Arquivo mensal: outubro 2012

Guerra Santa nas eleições de SP 2012

Nas eleições municipais para prefeitura de São Paulo, no ano de 2012, a religião roubou a cena do debate político. Se antes o tema era restrito à peregrinação de candidatos em busca de apoio dos fieis, de qualquer que fosse a religião, nessa disputa verificou-se uma espetacularização do assunto. Mais do que apoio, os candidatos buscaram negociações diretas e declarações formais às suas candidaturas. Também não faltaram ânimos acirrados. A ascenção do candidato do PRB Celso Russomanno, cujo partido é diretamente ligado à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), apimentou ainda mais a disputa.

Some-se a isso a liderança nas intenções de voto de Russomanno durante todo o primeiro turno da disputa em São Paulo. Em pesquisa Datafolha divulgada no final de agosto, Russomanno já apareceu com 31% das intenções de voto, contra 22% de José Serra (PSDB) e 14% de Fernando Haddad (PT). Esses números transformaram a polarização paulistana PT vs. PSDB em Russomanno vs. Serra/Haddad. Russomanno passou a ser apresentado como “o” candidato da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), com compromissos com esse grupo. Unido ao apoio de uma grande corrente evangélica o crescimento do candidato do PRB foi diretamente associado à sua escalada nas pesquisas.

Sua ligação com a Universal proporcionou uma espetacularização do tema religioso. O candidato foi constantemente questionado sobre o assunto, em algumas ocasiões mostrando irritação. Por diversas ocasiões o candidato do PRB tentou desvincular sua figura e de seu partido da Igreja Universal.

Há de se ressaltar um cenário complexo em torno do debate da religião no cenário político de São Paulo. A força política da IURD, que estabeleceu metas políticas claras no cenário brasileiro, fazendo até mesmo com que a Igreja Católica entrasse na “guerra,” demonstra uma midiatização do cenário que até então era relegada à segundo plano.  Nesse contexto, parece que um dos fundamentos da democracia moderna, a separação entre a Igreja e o Estado e a garantia de que o exercício da cidadania política independe das crenças religiosas de cada um, foi esquecido. Em contrapartida, o Estado deveria garantir a imparcialidade no trato com as diferentes Igrejas e a liberdade religiosa. Porém, como bem explicam Gianpetro Mazzoleni e Winfried Schulz (1999) vivemos na era do remix, onde todas as áreas da vida em sociedade se misturam. A política deixou de ser feita somente por políticos e passou a ser uma atividade que se faz em espaços institucionais. A religião passou a fazer parte do sistema político ajustando-se às demandas dos meios de comunicação.

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Política e Sociedade do Espetáculo

Semana passada aconteceu o II Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo, na Cásper. Eu fiz uma análise de como o deputado federal Indio da Costa (ex-DEM/RJ) foi construído e desconstruído pela mídia no ano de 2010. Foi um estudo de como o relator do projeto Ficha Limpa saiu das páginas de política e ocupou o posto de vice-presidente na chapa do tucano José Serra nas eleições presidenciais daquele ano, culminando com uma atenção especial de toda a imprensa brasileira. Por fim, discutimos de que forma, após as eleições, o então deputado democrata foi totalmente esquecido pela mesma Sociedade do Espetáculo que o colocou no centro das atenções pelo período de um ano.
“O espetáculo não deseja chegar a nada que não seja ele mesmo. A afirmação de Guy Debord é bastante pertinente para o caso Indio da Costa. Catapultado ao centro dos holofotes no ano de 2010, tornou-se tão conhecido como o próprio José Serra.
Indio saiu das eleições e teve somente mais dois meses de mandato legislativo. Sem o mandato legislativo, o mito não se manteve. Após um ano conturbado no DEM com escândalo do “Mensalão de Arruda”, Indio da Costa perdeu seu papel e sua influência. Mudou-se para o PSD de Kassab e desde então deixou o centro dos holofotes. “Aquilo que o espetáculo deixa de falar durante três dias é como se não existisse. Ele fala então de outra coisa,e é isso que, a partir daí, afinal, existe.” (Debord)

