Arquivo mensal: novembro 2012

Contempo

Hoje tivemos o Interprogramas na Cásper Líbero. Outro evento sensacional! Essa semana foi excelente. Mas, sobre o Interprogramas escrevo com calma depois. Compartilho com vocês resenha minha publicada na Revista Contempo. Se alguém não conseguir abrir o link, segue o texto abaixo:

Os Tempos da Fotografia – o efêmero e o  perpétuo

KOSSOY, Boris. Os Tempos da Fotografia – entender a história da imagem para entender a nossa história. Cotia: Ateliê
Editorial, 2007. 176 p

* Por Deisy Oliveira Cioccari, mestranda em Comunicação pela Faculdade Cásper Líbero

Em Os Tempos da Fotografia – o efêmero e o perpétuo, livro que complementa a trilogia iniciada com Fotografia & História e Realidades e Ficções na Trama Fotográfica, Boris Kossoy relata o papel cultural da fotografia, fornecendo um grande embasamento teórico.Nesse livro, o autor evidencia que a fotografia não é uma ciência exata e busca respostas para o que ele chama de “processo de construção da realidade”. Kossoy deixa claro que a noção de que a câmara recupera fielmente a primeira realidade se desconstroi imediatamente após o registro da imagem. O que temos acesso é à segunda realidade. Fruto de uma realidade construída cheia de ideologias, impressões e códigos. A leitura que fazemos de uma fotografia em que não entendemos o contexto é diferente da leitura que fazemos quando conhecemos. Para o autor, quanto mais conhecemos a teoria, mais conhecemos a imagem. Imagem essa que pode informar e desinformar, que não é neutra e que possui detalhes que nunca devem ser desconsiderados.

A imagem fotográfica vai além do que mostra em sua superfície.Talvez por isso tenha dedicado boa parte à história da fotografia no Brasil, um capítulo esquecido pelos historiadores. Evidencia-se a necessidade de “rastrear” fotógrafos do passado e as influências e mudanças que a imprensa estrangeira causou em nossa imprensa. A necessidade de se encontrar um papel importante nos meios de comunicação passando pela fotomontagem à São Paulo de Hildegard Rosenthal, onde os ares de metrópole da capital não se chocavam com as ideologias da cidade modelo da era Vargas. Há, nesse livro, um importante registro da fotografia tomando proporções no resto do país e das imagens da fotógrafa Hildegard inaugurando a fotorreportagem no país.A fotografia como sustentáculo da memória e seus usos para imprimir uma intenção ideológica e política no Brasil não passam despercebidos. Kossoy deixa claro que as imagens são concebidas com o filtro cultural de seus autores e nesse sentido, é fundamental recuperar os sentidos dos fatos do passado. Dessa forma, garante-se a recuperação, com auxílio de conhecimentos pelas fontes escritas, da história política brasileira.

Na última parte do livro, o perpétuo e o efêmero se fundem. Há uma ênfase que se coloca no “instantâneo” da imagem fotográfica. Já o recorte da imagem parece agir de modo diferenciado quando fragmenta o espaço e quando faz o mesmo com o tempo. Enquanto o recorte espacial é claramente uma operação de seleção e transformação da realidade, o recorte temporal parece resultar num ato de anulação. Em outras palavras, enquanto as formas de representação do espaço precisam ser desvendadas, o tempo é esquecido, pois é supostamente aquilo que se perde na fotografia. Aparentemente, trata-se de uma apropriação de um efeito espacial da realidade, eliminando-se o
efeito temporal.
A fotografia interage conosco. A fotografia nos possibilita um diálogo com o passado, com o que passou, com o efêmero. O que resta são nossas impressões e representações. São os “tempos da fotografia”. E, sua morte. Como quando Kossoy registra os tempos de manipulação, de registro digital, eletrônico. Os simulacros tomam forma de máscaras e impõem-se obre o original. “Com a invenção da fotografia, inventou-se também, de certa forma, a máquina do tempo”, diz o autor para explicar que com a imagem fotográfica percebeu-se que, mesmo ausente, o objeto pode ser representado eternamente. “Derreteu-se o relógio, desestruturou-se a matéria”, completa. Mas para o autor, isso não é o caos. É uma consequência da evolução do processo, extensão da trajetória da fotografia, que oscila de significado de acordo com a ideologia de cada instante.Em Os Tempos da Fotografia, Kossoy deixa claro o papel da fotografia: não o de ser um detector de verdades ou mentiras, mas um registro construído ideologicamente, que nos permite entender o passado, perseguir seus segredos implícitos e captar a promessa do perpétuo. Toda imagem  fotográfica tem uma história que procuramos desvendar e que originou o que conhecemos de nós mesmos. É com muita propriedade que Boris Kossoy afirma que o século XX não seria o mesmo sem um espelho com memória para registrá-lo.

