Arquivo mensal: maio 2014

Sebastião Salgado: "A fotografia deixou de ser memória"

Sempre ele. O grande Sebastião Salgado disse tudo: “a fotografia deixou de ser memória e se tornou a criação de imagens instantâneas”.  O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado deu entrevista neste sábado (24) no festival Fotogenio, de Mazarrón (Múrcia, Espanha). E revelou sua opinião sobre o atual momento da arte de fotografar. A maioria das imagens hoje não possuem muito significado. Acabou aquela história de montar álbum de fotografia para os pais verem, os filhos e a família. 

Salgado afirma que para ser fotógrafo precisa gostar do ato que faz ser fotógrafo. Hoje penso que é o contrário: se antes fotografar era um registro de um grande momento a ser guardado, um prazer; hoje se fotografa tudo e se perde o pequeno prazer do registro de algo realmente importante.

Segue link para matéria no UOL.

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McCurry expõe em Londres

Três fotógrafos: Cartier-Bresson (acho que mais pela história de vida, a paixão e tudo o mais), Sebastião Salgado (só ele faz uma imagem em preto e branco ser tão cheia de vida) e McCurry.  O fotógrafo da “afegã de olhos verdes” está com exposição em Londres. As outras imagens do Afeganistão não são menos empolgantes do que essa que lhe deu fama mundial. Aqui tem uma entrevista com ele na National Geographic e vale a pena dar uma olhada nas fotos sobre Afeganistão. Just para deixar o dia feliz.

Em tempo: procura-se desesperadamento pelo livro Clube do Bangue-Bangue. Não existe mais!!!! (Tks, professora Simonetta, por me apresentar essa história tão incrível)

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10º Interprogramas de Mestrado em Comunicação

A Cásper Líbero aceita trabalhos de mestrandos e mestres para o 10º Interprogramas de Mestrado em Comunicação. De 12 de maio a 12 de junho de 2014 podem ser feitas as inscrições dos resumos expandidos de 2.000 a 2.500 caracteres (incluindo espaços), contendo o tema, indicação do objeto de estudo, metodologia de análise e quadro teórico de referência, além de cinco palavras-chave. 

Mais informações no site da Cásper.

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Partidos e Sistemas Partidários: 1985 – 2009

Como eu comentei alguns posts atrás eu apresentei um seminário na PUC sobre esse texto do Jairo Nicolau. Segue um resumo que eu fiz.

No texto Partidos e Sistemas Partidários: 1985 – 2009, Jairo Nicolau faz um balanço da literatura de Ciência Política nesse período, em nível nacional, sendo orientado por algumas questões:

 

O que sabemos sobre os partidos do atual ciclo democrático?

Quais as áreas que mais se desenvolveram?

Que temas relevantes deixaram de ser cobertos?

Quais fontes de dados foram mobilizadas?

 

Nicolau lembra de alguns autores, como Kinzo (93), Lima Jr (93) e Mainwaring (2002) que mostram um certo pessimismo em relação ao processo de institucionalização dos partidos.

Lima Jr, por exemplo, justifica que o afastamento sistema partidário-parlamentar em relação ao sistema partidário eleitoral ao longo dos anos 80. Fortes alterações nas bancadas devido intensa transferência de parlamentares de um partido para outro = migração partidária seria responsável por criar na Câmara uma configuração diferente daquela definida pelos eleitores nas urnas.

No texto, Kinzo realiza uma descrição (radiografia) do processo de organização dos principais partidos ao longo dos anos 80. Fontes: resultados eleitorais (números de cargos conquistados), filiados aos partidos e os documentos produzidos pelos partidos. O tom de Pessimismo é forte- alta fragmentação partidária e a migração parlamentar.

Outra pontuação do texto é que entre as novas democracias latino-americanas o Brasil era o caso mais problemático de experiência partidária. Aqui ainda não assistimos à emergência de um sistema partidário de perfil definido e duradouro. O presente quadro partidário se caracteriza por sua mutabilidade, fragilidade e fragmentação’(1993,p.95)

De acordo com Nicolau, nas democracias modernas é impossível pensar o Executivo sem considerar a atuação dos partidos. São os principais responsáveis por pensar e elaborar políticas públicas bem como emprestar seus quadros para pastas de ministérios.

A pesquisa sobre a atuação dos partidos no Executivo concentrou-se basicamente na composição ministerial do Executivo Federal. A ideia central era identificar as estratégias adotadas pelos diferentes presidentes para montagem partidária de seus governos.

