Mediatization of Politics: a challenge for democracy?

O texto de Mazzoneli e Schulz levanta um assunto novo na academia: a mediatização da sociedade, especificamente da política. Que fique clara a distinção entre mediação (uma relação mediada por um meio, seja ele um blog, televisão ou telefone) e a mediatização que é a presença maior da mídia no cotidiano. É um assunto novo, as primeiras pesquisas datam de 2005 e não há quase nada disponível em português.

Lendo os textos de Hjarvard e Mazzoneli lembrei muito da questão política no Rio Grande do Sul. Tenho acompanhado as manifestações dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre e a diferença na forma de lidar com os meios é grande. Fortunati usa o twitter, por exemplo, muito mais como “mediação” do que como “mediatização”. O candidato apresenta suas propostas, informa os locais onde está, agradece, mas muito raramente interage.

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Como bem diz Mazzoleni, hoje em dia a política não pode existir sem a comunicação. E, é dessa forma que o candidato utiliza as plataformas digitais. Como uma mediação.

Manuela d’Ávila é o exemplo da política de mediatização. Ela mostra uma política que é moldada pelos e para os meios de comunicação (Mazzoleni). Manuela “substitui” o corpo-a-corpo pelo contato via mídias sociais . Substitui no sentido de, uma relação que muitos fazem somente de forma presencial, Manuela, sabiamente, faz também pela plataforma twitter. Como se fosse um mecanismo de compra e venda, como uma empresa.

Como diz Hjarvard: “os meios de comunicação transformaram a sociedade a partir de uma situação de escassez de informação para a abundância onde qualquer um pode competir.” (tradução minha) Manuela demonstra uma clara adaptação aos media. Caso parecido ocorreu com Marina Silva na disputa presidencial de 2010 e ocorre com Soninha Francine, em São Paulo.

Longe da questão apocalíptica baudrillardiana em  que a mídia e o pós-modernismo são símbolos de uma cultura formadora de simulacros e aparências da realidade, onde não existe mais o real, Mazzoneli expõe muito bem o que estamos vivendo: uma sociedade capitalista que como teve seu desenvolvimento industrial, tem também seu desenvolvimento nas comunicações. Feliz daquele que souber se adaptar e tirar proveito desse desenvolvimento.

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