Arquivo mensal: setembro 2012

Aaaah, a política…

Lendo a coluna do Ilimar Franco, no Jornal O Globo, me deparo com essas pérolas:

Desde quando o sonho do senador Aécio é proximidade com o PSB? Inacreditável. Mas quando tu achas que já viu de tudo, vem o prefeito da (maravilhosa) João Pessoa e mostra que sempre pode ficar pior:

Por essas e outras que nem o palhaço aguentou.

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The Cruel Radiance

Eu comecei a escrever sobre esse livro e não falei mais nele. Então, um breve comentário sobre The Cruel Radiance.

Nachtwey

As fotografias podem iluminar a escuridão? Podem tornar o mundo mais habitável e dar voz ao silêncio expondo situações de crueldade? Em The Cruel Radiance – photography and political violence (ainda sem tradução para o português), Susie Linfield, professora do departamento de jornalismo da Universidade de Nova York, examina o que as imagens fotográficas podem nos dizer sobre o sofrimento humano.

“O Brilho Cruel” foi escrito em 2010 e analisa, em sua essência, fotografias políticas e de violência. Um livro de crítica e não de teoria. De crítica a uma das principais teóricas do assunto, Susan Sontag, que via nas fotografias um lamento sem pensamento. As fotografias não podem explicar as complexidades das histórias ou suas causas. As fotografias são vislumbres poderosos, sugestões poderosas. A autora pede para os telespectadores tornarem-se mais pró-ativos em vez de se lamentarem eternamente sobre todas as coisas que as fotografias não podem fazer e não nos dizem, e todos os caminhos que não podem percorrer. Cabe a nós começar uma investigação sobre essas histórias e sobre o que as imagens estão dizendo. Toda imagem de sofrimento não diz somente “isso é”, mas também implica em “isto não deve ser”, ou “isto está acontecendo” com “isto deve parar”.

Além das indicações morais para o fotógrafo, o espectador enfrenta seus próprios dilemas quando se olha para fotos de violência, dor e sofrimento. E um desses dilemas concentra-se na imprevisibilidade das reações.

Linfield afirma que fotografias de sofrimento e violência nem sempre privilegiam, nem devem, empatia e solidariedade. Algumas fotografias não estão devidamente contextualizadas politicamente. A autora fala do quão desconcertante é olhar, por exemplo, para fotografias de crianças-soldados. Vítimas de terríveis crimes, são sequestrados e espancados. Mas  também são criminosos. Foram treinados para serem assassinos, para serem sociopatas, e eles mesmos são culpados de estupro e assassinato e mutilação. Linfield conclui que ao invés de censurar a nós mesmos, devemos nos permitir experimentar as fotografias, e depois analisar o que significam essas reações. Emoção não é um ponto final, mas pode ser o ponto de partida para investigar o que significa ser uma vítima, o que significa ser derrotado, o que faz da opressão política. The Cruel Radiance é leitura obrigatória para quem quer entender o que é o poder da imagem fotográfica.

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Sem tempo

Fotografia, política e narrativas..

Trabalhando na dissertação. Meu cérebro está falhando. Esqueci de entregar uns livros na biblioteca e vou ter que me virar com a multa. Gah!!!!

Update: hoje temos as prévias da apresentação do colega Gilberto no II Seminário Comunicação e Política na Sociedade do Espetáculo!!!

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O 'novo' Iphone

Filas que duram dias para a compra de um novo aparelho celular.  Dois milhões de encomendas na atualização de um aparelho. Observação: não é uma novidade completa, como a primeira venda de um tablet, algo que até então o mercado não conhecia. Mas uma atualização de um sistema que já existe. O consumo é tão exagerado (e impressionante) que o novo Iphone pode acrescentar entre 0,25 e 0,50 ponto percentual no crescimento do PIB dos Estados Unidos. Calculado utilizando o chamado método de controle de varejo, as vendas do iPhone podem impulsionar o crescimento anualizado do PIB em 3,2 bilhões de dólares, ou 12,8 bilhões de dólares a uma taxa anual.

Christopher Lasch lembra bem que as mercadorias são produzidas para o consumo imediato. O seu valor não assenta em sua utilidade ou permanência,mas em sua negociabilidadade. Jean Baudrillard fala de uma crença exacerbada na publicidade e não no produto. Publicidade com discurso ideológico e conotativo. Ideológico porque não se assume como tal, conotativo porque é a publicidade do espetáculo, da sedução e da sugestão. Que só fortalece o eu narcisista de Lasch.  Gilles Lipovetsky menciona a sociedade do hiperconsumo. Nessa linha, Juremir Machado da Silva fala do hiperespetáculo: “O hiperespetáculo é um imaginário sem representação. Imagem nua. Deliciosamente obscena.”