“Hoje em dia, o espetáculo está no poder. Não mais apenas na sociedade, tão enorme foi o avanço deste mal. Hoje, nossas conjeturas já não têm como único objeto as relações do espetáculo e da sociedade em geral, como as que tecia Guy Debord em 1967. Agora, é a superestrutura da sociedade, é o próprio Estado que se transforma em ‘empresa teatral’ em ‘Estado de Espetáculo’. De uma forma sistemática e organizada. Para melhor divertir e iludir o público de cidadãos. Para melhor distrair e desviar. E mais facilmente transformar a esfera política em cena lúdica, em teatro de ilusão.” (Schwartzenberger)
E, para finalizarmos:
Os campos de batalha modernos são mais extensos do que os campos de batalha antigos, o que obriga ao estudo de um maior campo de batalha. É preciso muito mais experiência e gênio militar para comandar um exército moderno do que era preciso para comandar um exército antigo. (Bonaparte)

 

 

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Lideranças Políticas – ciclo de cinemas e debates

 

Semana passada assisti ao último evento do ciclo de cinema e debates sobre Lideranças Políticas. Depois de me perder na Vila Mariana, finalmente consegui achar a Cinemateca.  Achei uma pena não ter conseguido ir aos eventos anteriores, mas fui ao debate sobre A Permanência do Personalismo na Política Brasileira, com André Singer (que lançou recentemente ‘Os Sentidos do Lulismo’, livro que iremos debater no Grupo Política e Sociedade do Espetáculo na semana que vem), com a Cristina Maranhão (que estuda fotografia e política!!!), a professora Vera Chaia (coordenadora do Neamp juntamente com o professor Miguel Chaia) e o Renato Tapajós, diretor do filme Linha de Montagem, que foi exibido antes do debate.

Linha de Montagem trata do movimento grevista da década de 1970 do Sindicato dos Metalúrgicos no ABC e evidencia a formação do ex presidente Lula como líder sindical. Fica evidente que Lula sempre foi um líder. O filme mostra o nascimento do Partido dos Trabalhadores e um Lula disposto a negociar. É interessante como sempre passaram a imagem de um Luis Inácio radical e o que vemos no filme é um homem extremamente aberto ao diálogo.

O documentário é uma  oportunidade de analisar o surgimento de um movimento social, que contribuiu para o fim da ditadura e deu origem a um novo partido, o PT, que como o próprio André Singer disse, mudou muito, principalmente de 2002 para cá.
Imagens das assembléias do estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, às vezes lotadas com cerca de 100.000 operários, são uma prova da força das manifestações. Isso num momento em que ainda estava em vigor a ditadura militar, que usava contra os líderes grevistas instrumentos como a Lei de Segurança Nacional, que levou o próprio Lula à prisão. O debate terminou às 23h e eu consegui voltar inteira para casa, dessa vez, sem me perder.

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Previsões para quem faz mestrado e doutorado

Tirei esse post do blog Alquimia do Verbo, do professor Luis Mauro. Achei muito engraçado!!!

Leão
A passagem da Lua pelo signo mostra que é hora de começar a trabalhar de madrugada para terminar o texto. Fique atento para a chance de colocar tudo em ordem na bibliografia.

Virgem
Não deixe o ciúme atrapalhar seu trabalho. Se alguém pegou o livro que você queria na biblioteca, parta para outro. A fila anda e não adianta pensar no que poderia ter sido. Concentre-se no agora – o tempo passando, por exemplo.

Aquário
Se um livro parece não gostar de você, não perca seu tempo. Procure valorizar o referencial teórico que você tem. Trabalhe os conceitos, escolha os assuntos, divida os capítulos. O tempo passa. A bibliografia fica.

Áries
A presença do Sol no seu ascendente indica que é um bom momento para ler a bibliografia. Um momento de reflexão e trabalho com os textos. No amor, avise seu “outro significante” que você volta depois da defesa.

Gêmeos
A passagem de Netuno pelos céu pode causar alguma perturbação na redação das citações. Mas é hora de fortalecer os relacionamentos entre os autores e deixar de lado antigas culpas – como não ter citado todo mundo que você leu.

Capricórnio
Não deixe o passado atrapalhar momentos bonitos. O que você não leu, não leu. Há uma enorme bibliografia pela frente que merece muito mais sua atenção, por isso não se apegue ao que foi. Quem curte passado é arqueologia do saber.

Câncer
O dia está propício para a pesquisa de campo, e muitas surpresas podem acontecer durante um levantamento etnográfico. Esteja preparado e confiante em sua metodologia. Dê uma mudada.

Peixes
Aproveite as oportunidades de encontrar novas bibliografias. Relacionamentos novos merecem cuidado e atenção. Autores clássicos estarão sempre lá, esperando por você. E, na dúvida, provavelmente algum filósofo grego já falou do assunto antes.

