Mario Vargas Llosa e a Sociedade do Espetáculo

“A cultura já não é mais a mesma, se tornou um circo, um espetáculo que, ao abarcar tudo, não é mais nada”, alfinetou Mario Vargas Llosa, ganhador do prêmio Nobel de literatura, em sua passagem pelo Brasil. Llosa afirmou que a cultura do imediato está apagando uma produção cultural “instigadora”, que para ele, é a fonte do “progresso humano”. Criticamente, atacou o que chama de “revolução audiovisual”, afirmando que a Internet e novas tecnologias converteram tudo ao centro, para ele, avanço importante, sobretudo no campo da liberdade de expressão, mas chama a atenção para o dilúvio de informação, jogada sem discriminação, responsável por um “estado de confusão absoluta”.
Nesta linha, Guy Debord (1997) afirmava, já no final dos anos 60, que a sociedade busca constantemente a produção de imagens, embora não saiba, muitas vezes, o que fazer com elas. Para Debord, essa é a sociedade do espetáculo onde as imagens seriam a concretização de uma alienação. As imagens recebem novos atributos, além de se tornarem o meio de propagação e construção de discursos ideológicos. “Quando o mundo real se transforma em simples imagens as simples imagens tornam-se seres reais (…) o espetáculo como tendência de fazer ver (…) o mundo que já não se pode tocar”. (1994, p.18).
A construção do espetáculo é uma forma de separação, de alienação e de dominação na sociedade para produzir uma falsa consciência de existir, na tentativa de se criar a ideia de uma sociedade unificada. Dentro desta configuração social, o espetáculo é uma espécie de “catalisador” da dominação. Esta alteração se estabeleceu ainda na época da Revolução Industrial, quando as relações de trabalho se alteraram junto com a necessidade de uma produção em massa que modificou a vida social. A mercadoria foi o produto desta alteração.
O que Mario Vargas Llosa reiterou, foi o que Guy Debord afirmou há mais e 40 anos: toda a vida das sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era diretamente vivido se esvai na fumaça da representação.

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