Baudrillard, a Publicidade, os Objetos e a Sociedade do Consumo*

Em O Sistema dos Objetos, de 1968 (inacreditável), Jean Baudrillard fala da sociedade do consumo. Uma sociedade que não consome somente o objeto por ele mesmo, mas o objeto e o outro objeto para completar o anterior e o outro. Baudrillard afirma que consumimos a embalagem derivada de uma publicidade ideológica e conotativa. Ideológica porque não se assume como tal e conotativa porque sempre ‘supõe’. É a lógica da sedução e da persuasão. Um exemplo: a (diva) Gisele Bundchen. A imagem que se vende é da maior Top Model de todos os tempos, do rosto que vende, do casamento perfeito com o astro de futebol americano, a família com o filho lindo e a modelo preocupada com o meio ambiente. Quando, na verdade, para muitos, longe do glamour, seria apenas mais uma mulher alta e magra com um cabelo lindo (isso é,mesmo).

Gisele

O discurso ideológico da publicidade nos faz crer na ‘história do Papai Noel’: sabemos que ele não existe, mas é conveniente acreditar nele. Como os políticos em época de campanha que afirmam que vão ‘cuidar das pessoas’. Nós sabemos que não vão, mas acreditamos por ser melhor assim. Ou como a propaganda da C&A: você vai ficar como a Gisele Bundchen. Não vamos. A sociedade se adapta às necessidades do indivíduo numa dissolução de tensões propondo uma sociedade harmoniosa e maternal. O grande problema é quando essa publicidade é travestida de coisa séria e nós não percebemos o consumo, como o que acontece na grande maioria das vezes. Para participar da corrida de rua você precisa do tênis de R$600, um frequencímetro, um Ipod e assim vai…na superfluidade das imagens somos sensíveis ao jogo de cena da sociedade do espetáculo. E, sempre caímos nele.

 

*Da aula Sociedade do Espetáculo, do prof Dr Cláudio Coelho.

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