Escorpião
Com o ascendente próximo de Marte, é hora de grandes definições – metodologia e referenciais teóricos, mas também a pesquisa de campo e as citações. Concentre-se em seus objetivos, gerais e específicos. Não vai faltar bibliografia.

Libra
Acredite em você. Tenha convicção nos textos e lembre-se de confiar em seus pressupostos epistemológicos. Afinal, eles são parte do melhor de você. Não tenha medo de adotá-los na pesquisa de campo.

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Yuri Kozirev, na Cásper

Que notícia maravilhosa!!!!! A Cásper recebe Yuri Kozyrev, fotógrafo russo que acompanhou de perto o colapso da União Soviética e a Primavera Árabe na Líbia e no Egito. Além disso, o cara é fundador da Agência Noor, que segundo artigo da professora Simonetta Persichetti é a agência responsável pelo renascimento do fotojornalismo. Mandou bem demais, Cásper!!!

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Programação definitiva do Seminário Comunicação e Política

Proposta do Seminário: dar continuidade às atividades desenvolvidas no I Seminário, e que fazem parte do projeto de pesquisa Mídia, Política e Espetáculo do grupo de pesquisa Comunicação e Sociedade do Espetáculo do Programa deMestrado da Faculdade Cásper Líbero. Pretende-se, portanto, debater as relações entre as práticas comunicacionais e a vida política dentro do contexto da sociedade
do espetáculo, tendo como base reflexões sobre o processo político contemporâneo. Serão apresentados trabalhados voltados especificamente para esta reflexão, além de pesquisas que desenvolvem esta reflexão tendo como foco análises das
campanhas eleitorais de 2010 e 2012 e sua cobertura pelas diferentes mídias (impressa e eletrônica).

Programação

– Sexta-Feira: 19 de outubro-tarde

14 horas – Abertura: Cláudio Coelho
14h15 – O poder espetacular integrado no processo político brasileiro atual- Emerson Ike Coan

14h45 – Discursos midiáticos em campanhas presidenciais na América Latina: estratégias e mitos políticos no Brasil, Chile e Venezuela – Katia Saisi

15h15 – Debate

15h45- Intervalo

16 horas – A Cobertura da Eleição Presidencial de 2010 pela Revista Veja – Wagner Barge Belmonte

16h30 – A Publicação dos Resultados de Pesquisas Eleitorais e sua Influência na Intenção de Voto para as Eleições Presidenciais de 2010 – Genilda Alves de Souza

17h – Debate

17h30 – Encerramento

Sexta-Feira – 19 de outubro- noite

19 horas – Abertura: Cláudio Coelho

19h15 – Eleições de 2010 e Mídias Sociais: Newton Duarte Molon

19h45 – O caso Índio da Costa: vida e morte na Sociedade do Espetáculo – Deysi Cioccari

20h15 – Debate

20h45 – Intervalo

21 horas – Quarenta anos entre o bolo e a fome: discurso político, desenvolvimento e desigualdade no Brasil – Vanderlei de Castro Ezequiel

21h30 – Neocoronelismo e Neoclientelismo na política brasileira contemporânea – Gilberto da Silva

22 horas – Debate

22h30 – Encerramento

Sábado – 20 de outubro – manhã
9 horas – Abertura – Cláudio Coelho

9h15 – Eleições Municipais 2012: As políticas culturais paulistanas – Adriana Sá Moreira

9h45 – São Paulo, cidade criativa – eleições 2012 – Ethel Shiarishi Pereira

10h15 – Debate

10h45 – Intervalo

11 horas – O Rádio e sua influência nas eleições municipais de 2012 na cidade de São Paulo – Cláudio Arantes

11h30 – A Comunicação política nas Redes Sociais em um Contexto Histórico e Social- Synésio Cônsolo Filho

12 horas- Conflito no trânsito: o problema da mobilidade resultante da organização social brasileira e sua exposição pela mídia – Mara Rovida

12h30 – Debate

13h00 – Encerramento

 Sábado – 20 de outubro – tarde

14 horas – O lulismo: mito e política – Jaime Carlos Patias

14h30 – Produtos Políticos nas Prateleiras – Gabriel Leão

15 horas – Debate

15h30 – Os movimentos anticapitalistas: para além da sociedade do espetáculo? – Carol Goos

16 horas – A Educação estará Presente? – Fábio Cardoso Marques

16h30 – Debate

17 horas – Encerramento

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