Lasch chama a atenção para uma crescente dependência frente à tecnologia, que deu origem à impotência e vitimzação. O eu mínimo ou narcisista é, antes de tudo, um eu inseguro de seus próprios limites, que ora almeja reconstruir o mundo à sua própria imagem, ora anseia fundir-se em seu ambiente numa extasiada união. Por que precisaríamos de um novo Iphone? O “antigo” não funciona mais? Não. O objeto perdeu sua função primeira. O espaço de relações em que os objetos ultrapassam sua função, ou seja, deixam de ser objetos-função e alcançam uma nova ordem prática de organização.  Não é mais o aparelho por si só. É seu status, o que ele representa e o que eles diz que representa. Mas, ficar na fila por dias em função desse desejo ‘vazio’ é algo que nem Baudrillard esperava ver.

Obs.: sou muito mais o Galaxy SIII.

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Baudrillard, a Publicidade, os Objetos e a Sociedade do Consumo*

Em O Sistema dos Objetos, de 1968 (inacreditável), Jean Baudrillard fala da sociedade do consumo. Uma sociedade que não consome somente o objeto por ele mesmo, mas o objeto e o outro objeto para completar o anterior e o outro. Baudrillard afirma que consumimos a embalagem derivada de uma publicidade ideológica e conotativa. Ideológica porque não se assume como tal e conotativa porque sempre ‘supõe’. É a lógica da sedução e da persuasão. Um exemplo: a (diva) Gisele Bundchen. A imagem que se vende é da maior Top Model de todos os tempos, do rosto que vende, do casamento perfeito com o astro de futebol americano, a família com o filho lindo e a modelo preocupada com o meio ambiente. Quando, na verdade, para muitos, longe do glamour, seria apenas mais uma mulher alta e magra com um cabelo lindo (isso é,mesmo).

Gisele

O discurso ideológico da publicidade nos faz crer na ‘história do Papai Noel’: sabemos que ele não existe, mas é conveniente acreditar nele. Como os políticos em época de campanha que afirmam que vão ‘cuidar das pessoas’. Nós sabemos que não vão, mas acreditamos por ser melhor assim. Ou como a propaganda da C&A: você vai ficar como a Gisele Bundchen. Não vamos. A sociedade se adapta às necessidades do indivíduo numa dissolução de tensões propondo uma sociedade harmoniosa e maternal. O grande problema é quando essa publicidade é travestida de coisa séria e nós não percebemos o consumo, como o que acontece na grande maioria das vezes. Para participar da corrida de rua você precisa do tênis de R$600, um frequencímetro, um Ipod e assim vai…na superfluidade das imagens somos sensíveis ao jogo de cena da sociedade do espetáculo. E, sempre caímos nele.

 

*Da aula Sociedade do Espetáculo, do prof Dr Cláudio Coelho.

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Vaga para Obama das redes sociais no Brasil

Habermas é polêmico. Ponto. Mas eu vou falar (d)nele. Inspirado no conceito de publicidade kantiano, Habermas tem como ideia de esfera pública a comunicação que se constitui num espaço da vida social humana permitindo a formação de uma opinião pública de interesse. Portanto, a esfera pública é uma dimensão que prevê uma racionalização da discussão.  Vale lembrar que muitos críticos refizeram o conceito habermasiano e até ele mesmo se refez.

Anyway: com o advento da internet, que Habermas não escute, a esfera pública tomou uma outra proporção. Alguns, esquecem que existe uma divisão entre esfera pública e privada, mas esse não é o caso (dá uma vontade de falar nisso). Vale lembrar que os meios de comunicação tradicionais não disponibilizam o espaço de debate defendido pelo autor, pois a maioria deles trabalha sob a lógica do agenda setting, ou seja, a lógica do que vai ser noticiado.A internet, sim, propicia o debate. Barack Obama foi o grande homem das mídias sociais e fez uma revolução no potencial midiático das redes. Como Gomes bem observa,  a campanha de Obama foi um exemplo de “modus operandi de campanha cooperativo, ao par com o espírito da internet 2.0 no quase refere a convocar e pressupor a participação dos internautas na produção dos conteúdos e nos procedimentos de difusão viral de informações e de mobilização”.

O conceito de “internet 2.0”, ou “web 2.0” significa, justamente, a internet não apenas como um sistema de publicações e banco de dados on-line, mas como um suporte para a estruturação das redes de mídia social. Michele  Obama seduziu os internautas em seu discurso terça-feira e ela foi o tema de 28 mil tuítes por minuto, segundo o Twitter. Isso representa o dobro da repercussão do discurso de Mitt Romney na convenção republicana. Ann Romney foi citada em pouco mais de 6.000 tuítes por minuto.

