Arquivo mensal: maio 2013

O idioma no IBERCOM 2013

IBERCOM 2013

No seminário de abertura do IBERCOM, “A definición dunha axenda Iberoamericana-científica e política de cooperación”, o tema discutido foi a predominância do idioma inglês na academia. A professora Aimeé Vega Montiel, vice presidente da IAMCR defendeu o idioma espanhol como dominante. Afirmou que os iberoamericanos deveriam trabalhar para o fortalecimento da língua no meio acadêmico.

O professor Francisco Sierra, vice presidente do CONFIBERCOM chegou a falar em racismo e preconceito com quem fala o espanhol e português na academia de língua inglesa. Sierra afirmou que quando espanhois e portugueses enviam seus trabalhos para congressos e revistas americanas, os revisores e organizadores bloqueiam os latinos assim que percebem a procedência do trabalho, sem ao menos lê-lo.

O professor Miguel Vicente fez a grande pergunta: “estamos em condições de importar talentos?”  Somos capazes de atrair investigadores? E, questionou se queremos mesmo estabelecer diálogo com a língua inglesa. Para o professor, é necessário que se fortaleça o inglês para competir.

A professora Maria Immacolatta, da USP, concordou com Miguel Vicente e afirmou que temos que entrar à força na academia americana e que isso certamente não ocorrerá com congressos em que os alunos expõem os seus trabalhos somente por dez minutos.

Eu não concordo em tratar a academia como se fosse um partido político. Acredito que exista um certo preconceito com os latinos ou com qualquer outro que não seja americano. Mas será que não é pela qualidade acadêmica??? Pensar a academia hoje sem ler Manuel Castells é impossível. Pensar a transdisciplinaridade que tanto defendemos sem Edgar Morin é inexistente. E, nenhum deles é americano. Nem vou falar em Maffesoli ou Lipovetsky.

Penso que, muito mais que um problema de idioma, é um problema de produção acadêmica. Concordo com a professora Immacolatta quando ela diz que não será expondo nossos trabalhos com pouco tempo que teremos respeito lá fora. Primeiro precisamos rever nosso método de estudo, deixar de tratar o meio acadêmico com metas numéricas (o aluno precisa de um número “x” de congressos para defender a tese) e olhar mais para a qualidade do que está sendo produzido, do que está sendo fomentado em Congressos  do que precisamente para o idioma. O idioma é secundário. Precisamos garantir produção com qualidade. Não com números.

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IBERCOM 2013

O IBERCOM 2013 acontece semana que vem em Santiago de Compostela (Espanha).  Aqui a lista de todos os trabalhos que serão apresentados. Eu irei falar sobre “A Guerra Santa nas eleições municipais de São Paulo em 2012″. Abaixo, minha apresentação .

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Para facilitar o link do prezi no wordpress utilizei essa ferramenta. É grátis.

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V COMPOLITICA, Curitiba, PR

A primeira grande pergunta feita na abertura do V COMPOLÍTICA foi: ” como discutimos comunicação e política nos cursos de graduação?”. Para os professores Wilson Gomes (UFBA), Vera Chaia (PUC-SP) e Maria Helena Weber (UFRGS) há um desequilíbrio no debate entre comunicação e política e há uma fragilidade na área na constituição dos programas. Os professores argumentam que poucos cursos de graduação discutem o assunto e que há a necessidade de empenho para que isso mude.

O professor Venício Lima (UnB) abriu a discussão sobre a criação dos Conselhos Estaduais de Comunicação (CEC). O professor informou que a Bahia é o estado que está mais próximo de fazer funcionar um CECS e há a expectativa de que seria em breve seguido pelo Rio Grande do Sul. Aparentemente Minas, São Paulo e Piauí retornaram ao ponto de partida, embora já tenham projetos concretos sobre o tema. Lima disse ainda que muita confusão foi gerada na grande mídia, nacional e regional, depois da proposta cearense. Houve “gente boa” confundindo os CECS, previstos nas constituições estaduais após as adaptações destas ao texto da Constituição. Para Venício Lima,  nada substitui o poder de uma sociedade civil organizada em torno da consolidação do direito à comunicação em nosso país.

GT Comunicação Institucional e Imagem Pública

Prof. Dr Rudimar Baldissera

Prof. Dr Rudimar Baldissera (UFRGS)

O nosso GT foi muito bom. Além da dinâmica de apresentações ter funcionado muito bem (o professor não estipulou um tempo, mas cada um teve a boa atitude de falar em torno de 30 minutos), o debate evoluiu muito. Tanto que criamos um grupo de discussão pós-congresso para seguirmos trabalhando.