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NEAMP – Workshop A análise do discurso e suas diferentes perspectivas

Os doutorandos Bruna e  Rodrigo Dugnani, com a coordenação da prof. Dra Vera Chaia, apresentaram os quatro principais tipos de análises do discurso: análise de conteúdo, análise de discurso da escola francesa, análise dialógica e análise crítica. Farei um breve resumo do que foi apresentado no workshop (EXCELENTE, diga-se de passagem).

Análise de conteúdo – é um  método de interpretação textual que se utiliza em questões abertas de questionários e em caso de entrevistas. Comunicação representacional que revela o léxico do conteúdo considerando as circunstâncias. Bardin (2006, p. 38) refere que a análise de conteúdo consiste em:  “um conjunto de técnicas de análise das comunicações, que utiliza procedimentos sistemáticos e  objectivos de descrição do conteúdo das mensagens. … A intenção da análise de conteúdo é a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção (ou eventualmente, de recepção), inferência esta que recorre a indicadores (quantitativos ou não). (tradução nossa)”.

 

Análise de discurso da Escola Francesa – Surge como crítica à análise de conteúdo.surgiu com Michel Pechêux. Nesse tipo de análise, o que produz a coerência do texto é a sua formação discursiva, formação ideológica e processo histórico. A língua é polissêmica e opaca.A linguagem reflete e retrata a realidade. Mesmo a gramática sendo a mesma, os sentidos podem mudar.

 

Análise de Discurso Dialógica–  A concepção dialógica da linguagem está no centro das reflexões do Círculo de Bakhtin, composto principalmente pelos intelectuais russos Volochínov, Medvedev e Mikhail Bakhtin. É dele o texto que explica essa corrente:

Não há palavra que seja a primeira ou a última, e não há limites  para o contexto dialógico (este se perde num passado ilimitado e
num futuro ilimitado). Mesmo os sentidos passados, aqueles que  nasceram do diálogo com os séculos passados, nunca estão estabilizados (encerrados, acabados de uma vez por todas). Sempre  se modificarão (renovando-se) no desenrolar do subseqüente,
futuro. Em cada um dos pontos do diálogo que se desenrola,  existe uma multiplicidade inumerável, ilimitada de sentidos  esquecidos, porém, num determinado ponto, no desenrolar  do diálogo, ao sabor de sua evolução, eles serão rememorados  e renascerão numa forma renovada (num contexto novo). Não  há nada morto de maneira absoluta. Todo sentido festejará um  dia seu renascimento. O problema da grande temporalidade.

A dialogia, para Bakhtin, deve ser considerada na grande temporalidade que envolve passado, presente e futuro. As memórias (do
passado e do futuro, esta centrada nas antecipações da resposta do outro) são parte constitutiva do enunciado que é produzido, constituindo sua historicidade e singularidade, as quais são inseparáveis.

Análise Crítica – Norman Fairclough é o autor responsável pelo desenvolvimento da Análise Crítica do Discurso, ou ACD. Segundo o método analítico de Fairclough o discurso possui três áreas de análise que juntas possibilitam a compreensão do papel social do discurso: análise de textos falados ou escritos, análise da prática discursiva – que consiste no processo total de produção distribuição e consumo dos textos – e análise do discurso como uma fração da prática cultural de uma sociedade. A abordagem da Análise Crítica do Discurso tem base na teoria social, levando em consideração pensadores como Marx e Althusser, ou seja, a ideologia presente no discurso analisado pela ACD é objeto principal de exame. Fairclough coloca o discurso, a língua, como principal ferramenta ideológica nas lutas de poder.

Dessa vez eu não me perdi, mas foi difícil chegar na PUC. Valeu a pena!

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A análise do discurso e suas diferentes perspectivas

O Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP) da PUC promove dia 21 de novembro (quarta-feira) o workshop A análise do discurso e suas diferentes perspectivas. A coordenação será da prof. Dra Vera Chaia  e os palestrantes são:  Rodrigo Dugnani (mestre em Economia Política e doutorando pelo PEPGCSO/PUCSP) e Bruna Lopes-Dugnani (mestre e doutoranda em Linguística Aplicada pelo LAEL/PUC/SP).

DIA: 21 de novembro de  2012 – das 10:00 às 18:00 h (Pausa para o almoço: 12h-14h)
LOCAL: AUDITÓRIO 100 – 1º andar do Prédio Novo

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Interprogramas

No dia 23 de novembro, a Faculdade Cásper Líbero realiza a 8ª edição do Interprogramas de Mestrado em Comunicação. Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), o evento tem com objetivo proporcionar espaço para a apresentação de trabalhos de mestrandos de todo Brasil, incentivar o exercício de produção e discussão acadêmicas, além de ampliar as possibilidades de diálogo entre discentes e docentes da Cásper Líbero com seus colegas de outros programas de Mestrado.

A minha Mesa será a 6, que acontece das 9h às 12h: O caso Demóstenes: a queda do senador vista pelas fotografias da Folha de S. Paulo e “não vista” pela Revista Veja. Deve acontecer por volta das 11h.

 

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