tive acesso pelo twitter,mesmo).

facebook

Um pouco estranho aquela vaia. Pessoas que pagaram caro pelos ingressos, de repente resolvem manifestar-se numa vaia direcionada à presidente do país, num evento transmitido para o mundo todo. Gritam “eu sou brasileiro”, choram quando toca o hino e depois mandam a governante “tomar no c”. Inacreditável! Civilidade e bom senso zero.

Gilles Lipovetsky afirma que a o narcisismo enfraquece a capacidade de lidar com a vida social, torna impossível toda distância entre o que se sente e o que se exprime. É aí que se encontra a armadilha, pois quanto mais os indivíduos se libertam das regras e dos costumes em busca de uma verdade pessoal, mais seus relacionamentos se tornam fratricidas e associais. Sempre exigindo mais imediatismo e mais proximidade, esmagando o outro sob o peso das confissões pessoais, deixamos de respeitar a distância necessária para manter o respeito pela vida particular dos demais: o intimismo é tirânico e incivilizado. A civilidade é a atividade que protege o eu dos outros e nos permite o prazer a companhia das demais pessoas.

O Brasil esqueceu da civilidade.

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A imagem contemporânea

Pois só hoje vi no site da Revista Contempo, da Cásper Líbero, meu artigo sobre minha dissertação. Quem tiver interesse em ler, aqui está o link. O título do meu trabalho é ‘A imagem contemporânea e a construção do personagem político nas eleições municipais brasileiras de 2012’. Fui orientada, como já disse, pela professora Simonetta Persichetti. Vale lembrar que sempre tive o apoio do professor Cláudio Coelho. Amei fazer esse trabalho!!!!

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Sebastião Salgado – Da Minha Terra à Terra

Ontem passei numa livraria perto da PUC e acabei comprando o livro “Da Minha Terra à Terra”,  uma biografia do über Sebastião Salgado escrita pela amiga dele, Isabelle Francq. Aqui tem um link para o Estadão falando um pouco do livro. Apesar de ter 200 textos para escrever nas férias e ler uns 600 livros, a obra sobre Sebastião Salgado é algo que vou me dar ao luxo de curtir.

Anyway, num dia de fotografias acabei visitando minha professora Simonetta Persichetti, orientadora do mestrado. Um minuto de conversa com ela e já saio cheia de ideias. Para quem não sabe, a Simonetta é fotógrafa e professora do mestrado na Cásper. Fui aluna dela por dois anos e tive tantas ideias quanto minha cabeça podia aguentar.

Um outro livro sobre fotojornalistas que eu acho que vale a pena ler é o “Cartier-Bresson: o olhar do século”, escrito por Pierre Assouline. Eu até o utilizei na minha dissertação. Jean Paul-Sartre disse: “Cartier-Bresson fotografou a eternidade”.

 

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Introdução à Sociologia: Marx, Durkheim e Weber

A professora Maura Pardini Véras lança amanhã o seu livro ‘Introdução à Sociologia: Marx, Durkheim e Weber, referências fundamentais’, na Livraria Cortez, rua Bartira 317, em Perdizes. No segundo semestre de 2014 farei uma disciplina na PUC com ela justamente sobre esses três autores. E, no grupo de pesquisa do prof Cláudio Coelho (Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo) usamos bastante o Max Weber nesse semestre. Marcarei presença lá!

 

 

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