Arquivo mensal: abril 2012

Quem influencia, pelo twitter, na política no Brasil

Levantamento da consultoria internacional de relações-públicas Burson-Marsteller divulgou nesta segunda-feira as pessoas mais influentes na política brasileira, via twitter. A surpresa da pesquisa é que os mais influentes não são os políticos, mas jornalistas e colunistas. Ricardo Noblat, Miriam Leitão, Luis Nassif e Lauro Jardim estão na lista. Entre os políticos, Dilmabr aparece. O governador de SP, Geraldo Alckmin e Jose Serra, o eterno candidato e um dos precursores políticos do twitter no país, curiosamente, são os mais influentes e mais antigos na rede social.  A pergunta de um milhão de dólares: “onde estão os 513 deputados?”. A pergunta de 500 mil: “e os nossos senadores?”. Com mandato legislativo, somente o senador do PDT Cristovam Buarque foi citado. Recursos, todos eles têm. Assessoria de Imprensa, todos eles têm. Que interatividade os nossos parlamentares estão estabelecendo com os eleitores? Nossos políticos ainda têm muito a aprender com a internet.

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Feitos um para o outro

( texto do caderno Link, do Estadão, 16 de abril de 2012)

Ao comprar o Instagram por US$ 1 bilhão, o Facebook reforça a atual cultura das aparências

Por Dan Zak, do Washington Post

O Facebook comprou o Instagram na segunda-feira passada por um b-b-bilhão de dólares, um solavanco tecnônico no reino da mídia social. Mas o que isso tem a ver com o mundo real – este universo caótico que nos cerca, não apenas aquele que é nos apresentado de forma organizada nas pequenas telas de nossos smartphones?

Nada. Ou tudo.

Dada a expressiva reação sobre a compra, tem-se a impressão de estarmos assistindo a uma transação como a de quando a British Petroleum comprou os poços da Standard Oil. Mas esqueça os Carnegies e os Rockefellers, estes titãs da utilidade.

O Facebook de Mark Zuckerberg e o Instagram de Kevin Systrom são nossos titãs da futilidade, em um mundo paralelo que nos delicia à medida que sacrificamos tempo e produtividade. Seus produtos expandiram o mundo ao mesmo tempo que o reduziu a um painel de controle. Eles fizeram a interface se sobrepor ao cara a cara e ampliaram nossa mentalidade de colmeia.

Esta colmeia zumbiu alto quando cogitou-se a possibilidade de o Facebook, cheio de penduricalhos, infectar a simplicidade clean do Instagram, mas os dois serviços foram feitos um para o outro. São ferramentas que usamos para definir e refinar nossas próprias imagens – e ambos nos permitem editar e filtrar o mundo como acharmos melhor.

Se até sua avó está no Facebook, isso quer dizer que ele já perdeu a aura de novidade entre os 483 milhões de usuários ativos. Mas com apenas 18 meses de idade e mais de 30 milhões de cadastrados, o Instagram é uma novidade. Seus usuários tiram fotos com o celular, escolhem filtros artísticos para retocá-las e publicam estes produtos estilizados para uma corrente de seguidores que “curtem” ou comentam as imagens.

Com o Instagram à disposição, uma formação geométrica na espuma do cappuccino não é um mero devaneio passageiro, mas um detalhe que merece ser registrado, filtrado de forma icônica e compartilhado com estranhos. Também é uma forma de comunicar aos outros que você é o tipo de pessoa que, além de beber cappuccino com uma espuma geométrica, também pode converter aquela imagem em arte instantânea. Instagram: o equivalente visual ao Miojo.

Nele, o kitsch e a ironia se encontram, com filtros que poderiam pertencer à paleta do recém-falecido Thomas Kinkade – autodenominado “pintor da luz” que nauseava a crítica e encantava milhões com suas paisagens ensolaradas. Há a boa arte e má arte, o fato e a ficção. O Instagram pousa em algum lugar nesse meio. E agora este território pertence ao reino do Facebook.

Da mesma forma que o Instagram faz fotos ruins parecerem boas e fotos boas parecerem ótimas, o Facebook nos vende como felizes e amados sempre. Personalize e compartilhe o que for editado e envernizado. Deixe a verdade de lado, realce a beleza.

Não publique o autorretrato em preto e branco que você tirou quando estava exausto numa cabine do banheiro do escritório. Não compartilhe com os amigos que sua namorada continua lhe traindo. Capture aquele pôr do sol e amplifique a beleza de sempre com o filtro “Toaster”. Publique suas fotos do Instagram em seu perfil do Facebook, de forma que sua surrealidade faça sentido neste contexto.

Então o que o casamento do Facebook com o Instagram significa para nosso mundo, este fora dos nossos telefones, que é filtrado apenas por nossas córneas e apresentado de forma aleatória, sem bloqueio e fora de ordem?

Nada. Ou tudo. É um dilema que só pode ser solucionado ao invocarmos Keats. Beleza. Verdade. Únicas e uma só. Extrapole isto para a mídia social e aceite que a beleza falsa possa ser a verdade real. Ergamos nossos smartphones à união do Instagram com o Facebook. E que seu matrimônio nos mantenha sempre em sua luz artística perpétua.

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Então…

De toda a bibliografia desse primeiro semestre, a única que eu não conhecia era Terry Eagleton. Até que a professora Simonetta Persichetti indicou o primeiro capítulo de Depois da Teoria como leitura. PIREI!!! Não resisti e comprei o livro. Ainda não terminei, masvou dar meus pitacos. O grande questionando de Eagleton é a mudança na teoria cultural. Estudar marxismo, pós-estruturalismo ou “formas de combate à fome” parece ultrapassado tendo em vista a profusão cultural de hoje. De acordo com o teórico tornou-se muito mais interessante estudar a cultura por trás de Friends do que “como metade da população mundial sobrevive com dois dólares por dia?”. A idade de ouro da teoria cultural já era. Não devemos encontrar hoje em dia estudiosos pioneiros como Roland Barthes (adoro),  Michel Foucault ou Lacan. A geração de hoje aparentemente não tem ideias próprias comparáveis. O corpo não é mais aquele atormentado ela fome, mas é o corpo dos desfiles de moda, de Paris ou de um São Paulo Fashion Week. Vampirismo e cultura punk dão lugar ao estruturalismo de Horkheimer.

Se, antes, o rock era uma distração dos estudos, hoje ele pode ser estudado com base filosófica. Por um lado, Eagleton admite que os centros acadêmicos ignoraram a vida cotidiana, por outro indaga esse interesse massivo em estudar o banal. E, emenda que ao resgatar estudos que até então eram marginalizados, dá-se voz aos mesmos. A vida social tornou-se passiva de estudos. As diferenças não têm mais fronteiras o que ratifica a noção de pós-modernismo: “não acredita nos indivíduos, não acredita no pluralismo, mas também não coloca muita fé nos trabalhadores” (p. 34). E, finaliza o primeiro capítulo adiantando que é necessário descobrir uma nova forma de pertencimento. Para o autor, o mundo caminha para uma direção em que os ricos possuem cada vez mais mobilidade enquanto os pobres mantém a localidade. No futuro, não será difícil um grupo sob a proteção de armas e vigilância, e o outro “catando” comida. Enquanto isso, os estudos acadêmicos analisam “Friends” ou “Two and a Half Men”.

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