A minha grande pergunta é: e, no Brasil? Quem tem esse poder mobilizador? Não se pode negar que José Serra foi um pioneiro no uso do Twitter, mas não é um “Barack Obama” das redes sociais. Esse é um espaço vago na nossa política. E, até agora, parece que ninguém vai preenchê-lo.

GOMES, W. (et alii): Politics 2.0”A Campanha On-line de Barack Obama em 2008, In. Revista Sociologia Política, Vol. 17, n.34, pp. 29-43, Curitiba, Outubro 2009.
HABERMAS, Jurgen: Mudança Estrutural da Esfera Pública, Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2003.

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Por quê?

Queria escrever aqui com mais calma, mas essa semana está impossível. Tenho que terminar alguns livros, dentre eles, Estética da Fotografia- perda e permanência, de François Soulages. Vou transcrever apenas um trecho da página 26, que desconstroi uma das afirmações mais clássicas de Barthes:

A doutrina do ‘isto existiu’ de Barthes  parece mitológica. Talvez fosse necessário substituí-la por um ‘isto foi encenado’ que nos permitisse esclarecer melhor a natureza da fotografia. Diante de uma foto, só podemos dizer: ‘ isto foi encenado’, afirmando, dessa maneira, que a cena foi encenada e representada diante da máquina e do fotógrafo; que não é o reflexo nem a prova do real; o sito se deixou enganar: nós fomos enganados. Ao termos uma necessidade tão grande de acreditar, caímos na ilusão: a ilusão de que havia uma prova graças à fotografia…

A minha pergunta é: Por que eu tive que ler Le chaimbre claire se todo o mundo resolveu agora desconstruir Barthes na fotografia??? Gah!

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Uma BAITA notícia

Achei isso muito legal: a PUC-SP fechou convênio com a Sorbonne para o mestrado em Economia. Os professores da Sorbonne darão aulas em inglês durante o segundo ano do curso e podem orientar alunos brasileiros. E, mais legal (pode ser mais legal ainda?) será oferecida uma dupla diplomação: mestrado profissional em Economia da Mundialização e Desenvolvimento, pela PUC-SP, e Master 2 Recherche Economie de La Mondialisation, pela Paris 1 Panthéon Sorbonne.

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Mediatization of Politics: a challenge for democracy?

O texto de Mazzoneli e Schulz levanta um assunto novo na academia: a mediatização da sociedade, especificamente da política. Que fique clara a distinção entre mediação (uma relação mediada por um meio, seja ele um blog, televisão ou telefone) e a mediatização que é a presença maior da mídia no cotidiano. É um assunto novo, as primeiras pesquisas datam de 2005 e não há quase nada disponível em português.

Lendo os textos de Hjarvard e Mazzoneli lembrei muito da questão política no Rio Grande do Sul. Tenho acompanhado as manifestações dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre e a diferença na forma de lidar com os meios é grande. Fortunati usa o twitter, por exemplo, muito mais como “mediação” do que como “mediatização”. O candidato apresenta suas propostas, informa os locais onde está, agradece, mas muito raramente interage.

Últimos posts de @josefortunati

Como bem diz Mazzoleni, hoje em dia a política não pode existir sem a comunicação. E, é dessa forma que o candidato utiliza as plataformas digitais. Como uma mediação.

Manuela d’Ávila é o exemplo da política de mediatização. Ela mostra uma política que é moldada pelos e para os meios de comunicação (Mazzoleni). Manuela “substitui” o corpo-a-corpo pelo contato via mídias sociais . Substitui no sentido de, uma relação que muitos fazem somente de forma presencial, Manuela, sabiamente, faz também pela plataforma twitter. Como se fosse um mecanismo de compra e venda, como uma empresa.

Como diz Hjarvard: “os meios de comunicação transformaram a sociedade a partir de uma situação de escassez de informação para a abundância onde qualquer um pode competir.” (tradução minha) Manuela demonstra uma clara adaptação aos media. Caso parecido ocorreu com Marina Silva na disputa presidencial de 2010 e ocorre com Soninha Francine, em São Paulo.

Longe da questão apocalíptica baudrillardiana em  que a mídia e o pós-modernismo são símbolos de uma cultura formadora de simulacros e aparências da realidade, onde não existe mais o real, Mazzoneli expõe muito bem o que estamos vivendo: uma sociedade capitalista que como teve seu desenvolvimento industrial, tem também seu desenvolvimento nas comunicações. Feliz daquele que souber se adaptar e tirar proveito desse desenvolvimento.

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