Ainda sobre A Cidade do Pensamento Único

Ainda sobre o livro Cidade do Pensamento Único, gostaria de detalhar um pouco mais. No texto, Vainer deixa claro que o urbanismo moderno “tecnocrático-centralizado-autoritário” vai sendo tomado por um novo padrão de planejamento inspirado em conceitos e técnicas empresariais. Um exemplo de sucesso sempre citado a longo do livro é a cidade de Barcelona. Os autores deixam claro que, para que haja uma reação, é necessário que se entenda que há uma crise e que essa crise gere um sentimento de patriotismo conjunto.


A cidade, sob a luz da ideologia de mercado, passa a ser tratada e percebida como: cidade-mercadoria; cidade-empresa e cidade-pátria.Na cidade mercadoria a cidade é pensada como um objeto de luxo que deve atrair novos investidores. Vainer cita alguns trechos do Planejamento Estratégico para o Rio de Janeiro: “A preocupação com a imagem atinge seu paroxismo entre os estrategistas carioca-catalões quando o diagnóstico aponta como um dos problemas a “forte visibilidade da população de rua”: a miséria estrategicamente redefinida como problema paisagístico (ou ambiental)”.
A cidade vista como empresa.
O novo conceito de planejamento impõe que a gestão das cidades seja necessariamente subordinada aos interesses do mercado. E nenhum outro setor entende melhor disto que o empresarial:
O setor privado deve liderar as estratégias econômicas locais, uma agencia facilitadora deve prover informação e criar diálogos entre os investidores privados, as instituições de educação e treinamento, os serviços provedores e o próprio governo.
Desfaz-se assim a separação rígida entre os setores público e privado.

 

A cidade vista como pátria.
Será preciso então que o “cidadão-funcionário” tenha a percepção (mesmo que forjada) do desafio imposto à sua “cidade-empresa” no novo contexto da economia globalizada. O que Borja chama de “uma consciência aguda de crise urbana”. E Vainer continua:

Mas o sentimento de crise, é sabido, pode ser passageiro. Como construir sobre base tão frágil uma unidade e um consenso que necessitam perdurar, incólumes, sem brechas? A resposta está na transformação do fugaz sentimento de crise num consistente e durável patriotismo de cidade.

 

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