Uma surpresa boa foram os papers sobre política na América Latina. Como uma colega disse: conhecemos pouco sobre nossos vizinhos. Internet ainda é a ferramenta mais analisada. Muitos trabalhos (até mesmo em outros GTs) analisando blogs, twitter e facebook. UFMG e UFRGS presentes em massa no V COMPOLÍTICA, que agora, deve ocorrer novamente em 2015. Espero que até lá nosso GT tenha produzido muita coisa interessante.

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O estudo nunca termina

Uma das primeiras coisas que a Simonetta (minha orientadora) disse quando entrei no mestrado foi: “o estudo nunca termina. Você vai fazer um doutorado e ainda vai estar cheia de dúvidas.” Na época me pareceu mais um discurso bonito do que uma realidade, mas hoje percebo o quanto ela estava certa. Semana que vem apresento em Curitiba, no COMPOLITICA, meu trabalho sobre o senador Demóstenes (O caso Demóstenes – A queda do Senador vista pela Folha de São Paulo e “não vista” pela Revista Veja). Minha abordagem foi fotográfica, com base nas teorias de segunda realidade do professor Boris Kossoy e as conclusões foram muito bem resumidas pelo Luciano Martins Costa, no Observatório da Imprensa.

Tudo isso para dizer que, semana passada estava lendo o livro Jornalismo e Política-escândalos e relações de poder na câmara municipal de São Paulo, da professora Vera Chaia, e percebi uma outra abordagem para o mesmo assunto. A autora e professora, chama a atenção para o poder do agenda-setting na recepção da política. O pressuposto básico do agenda-setting é que, se os indivíduos não possuem um repertório próprio sobre um determinado tema, eles recebem esses conhecimentos e assimilam a realidade social por meio do prisma do mass media. No caso do senador Demóstenes, a Folha de SP o julgou antes da justiça. Partindo desse ponto, os receptores assimilaram tudo sem questionar. “Demóstenes é culpado”.

Na avaliação de Fernando Antonio Azevedo (2002, p.11), “a ideia-força implícita na noção de agenda-setting é a de que: (1) a mídia, ao selecionar determinados assuntos e ignorar outros, define quais são os temas, acontecimentos e atores (objetos) relevantes para a notícia; (2) o enfatizar determinados temas, acontecimentos e atores sobre outros estabelece uma escala de proeminência entre esses objetos; (3) ao adotar enquadramentos positivos e negativos sobre temas, acontecimentos e atores constrói atributos (positivos ou negativos) sobre esses objetos; (4) há uma relação direta e causal entre as proeminências dos tópicos da mídia e a percepção pública de quais são os temas (issues) importantes num determinado período histórico”.

A mídia definiu a culpa do ex-senador e essa foi a abordagem até sua cassação.  Construiu, como eu defendo no artigo, somente atributos negativos. Mesmo quando outras escutas foram divulgadas, o tema definido já era Demóstenes Torres. Essa era a forma mais interessante de divulgar o fato.

Foto: Site Diário de Anápolis Disponível em:   Acesso em: 2/5/13

Foto: Site Diário de Anápolis Disponível em: <http://www.diarioanapolis.com/politica/mpf-go-quer-manter-inelegibilidade-de-demostenes-torres-ate-2027/ > Acesso em: 2/5/13

Em seu trabalho, Swanson (1995, p.14) afirma que o processo de construção das notícias políticas obedece a um esquema particular: “É bastante comum ver as noticias construídas de maneira com que faça que o governo e os políticos sejam mais interessantes para a audiência. As formas usadas frequentemente de fazer as notícias mais interessantes para o público incluem o seguinte: enfatizar dramas e conflitos; concentrar-se em acontecimentos concretos e não em idéias abstratas; personalizar as notícias apresentando pessoas concretas na representação de instituições, idéias e outras formas impessoais que por elas mesmas são difíceis de visualizar, reduzir assuntos à simples histórias com moral.”

Ainda no livro Jornalismo e Política, Vera Chaia cita  Patterson (2000,p.82) que afirma que: “As notícias são uma forma de contar ‘estórias’. Por esta razão, as convenções jornalísticas incluem uma ênfase especial nos aspectos mais dramáticos e controversos da política. A principal preocupação do jornalismo é com a novidade, o invulgar e o sensacional.”

“O estudo, realmente, nunca termina”.

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