Susie Linfield contra Roland Barthes e Susan Sontag

Eu sempre gostei de Roland Barthes e de como ele abordava a fotografia. Sempre achei aquele sentimentalismo com o punctum, a “ferida” na fotografia algo que me encantavam. A forma como a Susan Sontag também tratava esse chamativo nas imagens fotográficas me prendia. Mas, pelo pouquíssimo que li da Susie Linfield em The Cruel Radiance ( O Brilho Cruel), eu começo a entender a indignação dela com esses dois autores que eu sempre adorei.

Susan Sontag

Linfield critica essa postura do Barthes e da Sontag em ver a imagem fotográfica apenas com o sentimento e não com o intelecto. Como se a imagem fosse um ópio que não deixasse pensar no que há por trás dela. Barthes fala um pouco do “Isso foi”, mas a conversa pára por aí. E, Linfield fornece um exemplo que faz a gente pensar: por quê eu tenho que ficar transtornada com o menino-soldado de nove anos com uma arma na mão?? Esse mesmo menino também é um soldado, que mata, que é transgressor e violento. Mas mais do que isso: a fotografia está aí para nos tornar pró-ativos em vez de nos lamentarmos sobre o que a fotografia não pode fazer. E, isso, Barthes e Sontag esquecem. And, here we go, Susie!!!

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3 opiniões sobre “Susie Linfield contra Roland Barthes e Susan Sontag

  1. d disse:

    prezado blogueiro,

    grato por me apresentar susie linfield, que que não conhecia .

    no entanto, nem barthes nem sontag pregam uma leitura apenas emotiva das fotografias.

    no caso do barthes em camera clara – um dos últimos e mais íntimos livros dele- as motivações ao livro eram, em parte, muito pessoais, e ele reitera isto. o que importa é que ele fixa o olhar e vai lendo as imagens.

    mais clara fica a leitura dele da natureza fotográfica no ensaio curto ” a mensagem fotográfica”, comum em livros de teoria da comunicação (recomendo).

    D

    • deysicioccari disse:

      Caro “d”,

      Barthes e Sontag, e é o que Linfield argumenta, falam que a fotografia, principalmente a de choque, elas afastam as pessoas. O horror choca, é a “dor do outro”. O que Linfield argumenta é que devemos pensar na dor do outro não como algo “não quero olhar”, “que horror o que a guerra faz”, mas como os dois lados da mesma moeda. A guerra é um horror, mas o que a pessoa fez para estar lá? Um exemplo clássico é a imagem fotográfica vencedora do World Press de 2003, de Jean Marc Bouju..em meio à loucura da guerra, ao assassinato, a fotografia mostra amor do pai com o filho.

      Um abraço

  2. deysicioccari disse:

    Obs.: desculpe meus erros. Escrevi falando ao telefone! 🙂 Mas também recomendo Susie Linfield. Aliás, minha primeira proposta de dissertação era com Barthes. Mas mudei depois que li a Linfield. Abraços.

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