O cientista político acredita que os partidos políticos enfrentam consequências de um longo processo de decadência, desde os anos 1980, e estão sendo surpreendidos. Quando o quadro era de descrédito partidário, o surgimento do Partido dos Trabalhadores surpreendeu a elite política tradicional. Mas seu afastamento das ruas, tanto pela nova legislação dos partidos, com fundo partidário, quanto pela tomada do poder, influencia a atual imagem das legendas nacionais. Agora, avalia o cientista político, são os políticos, inclusive os do PT, que estão surpresos. Embora seja perigoso generalizar ou tirar conclusões neste momento, Nicolau afirma que ecos do movimento das ruas podem surgir nas eleições de 2014, nem que seja no formato de votos nulos ou abstenções.

 

 

 

 

 

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CHAMADA DE TRABALHOS – "LINGUAGEM, SOCIEDADE E TECNOLOGIA"

Estava lendo o blog da minha ex-professora (baita professora, diga-se de passagem) Raquel Recuero e tem chamada para a revista  Linguagem e Ensino

“O tema abarca aqueles trabalhos que, de alguma forma, focam as relações contemporâneas entre as linguagens, práticas linguístico-discursivas e as tecnologias de informação e comunicação, notadamente as digitais. A introdução e a apropriação dessas tecnologias pela sociedade gerou impactos consideráveis nas relações sociais, na educação, nas formas de interação e nos discursos. Assim, para este número, busca-se fazer um apanhado dos trabalhos de pesquisa que, de alguma forma, trazem essa discussão.

Calendário:
Submissão de artigos – Até 20/06/2014.
Pareceres – Até 20/08/2014
Previsão de Publicação: Dezembro de 2014.”

Mais informações no blog da Raquel.

 

 

 

 

 

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Wagner Moura: "Redes sociais não passam de revista 'Caras' autoeditada"

Eu sou fã do Wagner Moura. Mais ainda agora. Sempre me questionei sobre essa exposição exagerada das pessoas em redes sociais. Tem gente que coloca simplesmente a rotina inteira na web. Isso que não tenho facebook, só instagram. As pessoas não conseguem fazer uma viagem, não conseguem mais ir a um restaurante, sem registrar..PARA OS OUTROS. Impressionante.

Coloco aqui o link para a entrevista que o Wagner Moura deu ao Último Segundo sobre, entre outras coisas, esse assunto.

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Se existisse uma representação exata, eu não fotografaria. Claude Maillard, Sur l’imphotographiable

‘Onde a escrita é impotente para captar, na verdade e na variedade de seus aspectos, os monumentos e as paisagens; onde o lápis é fantasia e divagador, alterando a pureza dos textos, a fotografia é inflexível”.(ROUILLÉ, 2009, p. 49-50)

(Foto: REUTERS/Jalal Al-Mamo)

(Foto: REUTERS/Jalal Al-Mamo)

Essa imagem fotográfica está na matéria do G1 “Ataque aéreo do regime sírio sobre Aleppo deixa ao menos 33 mortos”. A matéria por si só é terrível, mas essa fotografia choca. Não choca pela desgraça latente na imagem ou por algum outro tipo de apelação. Ela machuca porque, como afirma Rouillé, a verdade está  em segundo plano, indireta, enredada como um segredo. Não é colhida à superfície dos fenômenos. Ela apenas se estabelece.  Fosse qualquer outra situação poderíamos pensar que as crianças se machucaram brincando. Mas a simples inserção da Síria na matéria dá um outro significado.  A fotografia não está sozinha, e nem frente a frente com a coisa que ela representa.  Sozinha, não significa nada. Nua, não tem referente ou, o que é a mesma coisa, tem mil, como testemunham esses clichês da imprensa que volta e meia situam legendas abusivas em contextos opostos, alheios ao seu próprio contexto. (ROUILLÈ, 2009,p. 94-95)

Como questionaria Susie Linfield, em The cruel radiance,  as fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Eu acredito que sim. Linfield afirma que uma das vantagens da fotografia é justamente essa, a de trazer para perto qualquer coisa que se possa pensar. Linfield diz que as pessoas muitas vezes falam sobre o horror da guerra, e sobre a necessidade de construção de uma política de direitos humanos, em termos extremamente abstratos, mas esquecem que há a necessidade do engajamento e questionamento sobre o que a guerra realmente fazer com as pessoas, o que é que a opressão política, o sofrimento e a derrota fazem.

As fotografias não podem explicar as complexidades das histórias ou suas causas. As fotografias são vislumbres poderosos, sugestões poderosas. A autora pede para os telespectadores tornarem-se mais pró-ativos em vez de se lamentarem eternamente sobre todas as coisas que as fotografias não podem fazer e não nos dizem, e todos os caminhos que não podem percorrer. Cabe a nós começar uma investigação sobre essas histórias e sobre o que as imagens estão dizendo. Toda imagem de sofrimento não diz somente “isso é”, mas também implica em “isto não deve ser”, ou “isto está acontecendo”com “isto deve parar”.

A Síria deve parar.

 

A fotografia – entre documento e arte contemporânea- André Rouillè

The Cruel Radiance – photography and political violence. Susie Linfield

 

A Síria deve parar.

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