O 'novo' Iphone

Filas que duram dias para a compra de um novo aparelho celular.  Dois milhões de encomendas na atualização de um aparelho. Observação: não é uma novidade completa, como a primeira venda de um tablet, algo que até então o mercado não conhecia. Mas uma atualização de um sistema que já existe. O consumo é tão exagerado (e impressionante) que o novo Iphone pode acrescentar entre 0,25 e 0,50 ponto percentual no crescimento do PIB dos Estados Unidos. Calculado utilizando o chamado método de controle de varejo, as vendas do iPhone podem impulsionar o crescimento anualizado do PIB em 3,2 bilhões de dólares, ou 12,8 bilhões de dólares a uma taxa anual.

Christopher Lasch lembra bem que as mercadorias são produzidas para o consumo imediato. O seu valor não assenta em sua utilidade ou permanência,mas em sua negociabilidadade. Jean Baudrillard fala de uma crença exacerbada na publicidade e não no produto. Publicidade com discurso ideológico e conotativo. Ideológico porque não se assume como tal, conotativo porque é a publicidade do espetáculo, da sedução e da sugestão. Que só fortalece o eu narcisista de Lasch.  Gilles Lipovetsky menciona a sociedade do hiperconsumo. Nessa linha, Juremir Machado da Silva fala do hiperespetáculo: “O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena.”

Lasch chama a atenção para uma crescente dependência frente à tecnologia, que deu origem à impotência e vitimzação. O eu mínimo ou narcisista é, antes de tudo, um eu inseguro de seus próprios limites, que ora almeja reconstruir o mundo à sua própria imagem, ora anseia fundir-se em seu ambiente numa extasiada união. Por que precisaríamos de um novo Iphone? O “antigo” não funciona mais? Não. O objeto perdeu sua função primeira. O espaço de relações em que os objetos ultrapassam sua função, ou seja, deixam de ser objetos-função e alcançam uma nova ordem prática de organização.  Não é mais o aparelho por si só. É seu status, o que ele representa e o que eles diz que representa. Mas, ficar na fila por dias em função desse desejo ‘vazio’ é algo que nem Baudrillard esperava ver.

Obs.: sou muito mais o Galaxy SIII.

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